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Sexgame: testei o app de jogo erótico para ver se o sexo melhora de verdade

Getty Images/iStockphoto
Aplicativo propõe desafios sexuais para fazer a dois ou em grupo Imagem: Getty Images/iStockphoto

Jacqueline Elise

Da Universa

2019-05-15T04:00:00

15/05/2019 04h00

Os primeiros jogos eróticos dos quais me lembro são aqueles de sex shop. O mais comum deles era um dado com posições do Kama Sutra para imitar; outro era um kit com dois dadinhos que sugeriam as ações (beijar, chupar, lamber etc.) e em qual parte do corpo ela deveria ser praticada (boca, perna, barriga...). Eu não jogava, pois morria de vergonha --o que torna irônico o fato de, atualmente, eu escrever tanto sobre sexo.

Os dadinhos "migraram" para o celular e tudo o que você precisa para engatar a sacanagem é de um aplicativo. Um deles, o Sexgame (que na Apple Store aparece com o nome "Jogo de sexo para adultos"), tem se popularizado por aí. Mas descobri que existem outros, cada um com sua proposta: jogo safado de "verdade ou desafio", sugestões de posições sexuais e por aí vai. Resolvi testar o Sexgame. Propus ao meu namorado, que vou chamar aqui de L, para ver se a gente descobriria alguma coisa nova. Vai que...

Sexgame

Escolhemos o Sexgame. A interface é bem simples e limpa: primeiro, você adiciona os nomes jogadores (dois ou mais!), o gênero de cada um e a orientação sexual. Antes de começar, o game pede para que você defina que tipo de categorias de desafios estão permitidos: "anal", "oral", "pesado", "preliminares" e "submissão". Você também pode acrescentar sugestões, caso queira. Optamos por deixar todas as opções habilitadas e configuramos o app para que pudéssemos alterar os níveis de sacanagem manualmente (eles vão de 1 a 5 e você pode programar para que o app sorteie o grau por você).

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Imagem: Reprodução
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Testamos, também, para ver se a sexualidade interfere no jogo e fomos trocando: começamos nos colocando como bissexuais (pensamos que haveria uma variedade maior de desafios), depois como héteros e, por fim, gays. A dois, não fez a menor diferença, o que nos levou a crer que essa informação só é relevante se a brincadeira for em grupo.

Nível 1

São brincadeiras bem leves e, concluímos neste estudo nada científico, meio entediantes. "Jacque: beijo sexy no L por um minuto", "L: massagem na Jacque". Beijar o corpo, morder a bunda, acariciar o clitóris, dar uma palmada são alguns dos exemplos. Mas tudo parecia muito protocolar e encontramos primeiro empecilho: é esquisito parar o que você está fazendo para voltar ao celular e passar para o próximo desafio.

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Nível 2

Aqui, as carícias ficam mais sensuais. "Chupe o dedo de Jacque eroticamente", "Faça um strip-tease para L". Aí esbarramos com os problemas de linguagem: percebemos que o app é traduzido do inglês ao pé da letra quando apareceu a frase "Sopre o pênis de L": imaginamos que a versão original dizia "Blow L's penis", que seria, na verdade, "Chupe o pênis de L", em português. Outro problema é a forma como são escritas as sugestões: tudo é muito formal e há alguns erros gramaticais. Ainda estávamos sem vontade de fazer o que o app propunha, mas talvez porque a curiosidade em saber o que era o tal desafio "pesado" era maior. Descobrimos assim que passamos de fase.

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Nível 3

Aqui a coisa ficou interessante: o app introduziu desafios diretamente do mundo sadomasoquista e mandou o L me chicotear logo de cara (mas tinha, novamente, um erro de tradução na frase). Para nós, foi uma surpresa positiva: achei que isso seria assunto só para o nível 5, mas já no 3 misturou BDSM, penetração com os dedos, masturbação com os pés e beijo grego. O salto na temática dos desafios foi engraçado por essa diferença de intensidade ter sido tão abrupta, e ficamos empolgados para saber o que estava por vir.

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Nível 4

O experimento ficou mais subjetivo: o Sexgame começou a sugerir que a gente fizesse "o que quisesse" um com o outro; com um de nós amarrado ou não, a sugestão do app era que um obedecesse o outro por cinco minutos. Foi nessa fase que começaram os joguinhos de dominação e submissão, dando continuidade às brincadeiras BDSM do nível anterior. Tem bastante espaço para mexer no mundo dos fetiches nesse jogo, achei bacana.

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Nível 5

É agora que ele introduz as "ordens" que envolvem sexo e penetração. E, infelizmente, demos de cara com o problema da linguagem outra vez: "Faça amor estilo papai-e-mamãe". "Faça amor"? A expressão foi mais engraçada do que estimulante. Mas tem coisas interessantes --um dos desafios era fazer o outro gozar em dez minutos, e a forma de como chegar ao objetivo fica a seu critério. Para quem é competitivo, pode ser legal. Ele também sugere posições (cachorrinho e vaqueira foram algumas delas), mas nada muito complexo. Uma pena que as sugestões do app acabam depois de pouco tempo, obrigando o casal (ou a turma) a repetir as ações.

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Outros jogos

Por curiosidade, também baixamos mais dois aplicativos que estavam disponíveis, o "Jogo para Casal" e o "Dados Eróticos". O primeiro funciona melhor em grupo, pois ele nada mais é do que uma brincadeira de "verdade ou desafio". O problema é que, para que a brincadeira fique mais interessante, tem que pagar --os valores oscilam entre R$ 14,90 e R$ 34,90. Na versão grátis, há menos brincadeiras e não tão excitantes --como o próprio app admite. Desistimos. O segundo é exatamente o que o nome sugere: é a versão online dos dadinhos de sex shop: um dado indica uma ação e o outro a parte do corpo. E o palavreado é ainda mais formal e brochante: "Acariciar ventre selvaticamente" é uma delas. Não dá nem vontade de continuar depois dessa.

Muita formalidade para pouca diversão

No final, eu e o L concluímos que esses apps funcionam melhor quando você quer transar com alguém que você conhece pouco ou em grupo --todos dão opções de acrescentar mais pessoas à lista de jogadores. Mas, quando se está em casal e quando os dois conhecem muito bem, como no nosso caso, tudo parece muito burocrático: é esquisito parar tudo que está fazendo para alcançar o telefone e trocar de tarefa, o que corta o clima rapidinho e não dá vontade de seguir em frente.

Dos três, o Sexgame me pareceu o mais fácil de mexer e o mais diverso nas sugestões, considerando que usei todos na versão gratuita. E, apesar das críticas, tiveram momentos legais: não aproveitamos tanto, mas rimos bastante e foi uma boa surpresa ver que os fetiches entraram na brincadeira --inicialmente, achávamos que seria tudo mais "baunilha", ou seja, sem sugestões mais pesadas, e que cairia no tédio logo. Talvez eu já tenha feito tanta matéria sobre sexo que fiquei pouco impressionada, mas vale a experiência.

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