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Violência contra a mulher

Dia Internacional contra Violência às Mulheres teve protestos e repressão

Getty Images
A data foi marcada por protestos no mundo inteiro, em cidades como Istambul, na Turquia Imagem: Getty Images

da RFI

26/11/2018 10h23

Centenas de mulheres protestaram nesse domingo (25) em Qamichli, cidade dominada pelos curdos no nordeste da Síria em guerra, no Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres.

Ao som de tambores, as manifestantes percorreram as ruas carregando cartazes em que se podia ler "o casamento de meninas é um crime". Algumas mostravam fotos de uma mulher com o rosto desfigurado e a boca coberta por uma mão.

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"Temos que participar em massa neste dia", disse Hanifa Mohamed, de 47 anos, vestida num suéter verde e portando um véu escuro que emoldurava o seu rosto sorridente. "As mulheres precisam se organizar e alcançar níveis de decisão, e precisam determinar o seu futuro", completou.

Em meio à guerra que assola a Síria desde 2011, os curdos têm alcançado certa autonomia nos territórios sob o seu controle no norte e no nordeste do país. Nesses locais, as instituições criadas pela minoria curda são geralmente codirigidas por um homem e uma mulher.

Em um país onde reina uma sociedade conservadora e que considera que as mulheres nem sempre têm os mesmos direitos do que os homens, os curdos se orgulham de promover a igualdade de gênero.

No protesto desse domingo, algumas manifestantes exibiram sua hostilidade à vizinha Turquia, o grande inimigo dos curdos. Ancara tem uma visão negativa da autonomia de fato dos curdos na Síria, temendo que ela inspire a sua própria minoria curda.

O evento também foi organizado como uma homenagem às mulheres de Afrine, um enclave curdo no noroeste da Síria, conquistado em março pelo exército turco e seus aliados sírios, que agora controlam a área.

Na Turquia, repressão

Já na vizinha Turquia, a polícia usou bombas de gás lacrimogêneo e escudos para evitar uma marcha não autorizada em Istambul, nesse domingo (25), pelo Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres.

A tropa de choque repeliu cerca de mil pessoas, a maioria mulheres, que tinham se reunido para uma passeata na Avenida Istiklal, uma das artérias mais movimentadas de Istambul.

"Nós não seremos silenciadas, não temos medo, não vamos obedecer", gritavam as manifestantes, agitando cartazes onde se lia "contra violência às mulheres", "nós defendemos a vida" ou ainda "unidas, as mulheres são fortes".

Depois de uma reunião com as autoridades policiais, que durou mais de uma hora e meia, os manifestantes seguiram entoando seus slogans em becos e ruas estreitas, antes de se dispersarem.

A polícia também impediu outra manifestação não autorizada em Istambul, no lado asiático da cidade. As autoridades só permitem pequenos encontros, desde as grandes manifestações contra o governo, em 2013.

"Ser mulher na Turquia é sofrer violência de homens em todas as áreas da vida, seja no trabalho ou em casa", disse Yasemin Esmer, uma das participantes.

"Estamos aqui para gritar o nosso sentimento de indignação, dizemos que somos fortes por estarmos unidas", disse uma estudante, explicando que participava para "defender vidas e a forma como as mulheres vivem."

A violência contra as mulheres é um tema recorrente na Turquia, com várias centenas de femicídios por ano. A plataforma Stop Feminicide registrou 409 casos em 2017, em comparação a 328 do ano anterior.

Essa semana, o governo turco lançou uma campanha de conscientização com o slogan: "A violência doméstica não tem desculpa ou perdão".

Embora o presidente turco Recep Tayyip Erdogan condene regularmente a violência contra as mulheres, associações acusam o governo islâmico-conservador de não tomar medidas suficientes para combater o problema ou de manter um clima de impunidade.