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Mês do Orgulho LGBTQ+


Homem denuncia agressão por homofobia em feira LGBTQ+, dias antes da Parada

Marcello Camargo/Arquivo/Agência Brasil/Agência Brasil
Jovem estava envolto em bandeira LGBTQ+ quando foi abordado por seguranças Imagem: Marcello Camargo/Arquivo/Agência Brasil/Agência Brasil

Camila Brunelli

Coleboração para Universa

2019-06-21T18:18:12

21/06/2019 18h18

Em pleno Mês do Orgulho LGBTQ+, e três dias antes da maior Parada do Orgulho LGBTQ+ do mundo, o vendedor Rafael Tavares, de 25 anos, foi agredido por seguranças de um dos eventos temáticos da semana da diversidade -- e, segundo ele, por homofobia.

O jovem disse à Universa que chegou na feira, na Praça da República, centro de São Paulo, por volta das 13h. Almoçou e comprou uma bandeira com as cores LGBTQ+, que colocou sobre o corpo. "Por volta das 15h, dois seguranças me abordaram e pediram para que eu os acompanhasse até uma tenda. Pensei que fosse alguma revista mais detalhada, porque estava com a bandeira sobre o corpo todo", disse o jovem. "Assim que entrei na tenda, eles começaram a me acusar: pegaram um RG e um cartão de crédito e perguntaram para mim e para o casal que estava lá dentro quem tinha roubados aqueles documentos."

Embora ele seguisse repetindo que era trabalhador para os seguranças, se voltaram a outro casal gay que estava na tenda: 'se não foi você, então foram vocês', eles diziam, segundo relatou Tavares. "Nessa hora eles começaram a ofender a mim e aos meninos que estavam lá e dar tapa na nossa cara. Me jogaram no chão, eu caí em cima de algumas mochilas que estavam lá. Me mandaram levantar e falavam: 'vira homem!'. Me chamaram de puto e de viado, também. Tinham cerca de oito segurança lá, mas apenas dois nos agrediram - um homem e uma mulher."

Ameaça com faca

Um dos seguranças, então, ameaçou os jovens, com uma faca que ele portava. A vítima conseguiu gravar: "se eu pegar vocês pisando, mijando fora do penico, vou cortar com a faca no meio. Está entendendo o que estou falando? Estou sendo bem claro?"

A presidente da APOGLBT SP, a organizadora da 19ª Feira Cultural LGBT - e da 23ª parada - Claudia Garcia, disse à reportagem da Universa que estavam ocorrendo muitos arrastões durante a feira, e que o casal que já estava na tenda havia acusado Tavares. "Já pedimos um relatório ao chefe da segurança e ele está apurando porque não foi investigado da maneira adequada."

Em nota, a APOGLBT SP, afirmou que está buscando informações: "estamos verificando os fatos e que os responsáveis serão punidos. Até o momento, não sabemos se os seguranças são contratados pela ONG ou outra pessoa uniformizada presente no local. Pelo áudio gravado, iremos localizar a pessoa o mais rápido possível."

Ainda segundo a nota, "por se tratar de uma Feira LGBT e de uma ONG LGBT, nossa equipe é muito bem preparada para tratar com respeito toda a diversidade LGBTI+. Inclusive, essa feira existe há 19 anos e nunca -- em todos esses anos -- tivemos qualquer problema deste tipo."

Lesão corporal e ameaça

Depois das agressões dentro da tenda, os seguranças mandaram que os jovens saíssem correndo. Já na estação Santa Cecília do Metrô, mas ainda muito abalado com o acontecido e chorando muito, foi abordado por uma mulher que o levou na delegacia mais próxima, a 77° DP, mas não conseguiu registrar o boletim de ocorrência porque não havia delegado. Assim foi também no 3° DP. Apenas no 2° DP, No Bom Retiro, ele conseguiu registrar o boletim de ocorrência. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de SP, a ocorrência foi registrada como lesão corporal e ameaça. Rafael disse que nem pensou em registrar como crime de ódio: "na hora do desespero eu nem pensei, eu estava muito abalado." A vítima confirmou que os policiais civis também não cogitaram essa tipificação.

Quando questionado se achava que as agressões tinham sido pelo fato de ele ser gay, ele disse que sim. "Porque não tinha outro motivo. Eles me ofenderam, me chamaram de puto, de viado", disse o jovem.

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