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Camila Coelho: "Pensam que a gente tem uma vida maravilhosa. E tenho mesmo"

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Elisa Soupin

Colaboração para Universa

2019-06-20T04:00:00

20/06/2019 04h00

Quando a reportagem entrou no quarto do Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, a mineira Camila Coelho tinha os olhos grudados no computador, acompanhando as vendas de sua primeira coleção de roupas, lançada nessa quarta-feira, dia 19, com a marca americana Revolve.

No Brasil para o lançamento, a blogueira, que é muito falante, olha nos olhos e mistura português e inglês na mesma frase, bateu um papo com Universa sobre beleza, moda, fama e séries -- por que não?

Aos 31 anos, Camila é uma das mais importantes influenciadoras do país. Está no YouTube desde 2010 e foi a primeira influenciadora do mundo a assinar uma coleção de batons com a francesa Lancôme, marca da gigante de cosméticos L'Oréal. Com sua marca de roupas, ela busca traduzir seu estilo, acompanhado por 8 milhões de pessoas no Instagram. As peças, disponíveis no site da Revolve, custam entre R$ 416 e R$ 1.148 -- e o estoque de algumas delas se esgotou em poucas horas. Agora, Camila lançará uma nova coleção por mês, sempre com 40 peças.

Ela conta que cuidou de cada etapa da coleção e está até de mudança de Boston para Los Angeles para ficar mais perto da empresa e facilitar o trabalho com a sua nova marca.

"Quando crio um produto colocando meu nome, sempre quero que tenha 100% a minha cara, para ficar como eu quero e também para as pessoas me reconhecerem naquele produto. Eu estou amando o processo. As reuniões de design levam no mínimo cinco horas e eu nem sinto passar. Amo levar minhas inspirações, aprovar os desenhos, os tecidos. Quando chega, eu provo em mim mesma e nas modelos cada peça, avalio cada coisinha. Para essa primeira coleção, o Brasil foi uma grande inspiração. Cores, estampas, pensadas pro meu próprio estilo", conta. A marca tem uma modelagem que vai do PPP ao GG e Camila pretende, em breve, aumentar ainda mais a grade de tamanhos.

"Acho que a Camila Coelho Girl é uma mulher diversa. Tem uma chance grande de aumentarmos a grade. Quero todo mundo usando minha marca, independente de se a pessoa é mais magrelinha ou mais cheinha. Quero que todo mundo sinta que a marca é para ela. São roupas perfeitas para levar para férias tropicais, mas também tem peças que você consegue usar no escritório, em uma reunião mais arrumadinha, peças para usar em uma festa. É uma coleção que mostra mais pele, bem brincalhona, feminina e sexy. Imagino mulheres diferentes, tons de pele diferentes, cabelos diferentes e corpos diferentes vestindo essas roupas."

Reprodução
Imagem: Reprodução

Quando questionada sobre a única peça da coleção que ela salvaria se sua casa estivesse pegando fogo, Camila riu e escolheu uma calça amarela de R$ 763,31.

"Amo essa calça, dá pra usar com uma camiseta, uma camisa branca, um topzinho em cima. Vou ficar arrumada para várias ocasiões", diz.

Influenciadora hoje x dez anos atrás

Quando Camila começou no YouTube fazendo tutoriais de maquiagem, a oferta desse tipo de conteúdo era infinitamente menor do que a que existe hoje na plataforma. Um ponto que, segundo a influenciadora, pode ser positivo ou negativo para quem está começando agora. "Tem duas formas de olhar. Começar no momento que eu comecei foi bem difícil porque ser influenciadora não era uma carreira, a gente não era respeitada e teve que provar que estava fazendo algo sério. Respeito muito essas meninas que começaram na época que eu comecei e continuaram, porque sei que elas passaram por rejeição, assim como eu passei. Hoje, já existe muito mais a noção da importância desse trabalho. Mas começar hoje também é complicado porque o mercado tá muito saturado. Todo mundo é influenciador, não precisa ter canal ou blog ", diz.

Nesse momento de saturação, o segredo, acredita, está em olhar mais para dentro, e menos para fora. Tentar não se influenciar pelo que todo mundo está fazendo, para manter a criatividade. "Ser sempre quem você é e trabalhar duro, não deixar que os obstáculos te façam desistir. Eu tive uma época bem no começo em que quis desistir. Fazer vídeo dava muito trabalho e poucas visualizações naquele início. Meu marido (Ícaro Brenner, que trabalha com ela) me falou para não parar, porque via que eu gostava muito. Se não fosse isso, talvez eu tivesse parado. Então não desista. Seja real com seus seguidores. Fale dos produtos que você realmente gosta", opina.

