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"Tremidão do Pará": extrato de jambu aumenta sensibilidade e prazer no sexo

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Mark Cardoso

Colaboração para Universa

2019-06-22T04:00:00

22/06/2019 04h00

O Pará tem cultura muito própria, geografia peculiar, gastronomia autoral e aquela música que só podia ser filha do Grão-Pará -- coisa dos tempos em que apenas as ondas das rádios caribenhas chegavam até a amazônica Belém. O que acabou dando origem ao carimbó, o siriá e os ritmos mais folclóricos que surgem dessa mistura indígena com o merengue, a cúmbia e até o zouk.

Uma 'dissidência pop' e mais contemporânea de todo esse mix de referências é Dona Onete, uma senhora que, aos 80 anos, tem exportado o remelexo e o bate-saia tão paraenses para o resto do Brasil. Ou vai dizer que você ainda não ouviu falar que "o jambu treme"?

"Eu fiz a música sem pretensão de tanta coisa. Porque o jambu já estava no tacacá, no tucupi, como eu falo na música... eu não sabia que ia chegar a esse ponto", gargalha Dona Onete, muito moderna, via mensagem de áudio, no WhatsApp. "Mas graças a Deus, o jambu estourou. Hoje tem tanta coisa de jambu que até eu me admiro como é que uma simples planta ficou tão famosa como o nosso açaí. Um engorda e dá força, mas o outro faz tremer."

Então, "se você quiser saber o que a jamburana faz", é simples: erva típica do Norte brasileiro, o jambu é mais conhecido como ingrediente culinário. Principalmente, no preparo do tucupi, molho paraense feito da mandioca brava. Outro uso popular da erva é a cachaça, que deixa a boca e a garganta de quem bebe "tremendo". Mas o que ninguém tinha pensado, até então, eram as possibilidades sexuais que todo esse tremor poderia gerar. Até que...

Arquivo Pessoal
Tatiana explica que o extrato, ao ser borrifado nas “partes íntimas”, produz sensações estimulantes, além de gerar retardo de ejaculação e maior lubrificação natural Imagem: Arquivo Pessoal

Em meio a crise dos 40 e uma baixa no mercado de arquitetura da capital paraense, Tatiana Sinimbu observou no boom da cachaça de jambu novas possibilidades. "Ronaldo Fraga (o estilista) e outros amigos sempre me pediam jambu. Fosse a flor, fosse a erva. E eu comecei a pensar em uma forma disso chegar inteiro até as pessoas, sem (a flor) despedaçar", lembra. Enquanto arquiteta, ela rodou todo o estado do Pará, acompanhando obras de escolas públicas. Com isso, constantemente convidada a "tomar uma cozinha" na casa das pessoas, pôde conhecer diferentes tipos da cachaça.

Já como pesquisadora da UFPA (Universidade Federal do Pará), influenciada por toda essa vivência, Tatiana acabou chegando a uma conserva de flores de jambu. "Descobri que aquele tremor do jambu tem grande concentração na flor, no broto, que é carregada de sensações. Com a conserva, você consegue preparar risoto, temperar salada e até fazer molho pesto". O passo seguinte foi desenvolver uma cachaça da erva que fosse menos agressiva que as do mercado. Curiosamente, a família Sinimbu produz cachaça. Tatiana só chegou com a nova proposta, que incluía a elegância do perfume de cumaru, uma árvore amazônica.

"O tremor do jambu é gostoso demais"

A coisa ficou boa -- e trêmula -- quando Tatiana foi a uma festa de Ronaldo Fraga, em Belo Horizonte (MG). "Ele me fez uma nova provocação: como envolver o jambu no sexo". Foi aí que a arquiteta correu de volta para a prancheta e foi conversar com as famosas erveiras do mercado Ver-O-Peso. "Na academia (UFPA), pesquisei muito e cheguei ao spray Tremidão da Sinimbu", conta. Ronaldo, além de padrinho da ideia, assina a arte do rótulo.

Em um evento da Daspu, em São Paulo, uma prostituta de uns 75 anos sentou ao meu lado e disse: 'minha filha, eu fico chateada porque meu marido é muito rápido. Será que isso aí pode ajudar?'", conta Tatiana Sinimbu

A criadora do Tremidão explica que o extrato, ao ser borrifado nas "partes íntimas", produz sensações estimulantes, além de gerar retardo de ejaculação e maior lubrificação natural. A sabedoria popular paraense parece já saber disso há alguns anos: um século atrás, a sogra da Dona Onete, que era parteira no interior, já usava um unguento da erva como espécie de anestésico e lubrificante natural, durante os partos.

Lorena Rodrigues, paraense de 36 anos, revela uma "experiência sensorial" com o extrato da flor da erva no sexo. "É um barato o entorpecimento que ele provoca na língua. Faz uma mistura de formigamento, dormência, junto com muita salivação dentro da boca. E lá embaixo, o efeito é suavemente eletrizante." Quem também adorou a experiência foi Vinícius Teixeira, publicitário paulistano de 33 anos: "joguei o spray na cabeça do pênis e foi bem doido. A sensibilidade fica mais intensa, principalmente no orgasmo e no pós."

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

De acordo com a ginecologista e sexóloga Érika Mendonça das Neves, que se formou pela UFPA e hoje é doutoranda na USP (Universidade de São Paulo), o poderoso líquido e seus "choquinhos" são frutos do efeito do espilantol, principal princípio ativo presente no jambu. "Descritos como 'gel com efeito de vibração', esses cosméticos de uso genital tiram proveito da sensação de tremelique e do poder afrodisíaco da erva, o qual tem sido observado e descrito há anos." Érika conta que o extrato de jambu tem despertado interesse da classe médica com promessa de efeito anti-idade, além de doar seus efeitos sensoriais para estimular a excitação de homens e mulheres.

"O que ainda precisamos observar são as reações individuais e alergias. Minha recomendação principal é reduzir ao máximo a permanência do produto na mucosa da vagina, principalmente. Oriento que se aplique apenas na região da vulva (lábios internos e externos) e na glande peniana, com massagens para a absorção. Esses passos podem anteceder a penetração, como uma preliminar, minimizando a interação do princípio ativo com a flora bacteriana vaginal", acrescenta a médica.