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Filmeterapia: 8 produções que podem ajudar a resolver dilemas amorosos

Heloísa Noronha

Colaboração para Universa

2019-06-16T04:00:00

16/06/2019 04h00

A arte é uma poderosa ferramenta de autoconhecimento e, principalmente no que diz respeito à ficção, ajuda a encontrar respostas --ou caminhos-- para lidar com certos conflitos.

São muitos os filmes que falam de amor, mas alguns têm o poder de auxiliar a enfrentar certos problemas e a sair de impasses. Veja 8 bons exemplos para ajudar a superar dilemas amorosos:

"A Arte de Amar" (2017)

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Eryk Lubos e Magdalena Boczarska no filme "A Arte de Amar" Imagem: Divulgação

Baseado na história real da ginecologista polonesa Michalina Wislocka (1921-2005), o filme dirigido por Maria Sadowska oferece inúmeras lições de vida que podem ser saboreadas conforme o momento pelo qual você está passando. Em pleno regime comunista em seu país, nos anos 1970, Michalina luta contra a censura e os padrões da sociedade para publicar um livro sobre sexualidade --cujo título é igual ao do longa--, que vai de encontro com todos os padrões vigentes, principalmente os ligados ao prazer feminino e à submissão da mulher ao homem. Apesar das dificuldades, a obra gera controvérsia na Polônia. A busca por viver a própria sexualidade de maneira mais plena, um dos conflitos com os quais muitas mulheres vão se identificar, permeou toda a vida na médica, que só encontrou na maturidade o amor e o prazer.

"Comer, Rezar, Amar" (2010)

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Javier Bardem e Julia Roberts em cena de "Comer, Rezar, Amar" Imagem: Divulgação

Embora não seja tão simples colocar uma mochila nas costas e sair viajando em busca de autoconhecimento, o filme estrelado por Julia Roberts revela um ensinamento básico que todo o mundo deveria aplicar na própria vida: enquanto você não aprender a se amar e a encarar a vida com entusiasmo, dificilmente um relacionamento dará certo. Baseado no best-seller autobiográfico de Elizabeth Gilbert, o longa mostra a busca de Liz para entender melhor a si mesma em cenários como Itália, Índia e Bali, mas, no fim das contas, é o que ela aprende com as pessoas que encontra pelo caminho que vão fazer toda a diferença e operar as transformações que tanto almejava.

"Boyhood" (2014)

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Patricia Arquette e Ellar Coltrane em cena de "Boyhood: Da Infância à Juventude" Imagem: Divulgação

Há quem ame e há quem odeie "Boyhood", mas é praticamente impossível ficar indiferente a um enredo tão simples em sua concepção e que merece ser assistido (e revisto) com cuidado e boa vontade. Sabe aquele tipo de filme que faz bem ver quando as coisas parecem meio sem sentido, sem graça, sem perspectiva? "Boyhood" não as torna fantásticas, mas belas. É como disse John Lennon (1940-1980): "A vida é o que acontece enquanto você está fazendo outros planos". O filme, que demorou 12 anos para ficar pronto, trata da vida de Mason (Ellar Coltrane) da infância até o início da juventude: suas brincadeiras, seus passeios, suas conversas (ou a falta delas) com os pais separados. Tudo de forma natural, com uma trilha sonora recheada de músicas pop, como "Yellow", do Coldplay. Em dado momento, ao ver o filho como um homem feito e se dar conta de tudo o que representou a maternidade até então, sua mãe, Olivia (Patricia Arquette), pergunta algo como: "Então é só isso?". É justamente aí que está todo o encanto.

"Aquarius" (2016)

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Irandhir Santos e Sonia Braga em cena de "Aquarius" Imagem: Reprodução

O filme dirigido pelo brasileiro Kleber Mendonça Filho trata da memória e da tradição, mas não num sentido conservador, e, sim, como exaltação da experiência. A história toca em diversos pontos sensíveis, mas, para as mulheres, principalmente as mais maduras, mostra que viver sozinha é bem diferente de ser solitária. A viúva Clara (Sonia Braga) é feliz quando está com as amigas falando besteira e ao lado da família revirando álbuns antigos de fotografia. Sente-se em paz tomando vinho e lendo um bom livro, deitada em sua varanda sem companhia. Quando surge uma chance de fazer sexo casual, acaba rejeitada pelo parceiro, incomodado com a ausência de um seio devido a uma mastectomia. A personagem fica chateada, obviamente, mas se coloca responsável pelos próprios sentimentos e afugenta a tristeza cantando e dançando só pelo apartamento ao som de "Fat Botommed Girls", do Queen.