Como escolher uma #publi

Camila garante que já recusou muitas propostas de parceria e publicidade, mesmo no começo da carreira. Hoje é ainda mais seleta e faz muita questão de realmente gostar do produto e estar alinhada com as marcas antes de vinculá-las à sua imagem."Preciso usar por, pelo menos, uma semana para testar. Meu time já sabe: sempre preciso testar. Se eu já conheço o produto, fica mais simples. Mas preciso olhar o briefing. Quanto mais natural e orgânico, melhor o resultado. Mas tem muita marca que quer o produto na cara da pessoa ou falar de assuntos muito técnicos que não têm a ver com meu público. Para mim, tem que incluir o produto no meu lifestyle e falar do meu jeito. Muitas vezes, eu falo de um produto que eu não estou sendo paga para falar, simplesmente porque eu gosto e porque eu acho que a leitora vai gostar. Às vezes, a marca quer uma coisa muito forçada, um texto forçado. Nesses casos, fica parecendo que você só está falando daquilo porque está sendo paga. Eu já falei não para situações assim. Já me arrependi de ter feito algumas publicidades, olhar depois e pensar que não precisava ter feito aquilo. Hoje, acho mais legal trabalhar com menos marcas que você ama, a fazer muitas ações com mil marcas que às vezes não tem tanto a ver."

Nem sempre vale a pena ver de novo

O que era moda há quase dez anos pode ser considerado bem cafona hoje. Por isso, Camila conta, rindo, que procura nem ver seus vídeos antigos no YouTube.

"Nossa! Nem olho meu YouTube, Meu Deus! E eu nunca deletei nada, talvez tivesse que ter apagado. Amor, eu não sabia me maquiar, não fazia nada direito. Fazia um cachinho que parecia aquela coisa de anjinho! Esfumado colorido, superforte. Mas acho que são épocas, né? Seu estilo vai mudando, o seu gosto muda. As pessoas entendem também que o tempo passou, mas não me arrependo de nada. Foi aquilo que fez eu me destacar naquela época, faz parte da minha história", diz ela, que tinha feito a própria make para a entrevista. "Eu amo me maquiar. Maquiador para mim é mais para grandes eventos, tapete vermelho. No dia a dia, festa, eu mesma faço, acho terapêutico."

Longe das polêmicas, perto do público

Camila conta que prefere evitar certos temas que considera polêmicos, pela imensa responsabilidade que sente em falar para oito milhões de pessoas.

"Quando eu não me sinto totalmente segura, tento não abordar. Não adianta se posicionar e depois não falar mais sobre o assunto. Política, por exemplo, não abordo. Às vezes, as pessoas cobram muito de mim que eu fale, por ser brasileira, mas acho melhor não. Converso muito sobre isso, meu marido lê muito, adora, mas não falo publicamente. Sobre os LGBTQs, eu já costumo falar mais, porque é uma causa que apoio e defendo", diz ela.

E dá para acompanhar de perto todos os comentários? "Não consigo olhar tudo, mas sempre olho pelo menos os top comments. Tenho uma pessoa na minha equipe que olha todo o feedback do blog (o "Super Vaidosa"), YouTube e Instagram e, na sexta-feira, me manda o que as pessoas mais querem ver, do que as pessoas mais estão gostando ou não, feedback positivo e negativo, para eu poder me manter mais conectada com o público.

A vida sem filtro

Camila conta que se preocupa com a forma como as pessoas podem ser negativamente impactadas quando acompanham vida de blogueiras e influenciadoras, sempre pintadas como perfeitas.

"Eu falo sobre isso às vezes, sobre estar triste, mal. A vida que eu vivo hoje é uma vida que parece ser de mentira, porque é maravilhoso viajar, ganhar um monte de coisas de marcas que você ama. Por outro lado, tem muito trabalho, pressão, responsabilidade por trás, estar muito tempo fora de casa. Eu estive muito mal há dois anos por não ter tempo para a minha vida e para as pessoas que eu amo. Tento não ficar falando disso demais, porque as pessoas pensam que a gente tem uma vida maravilhosa, e a gente tem mesmo. Não acho justo ficar reclamando muito porque parece que não estou sendo grata, mas é importante dizer que nem sempre tudo são mil maravilhas. Acho ruim que as gerações mais novas vejam vidas perfeitas nas rede sociais, que ficam deprimidas, tristes. E não é tudo lindo o tempo todo, rola muita insegurança, a expectativa das pessoas é imensa, a gente tem TPM, tem dias que se acha feia, é tudo normal", garante.

Os gostos além de moda e beleza

Se é tudo normal, vamos então conversar sobre as coisas corriqueiras da vida, aquelas que quem não tem milhões de seguidores também fazem.

Quais seus três canais preferidos no YouTube?
Amo a Bianca Andrade, ela é uma menina que começou lá embaixo e eu acho que ela construiu algo muito incrível. Jen Atkin, uma haisstylist que faz muito conteúdo legal, adoro o canal dela. E adoro a Dedi Perkins"

A última coisa muito gostosa que você comeu:
"Pão de queijo! Mas isso eu tô comendo o tempo todo aqui. Acho que a panquequinha de morango que comi aqui no hotel de manhã, maravilhosa."

Último filme que você viu:
"Aquaman", vi no avião vindo pra cá. Amei, que cara gato."

Último livro:
"Tem tempo que não leio. O último foi 'Fora de série'."

Séries que vê...
"Vejo muitas! Tô arrasada que ´Game of Thrones´ terminou, era minha preferida. Odiei o final, não queria que a khaleesi morresse e queria o Jon no trono. Amo 'La Casa de Papel', 'House of Cards' e 'Big Little Lies', mas não vou assistir ainda, vou esperar acabar pra ver tudo de uma vez só. Eu e meu marido amamos série, no nosso time off, é o que gostamos de fazer".