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Mês do Orgulho LGBTQ+


Além do arco-íris: conheça as outras bandeiras do Orgulho LGBTQ+

Marcello Camargo/Arquivo/Agência Brasil/Agência Brasil
A bandeira LGBTQ+ não é a única Imagem: Marcello Camargo/Arquivo/Agência Brasil/Agência Brasil

Jacqueline Elise

Da Universa

2019-06-14T04:00:00

14/06/2019 04h00

A bandeira do arco-íris é amplamente conhecida como o símbolo do movimento LGBTQ+, mas sabia que ela não é a única? Cada uma dessas letrinhas possui uma bandeira e cores que as representam. Mas por que isso acontece?

"Em um primeiro momento, o movimento ficou conhecido como movimento gay, dos homens homossexuais, porque era o predominante. Com o tempo, as outras identidades não se sentiam representadas o suficiente, a ponto de ter até uma inversão na sigla: antes GLBT, ela se tornou LGBT [em 2008]", explica Maria Berenice Dias, advogada especializada em Direito Homoafetivo e presidente da Comissão Especial da Diversidade Sexual do Conselho Federal da OAB.

Ela conta que, além da questão da representatividade, os outros membros da sigla também têm pautas próprias que, com os holofotes voltados somente ao movimento gay, por vezes, passam batido. "Todos os movimentos e grupos sociais têm suas divergências, e esse não é diferente. Criar bandeiras novas simboliza a demarcação dos próprios espaços", diz. Por isso a criação de bandeiras diferentes e coloridas, cada cor com seu significado.

Veja quais são algumas das bandeiras que compõem o movimento LGBTQ+:

Orgulho homossexual

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

A tradicional bandeira arco-íris foi criada em 1978 pelo ativista gay Gilbert Barker. Em entrevista à rádio canadense CBC, em 2015, Barker contou que a primeira peça tinha oito cores: rosa, vermelho, laranja, amarelo, verde, turquesa, azul e roxo. A bandeira foi criada como uma resposta ao triângulo rosa que era usado para marcar gays ou presumidamente homossexuais capturados por nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. As cores rosa e turquesa foram tiradas da bandeira quando ela começou a ser produzida em larga escala. Ambas não faziam parte da paleta de cores tradicional das fábricas.

Hoje, a bandeira é vista como símbolo geral do movimento LGBTQ+.

Orgulho lésbico

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto
Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Existem duas bandeiras usadas pelo movimento de mulheres lésbicas: a roxa com um triângulo preto no meio e um lábris, o machado de lâmina dupla, dentro; e a que tem uma faixa branca ao centro e listras com variações de vermelho e rosa. A primeira foi criada em 1999 pelo designer gráfico Sean Campbell e publicada em 2000 pelo jornal "The Gay and Lesbian Times", de San Diego, na Califórnia. A segunda, mais recente, surgiu no blog "This Lesbian Life" em 2010 e foi criada por mulheres lésbicas com uma expressão de gênero mais feminina, e que se sentiam excluídas. Nenhuma das duas bandeiras é tida como a oficial do movimento.

Orgulho bissexual

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Criada em 1998 pelo ativista Michael Page, a bandeira do orgulho bissexual é representada por três cores: rosa, roxo e azul. Ao site "Mashable", ele definiu o significado: "A cor rosa representa atração sexual apenas pelo mesmo sexo (gay e lésbica). O azul, a atração sexual apenas pelo sexo oposto (em linha reta) e a roxa, a atração sexual por todas as possibilidades".

Orgulho transgênero

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Imagem: Getty Images

A bandeira do orgulho transgênero "nasceu" em 1999, criada pela ativista de diretos das pessoas trans Monica Helms. O símbolo apareceu pela primeira vez em 2000, na cidade de Phoenix, no Arizona. Em entrevista ao site "Huffington Post", em 2017, Helms definiu o significado das cores: "As listras azul claro representam a cor tradicional para bebês nascidos meninos. As rosa, para bebês nascidas meninas. A faixa branca é para pessoas que não são binárias, que não se sentem contempladas pelos dois gêneros".

Orgulho pansexual

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

De criador desconhecido, a bandeira do orgulho pansexual -- pessoas que não se atraem por nenhum gênero em particular, mas por pessoas em geral -- surgiu na internet nos anos 2010. A cor rosa representa as mulheres; azul, os homens; e o amarelo são pessoas que não se encaixam nesses dois gêneros (não-binários e sem gênero, por exemplo).

Orgulho não binário

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Pessoas não binárias não se identificam totalmente com o gênero masculino ou com o feminino. Em 2014, a bandeira foi criada pelo ativista Kye Rowan, à época, com 17 anos. A faixa amarela representa pessoas não binárias, a branca é para aqueles que se identificam com vários gêneros ao mesmo tempo, a roxa é para quem se define como uma mistura entre masculino e feminino, e a preta representa pessoas que não se identificam com gênero algum.

Orgulho intersexo

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Pessoas intersexo são aquelas que, ao nascer, não possuem características biológicas masculinas ou femininas definidas, ou que nasceram com ambos os sexos. A bandeira, criada em julho de 2013 pela entidade Intersex Human Rights Australia, é toda amarela -- cor definida para representar as pessoas intersexo -- com um círculo roxo ao centro. O círculo fechado representa completude: quem nasce intersexo é completo e não tem "partes faltando". A cor roxa, presente na maioria das bandeiras de orgulho LGBTQ+, significa luta.

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