"A Proposta" (2009)

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Ryan Reynolds e Sandra Bullock em "A Proposta" Imagem: Divulgação

A comédia romântica dirigida por Anne Fletcher vai além daquela fórmula batida da historinha do homem e da mulher que se odeiam, mas descobrem que se amam e, depois de um mal-entendido, acabam ficando juntos no final. Você sabe o que vai acontecer o tempo todo, mas isso não impede de curtir o caminho. E o dilema amoroso, no caso, é a tentativa de se blindar das emoções e mergulhar fundo num trabalho que ama. Margaret (Sandra Bullock) é uma editora de livros competentíssima, mas que faz da vida de todos ao redor um inferno para evitar simpatias, amizades, afeições, enfim, qualquer coisa que a torne mais humana. Ao tentar evitar a dor, Margaret só causa uma dor ainda maior a si mesma e aos demais. Quando precisa forjar um noivado com Andrey (Ryan Reynolds) e conhece sua família amorosa, acaba entrando em contato com o motivo de tanta autossabotagem e finalmente pode se libertar.

"Como Nossos Pais" (2017)

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Paulo Vilhena e Maria Ribeiro em cena de "Como Nossos Pais" Imagem: Divulgação

Sob direção de Laís Bodanzky, o filme aborda uma fase marcada por uma série de conflitos pessoais na vida de Rosa (Maria Ribeiro), 38 anos, que tem de lidar com um segredo chocante lançado pela mãe. Em uma das cenas com o marido, Eduardo (Paulo Vilhena), a personagem encena um clássico dilema presente em muitos lares e relacionamentos --mas sobre o qual poucas pessoas falam. Até por isso a sequência é extremamente útil no sentido de despertar identificação e dar o exemplo. Farta das cobranças do parceiro, que quer uma vida sexual mais ativa e gostaria que ela fosse mais animada, Rosa manda a real: é difícil entrar no clima e gozar à noite, depois encarar um longo dia cheio de tarefas com as quais teve de lidar sozinha. E que, se ele compartilhasse várias dessas atividades com ela, certamente Rosa sentiria mais interesse e disposição em transar.

"Juntos pelo Acaso" (2010)

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Katherine Heigl em "Juntos Pelo Acaso" Imagem: Divulgação

Órfã por conta de um acidente fatal que vitimou os pais, a bebê Sophie é entregue aos cuidados dos padrinhos, Holly (Katherine Heigl) e Eric (Josh Duhamel). Os dois se odeiam, mas unem forças pelo bem da criança. É claro que a antipatia mútua descamba para o amor, mas não é essa a parte da história de onde dá para extrair algum aprendizado. "Juntos pelo Acaso" serve como aconchego para as mães, principalmente as de crianças pequenas, que sentem um misto de estranhamento e culpa pelas demandas exaustivas e infinitas da maternidade. Os esforços da dupla, sobretudo de Holly, provam que o amor materno é uma construção social e que, independentemente dos tropeços, as boas intenções moldam os resultados das atitudes. No fim, seguir tentando e fazer o melhor possível com as condições disponíveis, é o que importa.

"Felicidade por um Fio" (2018)

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Sanaa Lathan protagoniza o filme "Felicidade por um Fio" Imagem: Divulgação

Nessa elogiada produção da Netflix baseada no primeiro volume de uma série de livros da autora Trisha R. Thomas, Violet Jones (Sanaa Lathan) é uma publicitária bem-sucedida e controladora que acredita ter uma vida perfeita. Por trás da organização meticulosa e de sua rotina impecável, porém, esconde-se uma mulher negra envergonhada de seu cabelo, de suas raízes e de sua essência. Ao sofrer uma enorme desilusão, Violet decide encarar um processo de autoaceitação que passa não só pela aparência, mas pela imagem que quer ter de si mesma.