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Sexo na gravidez: o que ninguém te conta

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Há posições que são incômodas no sexo durante a gravidez Imagem: Getty Images/iStockphoto

Heloísa Noronha

Colaboração para Universa

2019-06-14T04:00:00

14/06/2019 04h00

A gestação é uma fase de várias transformações para a mulher, sob o ponto de vista físico, fisiológico e psíquico, que podem impactar diretamente na qualidade da vida sexual. Para encarar esse período com segurança e tranquilidade, é importante tomar conhecimento de algumas alterações e de certas novidades que podem surgir.

Papai-mamãe, por ironia, é a posição mais incômoda

Desde que não haja nenhuma contraindicação por parte do obstetra sobre evitar o sexo --sob o risco de aborto ou parto prematuro--, todas as posições podem ser praticadas pelo casal. "No terceiro trimestre, a barriga atrapalha um pouco, então, a preferência das gestantes é transar de lado ou mesmo de quatro, porque assim a mulher conta com quatro apoios, das mãos e dos joelhos. É comum as grávidas respirarem com mais dificuldade quando a barriga está maior, já que o bebê comprime um pouco o diafragma, então, vale primar pelo conforto", explica a ginecologista, obstetra e mastologista Mariana Rosario, membro do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Conforme se dá a progressão da gravidez, o aumento abdominal pode dificultar algumas posições --principalmente a papai-mamãe. Posições em que a mulher fica deitada, de barriga para cima podem ser mais desconfortáveis a partir do segundo trimestre, devido à diminuição de fluxo causada pela compressão de vasos importantes pelo peso abdominal.

Cuidados pré e pós-sexo são fundamentais

Por conta das alterações hormonais, a imunidade fica mais baixa. Com isso, a gestante sofre maior risco de ter infecção urinária. "Inclusive, se for uma gestante com histórico de repetidas infecções urinárias, pode ser necessário que ela faça uso de medicação antibiótica de forma profilática antes das relações", avisa o ginecologista e obstetra Roberto de Azevedo Antunes, diretor da Sgorj (Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de Rio de Janeiro).

Algumas medidas preventivas podem ajudar, como tomar bastante água ao longo do dia, não ficar muito tempo sem fazer xixi e esvaziar a bexiga antes e após o sexo. "A utilização de preservativo e a higienização da vagina após a relação também são cuidados cabíveis. Não é bom utilizar duchas vaginais, pois elas retiram a proteção natural da região e prejudicam a imunidade que o próprio organismo cria como defesa", fala Fernanda Okita, ginecologista e obstetra do Hospital Santa Cruz, em São Paulo.

Pode sair líquido dos seios durante a transa

Antes de as mamães começarem a produção do leite materno, a fabricação de colostro --uma espécie de pré-leite, que já conta com proteínas benéficas para o bebês-- se inicia a todo vapor. Em algumas mulheres, ele só surge depois do parto. Para outras, porém, o líquido dá as caras já no segundo trimestre.

De acordo com Fernanda, fatores como o uso de medicamentos, tabagismo e, principalmente, estímulos do parceiro, como carícias e o ato de sugar, podem provocar a liberação do líquido. Nesse caso, o que acontece é que a ocitocina, um dos hormônios responsáveis pela amamentação, é também liberado em situações de prazer.

Se houver desconforto com a situação, a mulher pode permanecer de sutiã durante a transa e usar absorventes. Não há nenhum problema, porém, em dar uma conotação erótica à situação --desde que, é claro, ambos estejam confortáveis com as circunstâncias.

Num dia você quer transar; no outro tudo o que o homem faz irrita

"Costumo brincar que a gestação é uma TPM de nove meses, por causa dos hormônios. Então, há dias em que a gestante está mais irritada", diz Mariana. Esse nervosismo, obviamente, acaba sendo direcionado ao parceiro, pelo vínculo, pela intimidade e pela maior convivência. Porém, é comum acontecer uma diminuição da libido no primeiro trimestre, decorrente da ansiedade, além de maior frequência de dores pélvicas, cansaço, enjoos e mal-estar --sintomas que não combinam muito com a vontade de fazer sexo.

"Já o segundo trimestre é marcado pela normalização ou até pelo aumento do desejo sexual. Conforme a gravidez progride, a tendência do terceiro trimestre é de diminuição da frequência, de menor satisfação sexual e de maior desconforto pélvico, mas isso varia de mulher para mulher", observa Fernanda.

Sangramentos são comuns, mas merecem atenção

Sangramentos em pequena quantidade podem ocorrer após a relação sexual ou no dia seguinte devido à maior sensibilidade do cérvix e à irritação local. Na grande maioria das vezes, o colo do útero está muito cheio de vasos sanguíneos durante a gestação. Assim, alterações locais, o contato do pênis com o colo do útero e/ou as próprias contrações do orgasmo causam o sangramento.

"Apesar disso, não há evidências de que ter relações sexuais na gravidez provoque abortos. A maior parte é decorrente de alterações na formação fetal", informa Fernanda. A ginecologista explica que o sintoma de sangramento vaginal na gravidez é comum e muitas vezes benigno, mas também pode ser um sinal de aborto espontâneo, gravidez ectópica e parto prematuro, entre outros.

"Todo sangramento, por menor e mais discreto que seja, deve ser comunicado ao obstetra e acompanhado por ultrassom para descartar a hipótese de um possível problema. Não é preciso ter medo de praticar sexo por conta disso, porque a parcela de mulheres que sangra é muito pequena. Mas, se sangrar, precisa acompanhar", pontua Mariana.

O orgasmo é perigoso em situações específicas

O ápice do orgasmo pode produzir muita ocitocina, então, surge uma contração. Se a mulher tiver um descolamento de placenta ou um quadro que favoreça parto prematuro, a contração e a dilatação do útero podem evoluir para um parto prematuro, mas apenas nessas situações.

"Por isso, o casal tem que ser orientado por um obstetra. É o médico que dirá se o sexo é ou não permitido. Diante de um caso de descolação ovular, que ocorre no comecinho da gravidez, por exemplo, e que pode causar aborto ou sangramento, o sexo fica suspenso. O mesmo acontece quando o colo do útero está fino e a mulher sente contração", diz Mariana.

Dores podem ocorrer

É importante que o casal se reinvente na cama e vá encontrando as posições sexuais mais confortáveis ao longo das diferentes fases da gravidez. "O desconforto decorre principalmente do aumento do útero. Obviamente, o bom senso deve prevalecer sempre, posições que gerem compressão do útero, principalmente no terceiro trimestre, devem ser evitadas, pois podem gerar um maior incômodo para a grávida", pondera Roberto.

"Quando o bebê também está muito baixo, com a cabecinha bem encaixada, a penetração pode causar dor à mãe", fala Mariana. O feto, no entanto, está bem protegido e não sente nenhuma aflição durante o sexo. Em alguns casos, a dor vem da lubrificação prejudicada, então o ideal é utilizar um lubrificante à base de água nas relações.

DRs sexuais serão necessárias durante o tempo

Por ser uma fase de diversas mudanças, físicas e psicológicas, a comunicação entre o casal precisa ser mais clara, assertiva e efetiva do que nunca, principalmente em assuntos ligados ao sexo. É um período em que discutir o relacionamento significa pensar em novas alternativas na cama, entender que nem sempre transar envolve penetração, conversar sobre inseguranças e compartilhar dúvidas e preocupações.

Ao abrir o jogo honestamente com o par, tudo pode fluir melhor. Trata-se de um momento único na vida de um casal e que pode e deve ser vivido plenamente.