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Direitos da mulher


Aos 16 anos, ela lançou uma petição para revogar lei antiaborto do Alabama

Cortesia de Jocelyn Wright
Jocelyn Wright Imagem: Cortesia de Jocelyn Wright

da Universa

2019-06-13T16:50:35

13/06/2019 16h50

Jocelyn Wright ainda não tem nem idade para votar nos Estados Unidos. Mas a garota de 16 anos não se contentou em aceitar calada que sua terra natal, o Alabama, aprovasse uma das mais rígidas leis antiaborto dos EUA. No estado, o aborto agora é proibido em qualquer estágio da gravidez e os médicos são criminalizados pelo procedimento. Há exceções para os casos que envolvem riscos para a saúde da mãe, mas não para estupro ou incesto.

Em entrevista ao "HuffPost", Jocelyn relembra que mandou uma mensagem a uma amiga quando soube da nova lei por meio das redes sociais. "Vi no Twitter que muitos atores e atrizes estavam se recusando a filmar na Geórgia como forma de protestar contra essa legislação. Então comecei a acompanhar mais de perto. Quando descobri que o Alabama estava prestes a aprovar uma proibição quase total do aborto, fiquei revoltada. Não achei que ela seria aprovada. Fiquei chocada quando descobri. Falei: 'Quero fazer alguma coisa, mas não sei o quê'", diz a garota. Sua amiga lhe enviou um link do Change.org e Jocelyn criou uma petição online.

"Como mulher jovem, perto da idade adulta, não posso tolerar essa violação dos direitos das mulheres, cidadãs deste país", dizia a petição. "Peço aos jovens como eu que tomem posição contra a AHLPA (sigla da Lei do Alabama de Proteção à Vida Humana). Podemos ainda não estar em idade de votar hoje, mas logo vamos estar encabeçando as eleições (e talvez concorrendo a cargos políticos também). Queremos que o Alabama saiba que não vamos tolerar este abuso absurdo de poder voltado contra a mulher e sua capacidade de decidir o que é feito de seu PRÓPRIO corpo INDEPENDENTE", concluía a mensagem.

O que começou pequeno de repente ganhou força. No final de maio, a petição de Jocelyn já tinha mais de 43 mil assinaturas. A garota nunca havia participado de um movimento tão numeroso. "Nunca participei diretamente, mas dei o maior apoio à Marcha pelas Nossas
Vidas (protesto estudantil de 2018 pedindo leis contra armas de fogo). Não consegui participar de nenhum dos eventos, mas sempre acompanho essas coisas", revela.

"Acho que, para mim e meus pares -- como não podemos votar --, o que realmente revolta é o fato de o Legislativo do Alabama estar querendo controlar o que eu vou poder fazer com meu sistema reprodutivo, sem que eu tenha direito de opinar sobre o assunto. Quando eu ficar mais velha, não vou querer viver sabendo que não vou ter controle sobre meu próprio corpo. Essa é uma escolha que eu deveria poder fazer por mim mesma. Somos um país tão desenvolvido. Não faz sentido que as mulheres não tenham direito a um aborto seguro hoje em dia. Esse é nosso direito constitucional. E acho chocante a governadora Ivey e nosso Legislativo estadual estarem tentando nos tirar esse direito", dispara Jocelyn.

Além da petição online, a garota já está organizando uma manifestação pública contra a lei do Alabama. "Vou comandar uma reunião para planejar um protesto sobre a questão do aborto. Queremos organizar uma manifestação em Montgomery (capital do estado)", diz. "Torço para a governadora Ivey reconhecer esta petição, que ela veja quantos jovens estão contra o que ela está fazendo e o que o governo do Alabama está fazendo. E torço muito para a lei ser revogada ou derrotada nos tribunais de primeira instância, antes mesmo de chegar à Suprema Corte", conclui.