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Violência contra a mulher


Padrasto é suspeito de matar adolescente por não aceitar término com a mãe

Getty Images/iStockphoto
Adolescente de 14 anos é morta; suspeito não teria aceitado fim do relacionamento Imagem: Getty Images/iStockphoto

Luiza Souto

Da Universa

2019-05-03T15:03:26

03/05/2019 15h03

A polícia de Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo, procura o vidraceiro Paulo Evandro Roque da Silva após sua ex-enteada ter sido encontrada morta na casa dela, na segunda-feira (29). Ele é o principal suspeito do crime, e o caso é tratado como feminicídio, segundo o delegado que apura os fatos.

Paulo Evandro morou com a mãe da garota, de 14 anos, por uma década, no bairro Jardim das Gaivotas. O relacionamento dos dois, porém, era conturbado, e ele chegou a agredir a ex-companheira, segundo seu relato à Universa. A adolescente, inclusive, interferiu numa briga entre a mãe e o então padrasto, de acordo com a funcionária pública Priscila Reis Gabriel, de 36 anos.

"Nós discutimos e ele veio para cima de mim, então minha filha foi para cima dele. Ele sempre reclamava dela, dizia que nossa separação foi por causa dela", lembra a mãe da vítima.

Os dois terminaram em fevereiro último. Segundo Priscila, ele não aceitava o fim do relacionamento. No sábado, o suspeito foi até sua casa tentar reatar e chegou a danificar seu carro após uma discussão. Ao perceber que não conseguiria voltar para sua família, ele teria dito que a ex ainda sofreria muito.

"Ele quebrou meu carro e tentou pular meu muro. Disse ainda que faria coisa pior. Minha filha estava na casa de uma das irmãs dela e só voltou para casa no domingo à noite. Deixei-a dormindo e saí. Na segunda, quando chamei para ir à escola, percebi que ela não levantava. Peguei na mão dela e já estava gelada, morta, na cama", conta a mãe. Priscila aponta o ex como o responsável pelo crime. Ela espalhou a imagem do suspeito em suas redes sociais.

Reprodução/Facebook
Paulo Evandro é suspeito de matar a enteada Imagem: Reprodução/Facebook

O corpo da adolescente não apresentava marcas de violência sexual. O delegado Leandro Reis, da Delegacia da Mulher, afirmou que o laudo preliminar apontou afundamento no peito, provocado possivelmente por um forte chute ou soco. Esse afundamento, explicou ele, sufocou a vítima. Ela também não tinha lesões externas no corpo, como machucados e arranhões.

"O crime teria ocorrido no domingo à noite, porque foi quando o suspeito chegou em casa falando para o filho dele, de 26 anos, que fez uma besteira. Em depoimento, esse filho contou que o pai lhe pediu R$ 100, pegou uma trouxa de roupa e foi embora. Ainda não conseguimos ouvi-lo, mas temos elementos para pedir sua prisão preventiva", informou o delegado, antes de completar:

"Esse crime se enquadraria como feminicídio, porque ele se relacionou com a mãe da vítima e foi padrasto dela por dez anos, e a teria matado por vingança, pela condição de ser mulher."

Paulo Evandro ainda não foi localizado para prestar depoimento.

Priscila tem ainda mais três filhas, duas delas casadas, e uma caçula, de 12 anos, de outro relacionamento. A vítima cursava o nono ano do Ensino Fundamental. Junto com a mãe, estava programando sua festa de 15 anos para dezembro. Ainda não tinha escolhido o curso que faria na faculdade, mas adorava fazer aulas de dança de rua.

"Ela estava fazendo tudo de que gostava. Agora vou entregar a casa. Não quero ficar mais lá", indica Priscila.