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Violência contra a mulher

Boatos de assédio inflaram protestos neonazistas na Alemanha

Odd ANDERSEN / AFP
Manifestantes da extrema-direita alemã se concentram em Chemnitz e protestam contra estrangeiros, após um alemão ter sido esfaqueado durante briga de imigrantes Imagem: Odd ANDERSEN / AFP

da RFI, em Berlim

30/08/2018 09h18

Há acusações de que notícias falsas nas redes sociais, de cunho xenófobo, teriam impulsionado os incidentes de Chemnitz. Boatos nas mídias sociais afirmavam que a briga que causou a morte do alemão teria origem num assédio sexual contra uma mulher.

Posteriormente, a polícia informou que não havia indício algum de que isso fosse verdade. Nas redes sociais, porém, a vítima, Daniel H., foi retratado como alguém que teria tentado defender uma mulher de um assédio sexual.

Especialistas afirmam que esse tipo de história, sobre um alemão que tenta defender uma mulher também alemã de ataques de estrangeiros, é comum entre militantes de extrema direita. As redes sociais teriam sido um fator que contribuiu para que a polícia do estado da Saxônia fosse surpreendida pelo número expressivo de manifestantes.

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As redes sociais são muito importantes para os movimentos extremistas, que se encontram bem organizados no Facebook, Instagram e Twitter.

Segundo especialistas, os grupos de neonazistas, que são numerosos principalmente no estado da Saxônia, estariam esperando apenas uma oportunidade para convocar seus militantes nas redes sociais.

Nessas ocasiões, todo tipo de boato é válido para incitar os militantes. Segundo analistas, é o que parece ter acontecido no caso de Chemnitz.

Novos protestos

Uma nova passeata de extrema-direita foi convocada para quinta-feira (30) em Chemnitz. Grupos de esquerda e também o próprio governador do estado da Saxônia prometem comparecer para fazer frente aos neonazistas. Espera-se que a polícia compareça em maior número para evitar tumultos.
 
Ontem, houve manifestações de extremistas de direita em pelo menos duas cidades alemãs, mas os protestos foram relativamente pequenos e ocorreram sem maiores incidentes. Em Colônia, quase 80 neonazistas marcharam nas ruas, ao mesmo tempo em que eram contestados por cerca de 300 militantes de esquerda.

Em Dresden, cerca de 50 pessoas atenderam a convocação do movimento anti-islâmico Pegida, enquanto quase três vezes o número de pessoas se reuniram para protestar contra o ato do Pegida e contra a xenofobia.

Polícia foi alertada e subestimou neonazistas  

Depois dos tumultos em Chemnitz, as autoridades locais têm sido criticadas por terem subestimado os extremistas. A polícia local foi avisada com antecedência por agências de informação de que a quantidade de neonazistas poderia ser maior do que o esperado inicialmente.
 
Relembrando o caso, na noite de segunda-feira (27), cerca de seis mil pessoas se reuniram no centro de Chemnitz, atendendo uma convocação de um movimento de extrema direita para protestar contra o assassinato a facadas do cidadão alemão de origem cubana.

Mais de 1.500 militantes de grupos de esquerda também se reuniram no local. Houve tumulto, confrontos entre manifestantes de esquerda e de extrema direita. Os cerca de 600 policiais que deveriam garantir a segurança da passeata não conseguiram controlar os distúrbios.
 
A polícia indiciou 10 extremistas de direita por fazerem a saudação nazista, que é proibida na Alemanha. Vinte pessoas ficaram feridas, incluindo dois policiais.

O assassinato, que serviu de estopim para os tumultos, ocorreu na noite anterior, no domingo, durante uma briga em uma festa popular da cidade e houve naquela mesma noite protestos violentos promovidos por grupos de neonazistas e hooligans. Estrangeiros foram perseguidos nas ruas da cidade e agredidos.

Por que a Saxônia?

A xenofobia e o extremismo de direita são bastante disseminados no estado da Saxônia. O partido de ultradireita AfD teve votação recorde nas eleições passadas e, segundo as pesquisas, deve ficar em segundo lugar nas eleições regionais do ano que vem.

A capital do estado, Dresden, é a cidade onde foi criado o movimento anti-islamico Pegida, que há quatro anos promove passeatas contra a “islamização da Alemanha” e a presença de imigrantes no país.

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