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Conheça Cláudia Machado, única taxista brasileira em Roma

Acervo pessoal/RFI
Cláudia Machado é a única taxista brasileira em Roma Imagem: Acervo pessoal/RFI

Gina Marques

da RFI, em Roma

13/08/2018 09h01

Cláudia Machado tem 53 anos e é a única mulher brasileira que dirige um táxi em Roma. Ela nasceu em Caxias do Maranhão e vive na capital italiana desde 1985. Há onze anos, passou no concurso da prefeitura e obteve a licença de taxista sem ter que pagar o alvará.

Nesta entrevista à RFI a bordo do seu táxi no trânsito caótico romano, Cláudia nos conta como é o seu trabalho. "Eu cheguei em Roma em 1985. Vim conhecer a minha sogra e fiquei. Ai começou a minha aventura na Itália: uma maranhense negra dirigindo um táxi”, conta Cláudia.

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“Na verdade, meu marido já tinha um táxi desde 1989. Quando chegamos aqui, não tinha trabalho e conseguimos comprar uma licença com dificuldade porque o alvará é caro. Em 2007 eu prestei um concurso e ganhei a licença municipal. Foi incrível. Eu não esperava, pois na época trabalhava na farmácia, estava muito bem, e não esperava ser taxista. Tinha medo”, conta.

Na Itália, país onde a maioria da população é branca, Cláudia afirma que nunca sentiu racismo da parte dos seus passageiros. “Nunca senti racismo, nunca. As pessoas quando entram no meu táxi ficam surpresas. Quando você fala que é brasileira, eles perguntam: mas tá fazendo o que aqui? Eu estou dirigindo um táxi”.

Segundo Cláudia, a maioria dos seus colegas romanos é machista. Dos 8 mil taxistas que trabalham na capital, apenas mil são mulheres. “ Sim, é uma profissão machista. Uma mulher preta nesse mundo aqui não é muito fácil, mas graças a Deus eu consegui”.

“Já levei algumas cantadas”

No seu trabalho em contato direto com o público, ela já recebeu algumas cantadas.

"Cantada sim, mas nada de vulgar ou de insistente. Eu mantenho sempre uma distância. Aceito os elogios e as cantadas, mas cada um no seu lugar. Depende de você, né?. Nestes onze anos como taxista, Cláudia tem histórias curiosas para contar, mas nunca enfrentou situações perigosas.

"Uma vez uma pessoa desceu do carro sem me pagar. O que eu podia fazer? Ainda bem que eram só € 10. Mas nunca houve nada de perigoso. Eu trabalho muito no centro, indo e voltando do aeroporto, então nunca tive medo do meu trabalho. Graças a Deus nunca tive nenhum problema. Eu também não trabalho à noite, normalmente meu turno é de manhã bem cedo e à tarde. Às vezes termino às 23h. É uma questão de sorte, porque não tem hora para acontecer alguma coisa".

Segundo Cláudia, a diária de um taxista em Roma varia de € 100 à € 150. Mas é necessário respeitar rigorosamente os turnos com o máximo de 8 horas diárias e pausas semanais. As despesas de manutenção mecânica, gasolina e o seguro do carro, são por conta dela.

Além disso, como trabalhadora autônoma ela paga aproximadamente 35% de impostos sobre seus ganhos.

"Tem mês que se ganha um pouquinho mais, tem mês que é um pouquinho menos, mas é um bom trabalho. Se eu tiver necessidade de fazer outras coisas para minha família, eu posso parar. Não peço para ninguém o que eu posso ou tenho que fazer. É um trabalho independente".

Cláudia está satisfeita com o seu trabalho. "Dirijo meu táxi nesta cidade linda. Adoro este trabalho, adoro. Para mim é como viajar sempre. Sempre digo: este trabalho para mim é como uma viagem porque conheço tanta gente, de todo mundo, de todo tipo. Gosto muito de conversar, então para mim é uma experiência maravilhosa".

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