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Violência contra a mulher

Tribunal egípcio condena mulher por "notícia falsa" em vídeo sobre assédio

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Imagem: harassment

Amina Ismail*

da Reuters, no Cairo

30/09/2018 09h31

Um tribunal egípcio condenou uma ativista a dois anos de prisão por um vídeo que ela postou nas redes sociais criticando o governo por não proteger mulheres contra assédio sexual e por condições extremas de pobreza, disse seu advogado. 

Amal Fathy integra o agora proibido movimento de juventude "6 de Abril", que desempenhou um papel nos protestos de 2011 que forçaram a queda do então presidente Hosni Mubarak. Ela também recebeu uma multa de 10 mil libras egípcias (equivalente a 562 dólares), segundo seu advogado Tarek Abuel Nasr e a agência estatal de notícias MENA. 

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A ativista foi acusada de espalhar notícias falsas que ameaçaram a segurança nacional e de disseminar um vídeo que violava a decência pública. Ela também enfrenta outras acusações, inclusive a de participar de um grupo ilegal. 

"Isso é injustiça, não é justificado e é incompreensível. Nós disponibilizamos todas as evidências para provar que ela não espalhou notícias falsas", disse seu marido, Mohamed Lofty, um ativista de direitos humanos e diretor executivo da Comissão Egípcia para Direitos e Liberdades (ECRF)

"Quando uma mulher sofre assédio sexual e é condenada a dois anos e multada, isso quer dizer que estamos dizendo a todas as mulheres egípcias 'calem a boca, se não quiserem ser presas'".

Autoridades do governo não estavam disponíveis imediatamente para comentários. 

Fathy entrará com recurso contra a decisão, disse seu advogado. 

Grupos de direitos criticam repetidamente a situação egípcia em relação aos direitos humanos, dizendo que as condições continuaram se deteriorando sob o governo do presidente Abdel Fattah al-Sisi, que chegou ao poder em 2013 depois que o exército depôs o presidente islamista Mohamed Morsi na esteira de protestos contra seu governo. 

Na sexta-feira, dezessete especialistas em direitos humanos da ONU criticaram o Egito pelo uso das leis anti-terrorismo para deter ativistas que lutam pelos direitos da mulher, contra a corrupção, a tortura e mortes extra-judiciais. 

Fathy foi detida em maio, dias após ter postado um vídeo de 12 minutos no qual ela expressava sua raiva diante de serviços públicos deficientes em um banco local, trânsito pesado, assédio sexual de um taxista e uma deterioração geral das condições de vida. 

Na época, uma fonte de segurança disse que Fathy havia sido detida por uma denúncia de que havia insultado o Estado egípcio através de uma publicação ofensiva em uma rede social. 

O Egito aprovou uma lei em julho dando ao Estado poderes para bloquear contas em redes sociais e penalizar jornalistas que publiquem notícias falsas. 

*Reportagem adicional de Mohamed Abdellah e Ahmed Tolba

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