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Mês do Orgulho LGBTQ+


Coral gay luta pela visibilidade LGBTQ+ na Coreia do Sul

Manchul Kim/HuffPost US
O coral gay coreano G-Voice Imagem: Manchul Kim/HuffPost US

da Universa

2019-06-17T12:09:45

17/06/2019 12h09

Com o KPop cada vez mais ganhando o mundo, um novo grupo está chamando atenção na Coreia do Sul. O G-Voice é um coral formado inteiramente por homens gays que luta por representatividade LGBTQ+ na música coreana.

Fundado em 2003, o grupo é descrito como o "KPop dos direitos humanos". Nas composições, além de músicas tradicional do folclore local, eles também falam sobre a experiência de ser gay na Coreia. Não existe proteção para os LGBTQ+ no país e a discriminação segue por todo o território. Até 2003, a homossexualidade era classificada como errada e obscena na lei coreana.

Um festival de cultura queer em Seul em 2018 atraiu 120 mil pessoas, mas foi marcado por violentos protestos quando um grupo cristão antigay invadiu o evento e agrediu participantes, sem que a polícia interferisse. "Algumas pessoas querem nos apagar da sociedade. Mas estamos aqui e precisamos ser vistos", disse Kang Myeong-jin, organizador do festival, ao jornal The Korea JoongAng Daily, na época.

Um dos fundadores do G-Voice é o cineasta e ativista dos direitos humanos Kim Jho Gawng-soo, uma das únicas celebridades assumidas na Coreia do Sul. O casamento igualitário ainda é ilegal no país, mas Kim Jho se casou numa cerimônia simbólica com seu marido Kim Seung-kwan em 2013. O casamento, que contou com uma performance do coral, foi interrompido quando um homem invadiu o palco e atirou fezes e comida contra os cantores, dizendo que Deus tinha o orientado.

"G-Voice foi a primeira comunidade gay que eu tive. Se eu não tivesse me juntado ao grupo, o meu eu atual não existiria. Foi uma jornada para me encontrar", conta Owen, um dos cantores, que não revela seu verdadeiro nome, pois não se assumiu publicamente ainda.

Eui-seok está no coral há 10 anos, quando ainda tinha acabado de entrar na faculdade. "Naquele tempo, eu tinha muitos conflitos sobre minha identidade e não tinha amigos LGBT. Mas depois de assistir e participar do G-Voice, eu ganhei muito mais confiança", relembra. "É como ir a igreja porque você encontra sua comunidade", completa.

"Começamos a escrever nossas músicas para contar as histórias que desejávamos", revela Jeon, outro membro do grupo. Algumas das faixas, lançadas no primeiro disco do G-Voice em março, são bastante explícitas nas mensagens que carregam como "Confession" (confissão) e "Open the Closet" (abra o armário). O coral é apoiado por organizações coreanas de direitos humanos. "Os conservadores são nossos inimigos em comum, então isso nos une", conclui Jeon.

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