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Mães e filhos


Mães e filhos

Elas ficaram grávidas naturalmente aos 45 e 50 anos. Quais são os riscos?

Arquivo pessoal
Luciana Lopes engravidou aos 45 anos Imagem: Arquivo pessoal

Luiza Souto

Da Universa

2019-04-19T04:00:00

19/04/2019 04h00

A psicóloga Julia Menezes Fonseca foi mãe pela primeira vez no ano passado. Com o menino tentando chamar sua atenção enquanto fala ao telefone, a recifense diz que "tem cortado um dobrado", mas está curtindo a fase: aos 51 anos e amamentando, está aprendendo muito com o "danadinho" do Thallyson.

Júlia foi casada por 17 anos, mas nunca pensou em ter um filho. Seu então marido era vasectomizado e ela dedicou sua vida aos estudos e ao trabalho. Em 2009, porém, ficou viúva. O companheiro teve câncer no pâncreas e ela decidiu não mais se casar:

"Tive namorados, e achei improvável engravidar. Mas quando me relacionei sem camisinha, por vias as dúvidas, tomei a pílula do dia seguinte.

Apresentei uns sintomas, passei mal, e achei ser a menopausa. Quando procurei o médico, descobri que estava com quase três meses de gravidez"

As pernas de Julia, lembra ela, tremiam tanto que a impediram de ficar em pé por alguns instantes. Mas a psicóloga garante que não era de medo:

"É porque a notícia foi uma surpresa, porque não esperava que fosse acontecer a essa altura da vida. Fiquei mais assustada do que o meu namorado. Ele encarou super bem. Achei que ele ia correr", ri ao lembrar.

Por causa da idade, ela passou por uma bateria de exames -- até para detectar trombofilia e pressão alta. O parto aconteceu quando Julia completou 36 semanas, após precisar se internar por suspeita de pré-eclâmpsia. A pressão arterial chegou a 21 por 19 (ela é considerada boa quando o valor de medição fica na faixa de 12 por 8). Ela teve ainda diabetes gestacional.

Mas o bebê nasceu saudável, de parto cesárea, "bem lindo e gordinho", descreve a mamãe. Para não acontecer uma nova surpresa, passou ainda por uma laqueadura.

O corpo, lembra Julia, parece ainda estar voltando para o lugar, e o cansaço "é enorme", aponta ela, mas o namorado, de 28 anos, e a família dele estão juntos. A mãe, comemora, nunca está só com Thallyson.

"Achei que estava entrando na menopausa"

A menstruação da designer Luciana Lopes Ramos, de 47 anos, estava desregulada. Na época, saiu com uma pessoa com quem já tinha ficado outras vezes e, por isso, não se preocupou com preservativo. Após ficar três meses sem sangrar, foi orientada por uma amiga a procurar um médico. A suspeita era mioma. Hoje, Lorenzo tem 1 ano e 10 meses.

Arquivo pessoal
Luciana Lopes com o filho Lorenzo Imagem: Arquivo pessoal

"A médica perguntou se eu não estava grávida. Respondi: 'Não tem a menor chance'. Ela passou então vários exames. Quando fiz a ultrassonografia, já estava de 16 semanas. De um menino. Fiquei tão sem chão que saí dali para a mamografia sem me tocar de que não podia. A sorte é que comentei com a profissional na sala sobre o que tinha acabado de descobrir e ela não me deixou realizar o exame. Eu estava desnorteada", relembra Luciana, que nunca se programou para a maternidade.

Ela conta que a gravidez seguiu sem apresentar qualquer problema no quadro de saúde da mãe e do bebê.

"Mas morri de medo, porque como descobri a gravidez tarde, perdi o ultrassom com translucência nucal, que indica se há risco de o bebê ter síndrome de Down ou alguma outra síndrome", frisa Luciana, que não entrou na menopausa.

Passei toda a gravidez com a pulga atrás da orelha, mas o Lorenzo nasceu super saudável

Casos são menos de 1%

A ginecologista e obstetra Dayana Couto, especialista em reprodução humana pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), diz que são raros os casos de gravidez neste período da vida. E altas as chances de o bebê nascer com uma síndrome também. Ela explica: "No fim da nossa vida reprodutiva, sobram os piores óvulos. E não tem muito o que fazer para melhorar a qualidade deles".

Fora isso, são maiores as chances de pressão alta e diabete gestacional para a mãe, conforme aconteceu com Julia.

"Mas tudo depende da saúde da mulher. Algumas estão ótimas aos 40, enquanto a de 30 tem diabetes, por exemplo", frisa a especialista.