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Grife italiana é acusada de apropriação de roupas étnicas do Laos

Traditional Arts and Ethnology Centre/Reprodução Facebook
Max Mara Imagem: Traditional Arts and Ethnology Centre/Reprodução Facebook

Da Universa

2019-04-12T14:15:34

12/04/2019 14h15

A grife italiana Max Mara está sendo acusada de copiar desenhos de roupas de uma comunidade no Laos sem reverter nenhum dinheiro ou dar algum crédito às artesãs locais. De acordo com o Centro de Artes e Etnologia Tradicional (TAEC), localizado em Luang Prabang, no Laos, os designs são originários de Oma, uma comunidade rural com menos de 2 mil habitantes.

"Vamos ser claros, esses designs não são 'inspirados' ou 'uma interpretação' de temas Oma; eles são copiados. A cor, composição e motivos são réplicas exatas, então, além de ser um design preguiçoso e não original, também é plágio direto", escrevem em comunicado.

"O desequilíbrio de poder aqui não poderia ser mais gritante - uma grife de moda internacional tirando proveito dos projetos tradicionais de artesãs de minorias étnicas no sudeste rural da Ásia. Reconhecer e compensar financeiramente os artesãos por seu trabalho e criatividade, não importa quem eles sejam e de onde vêm, é importante", finalizam, convocando internautas a pressionarem a marca nas redes sociais.

As peças, por sua vez, possuem preços bastante salgados. Um dos vestidos teria sido copiado aparece no site canadense da empresa por 935 dólares canadenses (equivalente a R$ 2.6000).

O grupo já havia comentado sobre a situação no dia 1 de abril, ao compartilhar imagens de uma vitrine onde as peças estavam expostas. "Particularmente chocante é que o padrão foi copiado como uma impressão, tirada de sua forma original e essencialmente duplicada para a coleção", escreveu o centro.

Desde então, o TAEC afirma ter enviado dezenas de e-mails para os representantes da empresa, mas só recebeu uma resposta na última quarta-feira (10) após as pressões nas redes. De acordo com eles, a empresa "não emitiu nenhum pedido de desculpas ou admitiu seu erro, simplesmente exigiu a cessação da campanha e, em seguida, ameaçou uma possível ação legal".

Uma petição online foi lançada pelo instituto nesta sexta-feira (12) com o intuito de pressionar a Max Mara. De acordo com a descrição, o propósito do grupo é pressionar a grife a "remover a linha de roupas de suas lojas e online, publicamente se comprometer a não plagiar projetos novamente, e doar 100% dos recursos já ganhos da venda dessas roupas para uma organização que defende os direitos de propriedade intelectual das minorias étnicas".