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Quem é o homem que pode ser o 1º presidente gay dos EUA

The Washington Post/Getty Images
Pete Buttigieg: pré-candidato democrata usa sua narrativa pessoal para ganhar popularidade Imagem: The Washington Post/Getty Images

Camila Brandalise

Da Universa

2019-04-16T04:00:00

16/04/2019 04h00

Pete Buttigieg, 37, é o novo nome cotado para a corrida presidencial dos Estados Unidos. E que nome difícil, não? Pela dificuldade em pronunciá-lo (o correto é "bure-djédje)", prefere ser chamado por "prefeito Pete", cargo que ocupa na cidade de South Bend, no estado de Indiana.

Ele anunciou oficialmente sua pré-candidatura no domingo (14) e já é um dos mais queridos entre a esquerda norte-americana. Buttigieg ocupa o terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto do partido Democrata, atrás dos veteranos Joe Biden e Bernie Sanders.

Mas de onde vem tanta popularidade? Cristão e casado com o professor de teatro e humanidades Chasten Buttigieg, ele não só defende pautas progressistas como as vivencia. Pede que a Igreja olhe pelas minorias e defende publicamente, em seus discursos, os direitos da população LGBT.

Também pesa nessa conta o bom uso de suas redes sociais, onde segue uma fórmula de sucesso, a da narrativa pessoal. Tem 853 mil seguidores no Twitter e 281 mil no Instagram. Costuma declarar seu amor pelo marido, postar fotos dos dois em passeios, em casa e brincando com os dois cachorros do casal, que também têm conta no Twitter (com 56 mil seguidores, mais do que a maioria de nós).

Tornar pública sua intimidade tem ajudado o pré-candidato a ficar conhecido: seu índice de popularidade pulou de zero, em janeiro, para 11%, em março, de acordo com um levantamento dentro do Partido Democrata.

Conheça algumas das peculiaridades da vida do prefeito Pete, o candidato que pode ser tornar o primeiro presidente gay dos Estados Unidos:

Ele assumiu a homossexualidade em 2015 e é casado desde 2018

Pete e Chasten namoram desde 2015, são casados desde 2018 e moram na vizinhança em que o prefeito cresceu com os cães Truman e Buddy.

Quando cumpria o segundo mandato como prefeito, em 2015, escreveu um artigo para o jornal local "South Bend Tribune" falando sobre sua orientação sexual, intitulado "Por que Sair do Armário Importa".

No texto, ele diz: "Colocar algo tão pessoal nas páginas de um jornal não é fácil. Mas é evidente, para mim, que em um momento como esse, ser mais aberto sobre esse assunto é bom. Para um estudante lutando contra sua sexualidade, pode ajudar um prefeito gay passar a mensagem de que sempre haverá espaço para você".

É cristão e frequenta uma igreja anglicana

Buttigieg é seguidor da igreja anglicana, religião cristã criada na Inglaterra, e frequenta os cultos da catedral de sua cidade.

Ele costuma atacar, ainda que sutilmente, as críticas vindas de religiosos mais conservadores por ser gay --há anglicanos ortodoxos que se posicionam publicamente contra o casamento de pessoas do mesmo gênero. Em um discurso, afirmou que seu casamento o tornou um homem melhor e que "me deixou mais perto de Deus".

Em uma entrevista recente, criticou o vice-presidente Mike Pence, dizendo que sua visão da religião é diferente da dele. "Para mim, a Bíblia ensina a proteger o estranho, o prisioneiro, o pobre. Ele deixou de acreditar nas Escrituras quando passou a acreditar em Donald Trump."

Fala oito línguas, toca piano, já fez show e se apresentou com orquestra

Durante uma apresentação do cantor Ben Folds na cidade de South Bend, em 2015, Buttigieg subiu ao palco e o acompanhou no piano. Já era prefeito nessa época. Também já tocou com a Orquestra Sinfônica de South Bend, sua cidade, como solista convidado. Além do talento para a música, é poliglota: fala oito línguas.

Depois do primeiro mandato, serviu o Exército americano no Afeganistão

Em 2014, foi enviado ao Afeganistão, onde ficou por sete meses servindo a Marinha americana. Costuma ressaltar seu comprometimento com as Forças Armadas e seu orgulho por ser veterano de guerra, o que, nos Estados Unidos, é algo bastante valorizado na trajetória de uma pessoa pública.

Ainda que pose com armas, se diz contrário ao armamento da população. "Armas como essa não têm função nas mãos de civis", escreveu na legenda da foto acima.

Falar de sua experiência se reverteu positivamente: ao se candidatar novamente para o cargo de prefeito, em 2015, foi eleito com 80% dos votos. Se eleito presidente, será o primeiro ex-soldado de guerra a ocupar o cargo.


É defensor da proteção a LGBTs e do direito ao aborto

A narrativa pessoal de Buttigieg conta muito para sua popularidade. E é por isso que ele fala tantas vezes sobre seu casamento. Ao comentar sobre seu apoio aos direitos LGBT, cita, mais uma vez, sua união. "Só sou casado por causa de um único voto na Suprema Corte americana", afirmou, em referência à votação de que acabou em 5 a 4, em 2015, autorizando a união homoafetiva.

Ele também defende a criação de uma lei federal para aumentar a proteção de LGBTs contra discriminação. "Precisamos acabar com a guerra contra os trans americanos", afirmou.

Ainda sobre o tema gênero, Buttigieg é a favor da equidade entre homens e mulheres e acredita que, para tanto, é preciso garantir "liberdade reprodutiva" às cidadãs americanas, ou seja, o direito ao aborto. Seu posicionamento em relação ao tema tem feito do prefeito um alvo de diversos grupos identificados como pró-vida e, para evitar polêmica, ele tem evitado usar a palavra aborto em suas falas.