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Minas nos games: garotas poderão desenvolver jogos em programa do Google

Arquivo Pessoal
A desenvolvedora de games Kaol Porfírio, 32, acredita que presença feminina tornará campo mais criativo Imagem: Arquivo Pessoal

Natália Eiras

Da Universa

2019-06-06T10:00:00

06/06/2019 10h00

A ilustradora e desenvolvedora de jogos Kaol Porfírio, 32, de Araranguá (SP), entrou para a faculdade de designer de games em 2011 e se acostumou, desde então, a ser minoria nesse mercado de trabalho.

"Na minha primeira sala de aula, haviam 40 alunos e apenas duas meninas. Em outra faculdade que cursei, eram mais de 50 pessoas e três mulheres", narra à Universa. Segundo dados da Pesquisa Game Brasil, as garotas representam 58,9% dos brasileiros que jogam games eletrônicos, mas são apenas 13% dos candidatos a vagas de desenvolvedor. "Seguiu assim por um tempo, mas as coisas estão mudando."

Iniciativa para mudar esse cenário

Para transformar o cenário, o Google anunciou nesta quinta-feira (6) que está trazendo para o Brasil o Desafio Change the Game. As inscrições estão abertas pelo site oficial do programa. O concurso vai premiar as melhores ideias de games de garotas de 15 a 21 anos. Serão duas jovens mulheres premiadas, uma de escola pública e outra de instituição privada, que terão os conceitos produzidos e lançados no Google Play em janeiro de 2020. Outras 500 participantes ganharão 16 cursos de 144 horas de aulas online sobre programação.

Segundo a diretora de marketing do Google Brasil, Maia Mau, a iniciativa faz parte de um esforço da empresa em diminuir a lacuna entre homens e mulheres no mercado de tecnologia. "Queremos fornecer experiências significativas para inspirar as jovens mulheres a seguir uma carreira em ciência, tecnologia, engenharia e matemática, aproveitando uma de suas paixões, o de jogar videogame", fala a executiva. "Elas estão tão imersas, tanto quanto os homens, neste mundo de jogos e podem também atuar em uma área onde, atualmente, são minoria."

Kaol Porfírio vai lançar, no dia 5 de julho, o jogo Exodemon em plataforma de compras de games. Porém, ela percebeu que garotas não são incentivadas a se interessar por videogame tanto em sua vida pessoal como trabalhando naquilo que ama. "Até parece ficção, mas uma vez fui a um evento em que deixamos o nosso jogo para demonstração e, quando uma menina se aproximou do nosso stand, ela ficou muito impressionada por eu oferecer o controle para jogar. Ela disse: 'Nossa, mas em casa só o meu irmão pode'", narra. "Eu mesma tive que insistir muito para ganhar um videogame, porque até então minha família achava que era coisa 'menino'".

Maia diz que a ideia de trazer o Desafio Change the Game surgiu após o Google perceber que o mercado brasileiro de videogame, apesar de crescente, era dominado majoritariamente por homens. "Iniciamos uma série de discussões internas e percebemos que, em muitas casos, a mulheres que optaram pela carreira em tecnologia o fizeram por terem um modelo masculino que já havia trilhado esse caminho. Caso contrário, elas nem teriam ouvido falar dessa possibilidade", fala a diretora de marketing.

Kaol concorda. "A gente cresce ganhando brinquedos de cuidados para a casa, sendo que a gente pode sim fazer programação, ciência da computação", afirma. A desenvolvedora de games acredita que iniciativas para aumentar a presença feminina na criação de jogos eletrônicos pode levar a inovação ao mercado. "Quanto mais pessoas com contextos e vivências diferentes, mais criativo vai ficar esse campo. O mundo dos games só tem a ganhar com mais mulheres no desenvolvimento." Por isso, ela não consegue entender como ainda existe empresas que fazem questão de não contratar mulheres. "Elas estão perdendo a oportunidade de ampliar a visão sobre aquilo que está criando."