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Deputada mais jovem do país não se diz feminista, mas acredita em igualdade

Reprodução/Facebook
Luísa Canziani (PTB-PR) quer diálogo como presidente de comissão das mulheres em Brasília Imagem: Reprodução/Facebook

Marcos Candido

Da Universa

2019-03-26T04:00:00

26/03/2019 04h00

A deputada federal Luísa Canziani (PTB-PR) vai colar grau no próximo semestre e está feliz com o resultado do TCC. A empolgação soa como a de uma universitária em fim de curso, mas Canziani é a deputada federal mais jovem eleita do Brasil. Tem apenas 22 anos de idade. [Leia entrevista abaixo]

Em março, a estudante de Direito já foi eleita como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados, em Brasília. O papel dela é encontrar pontos em comum à direita e à esquerda para tratar de temas como violência contra a mulher e aborto.

"Não diria que há preconceito em relação à idade, mas existem paradigmas a serem quebrados", diz em entrevista à Universa.

Canziani é filha do ex-deputado federal Alex Canziani (PTB-PR), que não conseguiu ser eleito ao Senado nas eleições de outubro. Como o pai, frisa que sua principal bandeira é a educação.

Cleia Viana/Câmara dos Deputados
A deputada federal Luísa Canziani, presidente da comissão das mulheres em Brasília; mais jovem deputada no País, é estreante na Câmara e em cargo político Imagem: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Apesar do envolvimento com o tema, ainda não tem opinião formada sobre projetos como o "Escola sem "partido". Também não se diz feminista, mas que toda ajuda para incluir mais mulheres como ela na política é bem-vinda.

Além da herança familiar, a carreira na política foi costurada com participação de movimentos como o RenovaBR, cujo maior entusiasta é o apresentador Luciano Huck, e grupos suprapartidários como a Rede de Apoio à Sustentabilidade Política.

Qual seu projeto para as mulheres?

Na política, meu foco é a educação. Óbvio que há inúmeros problemas que devemos tratar na Câmara e na comissão. Não à toa, a cada sete segundos uma mulher sofre violência física no país. Vamos discutir feminicídio, violência doméstica e pautas fundamentais que jamais serão deixadas de lado na comissão, mas também quero falar de mulheres na educação, de empreendedorismo feminino e da inclusão de mulheres no campo das exatas e da ciência.

A comissão tem sido disputada por requerimentos de parlamentares à esquerda e também de propostas que prometem endurecer ainda mais leis que permitem o aborto no País. Como pretende equilibrar essas duas forças?

Meu projeto é construir consenso. Minha posição é equilibrada e minha linha ideológica é progressista, o que caminha neste sentido [do equilíbrio]. Nós vamos sentar com, inclusive, homens que estão participando ativamente da comissão. Vamos dialogar e criar uma agenda em prol das mulheres.

Você é a favor da ampliação ou revisão do direito à interrupção de gravidez?

Concordo com a legislação vigente. É a minha posição.

Mas você concorda que seja revisto para casos como o de estupro?

Em casos de estupro, não [concordo com a revisão].

A senhora se diz progressista. Também se diria feminista?

Todo movimento que busca a participação das mulheres nos mais variados espaços de poder é uma ajuda. Eu acredito na igualdade de direitos entre homens e mulheres.

Isso é um 'sim, sou feminista', ou um não?

Eu acredito na igualdade de direitos entre homens e mulheres

Você encontrou com a ministra Damares, do ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos?

Vou me encontrar esta semana como a ministra Damares. Tenho respeito a ela. O legislativo tem dois papéis: fiscalizar o executivo e de proposição. É muito importante que os dois poderes se relacionem para garantir o funcionamento de políticas públicas. Seja para novos e projetos consolidados.

Sua principal pauta é a educação. Você é favor do projeto Escola Sem Partido?

Estou em processo de conversar com a rede da educação do Paraná e do Brasil sobre a questão do Escola Sem Partido. O projeto foi arquivado e certamente vira à tona, mas estamos em um processo de estudar com educadores para então conseguirmos adotar um posicionamento sobre o assunto.

Mas você acredita que exista uma rede de doutrinação de esquerda nas escolas, como defendem apoiadores do projeto?

Como eu disse, dentro do tema do Escola Sem Partido esperamos audiências públicas e da comissão de educação para construir um posicionamento nesse sentido. Assim que o projeto chegar, vou me posicionar.

Luis Macedo / Câmara dos Deputados
Nascida em 1996 em família política, deputada foi eleita com 90 mil votos nas eleições de outubro Imagem: Luis Macedo / Câmara dos Deputados

Como surgiu a ideia de se tornar deputada?

Queria ter saído vereadora em minha cidade, Londrina (PR), mas quis terminar a faculdade [de direito]. Me candidatei à deputada e deu tudo certo. Falta uma matéria para eu terminar a faculdade, mas vou colar grau em junho. Estou planejando meu mestrado. A política, na minha visão, não pode ser o final de tudo para uma pessoa. Eu sonho em dar aulas. A minha vida política é paralela à minha vida profissional.

Você já sentiu preconceito por ser uma mulher?

Não diria preconceito, mas existem paradigmas a serem quebrados. Isso me estimula ainda mais a trabalhar e a me dedicar. Sempre digo que é importante ter representatividade das mais variadas possíveis, seja de setores sociais e faixas etárias, até para que a demanda de jovens e mulheres, cheguem à legislação e sejam transformadas em política pública.

Você já participou de campanhas contra o assédio no Carnaval. Você já sofreu assédio antes, durante ou depois de entrar na política?

Não, não sofri. Há alguns paradigmas a serem quebrados. Como eu disse: questionam o fato de eu ser jovem e mulher, mas sempre digo que é fundamental esse tipo de representatividade na casa para que nossas demandas tenham interesse e identificação dessas pessoas. Com isso, provo que uma mulher jovem é capaz de fazer um mandato que representa as pessoas.