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Sexo após a separação: falta ou excesso podem fazer parte da superação

Getty Images
Imagem: Getty Images

Carolina Prado e Simone Cunha

Colaboração para Universa

2019-03-15T04:00:00

15/03/2019 04h00

Após um relacionamento de cinco anos, Ana Ribeiro, 29 anos, artista plástica, passou por um período intenso de luto. "Só a ideia de beijar outra pessoa já me deixava desconfortável", diz. Durante sete meses, permaneceu mais introspectiva, sem vontade de ficar com ninguém. Quando surgiu um homem interessante e rolou o primeiro beijo na boca pós-separação, o sexo aconteceu naturalmente. Mas ela conta que essa primeira vez foi bem estranha

"Ao ficar muito tempo com alguém, a gente acostuma com o jeito, com o cheiro da pessoa. E, ao se envolver com outro, fica fazendo comparações, avaliando o que é melhor e o que é pior". Nessa fase, ela ainda estava se sentindo bastante vulnerável e insegura. Separada há um ano e meio, Ana continua solteira e diz que vivenciar o luto é essencial para curar a dor. "O luto é proporcional ao amor que era sentido, e o meu era gigante. O sexo passa por esse lugar do afeto, portanto, é natural querer dar um tempo", considera.

A psicóloga e sexóloga Carla Cecarello concorda, e afirma que não é errado querer ficar consigo mesma durante um período: "A relação pode ter gerado decepção, quando a pessoa sente que se doou demais e recebeu de menos, por exemplo. Então, ela acaba passando por uma fase em que não quer se empenhar para oferecer algo a uma outra pessoa".

De acordo com a terapeuta Sabrina Costa, especializada em questões ligadas ao amor e à separação, costuma ser muito positivo fazer essa pausa entre uma relação e outra: "E aqui estamos falando de ficar sem sexo por um tempo. Mas é importante que essa pessoa mantenha sua rotina, incluindo passeios, cursos e viagens, para minimizar a dor da perda". Sabrina diz que um intervalo de seis meses, aproximadamente, pode ser benéfico para refletir e recomeçar mais confiante. Se passar de um ano, no entanto, sem nenhum avanço, vale ficar alerta. "Aos poucos, é interessante se permitir ter alguém".

Excesso também pode ser uma fuga

A arquiteta Aline Coelho dos Santos, 42 anos, passou pelo fim de um relacionamento em agosto do ano passado. Ela estava casada há 17 anos e foi ele quem pediu o divórcio. "A rejeição acabou comigo, fiquei me sentindo péssima. Após um tempo, decidi sair para me distrair, conheci um homem que me elogiou e isso me fez muito bem, acabei indo para a cama com ele", conta. Ela diz que, nessa fase inicial, saiu com vários caras, mas percebeu que não conseguia se soltar. "Tinha relações, mas não aproveitava. Não sentia conexão e, sim, uma tremenda culpa. E sempre vinha um desejo de que eles fossem o meu ex".

Após esses encontros, acabou caindo a ficha de que não era um bom momento, ainda, para se relacionar. "Aquilo estava me fazendo mal. Gosto de sexo, mas decidi que não devia forçar a situação. Agora, quando sinto vontade, me resolvo sozinha. Estou dando um tempo", fala.

Para a terapeuta Claudya Toledo, autora com quatro livros publicados na área de relacionamento, tentar buscar refúgio em outras relações pode ser uma tentativa de dispersar a própria dor. "A pessoa pode querer sair em busca, para tentar manter o mesmo estilo de vida que tinha antes, porém, em geral, acaba se machucando. Recolher-se pode ser mais benéfico nesse período, para vivenciar o luto de forma equilibrada e consciente", avalia.

Autoconhecimento é fundamental

Momentos de perda também promovem aprendizado e podem ser ótimas oportunidades para rever crenças e até mesmo para definir o tipo de relacionamento que deseja viver dali em diante. "Essa é uma fase muito boa para buscar algo diferente, experimentar coisas novas e realizar fantasias", diz Carla. Nesse processo, muitos ajustes podem ser feitos, trazendo mais alegria e prazer nas relações futuras.

A administradora Julia Santiago, 32 anos, diz que a fase pós-separação foi dolorida, mas está colaborando para que ela se solte mais e supere algumas crenças limitantes. "Eu ficava pensando que, mesmo sendo divorciada, não deveria conhecer alguém e logo transar", comenta. Ela afirma que ainda estava amarrada a alguns pudores e que, com o tempo, isso foi ficando mais tranquilo.

No entanto, vivenciar o luto, depois de terminar um casamento de 12 anos, foi essencial para chegar ao ponto em que está hoje. "O luto é inevitável, afinal, fiquei com uma única pessoa por muitos anos, e só conhecia a ela sexualmente". Para Julia, esperar um tempo foi algo natural. "Fui retomando aos poucos, demorei para beijar na boca novamente e só me envolvi com alguém um ano depois, mas, mesmo assim, a primeira tentativa não deu muito certo", conta. Julia acredita que a fase que passou mais introspectiva a ajudou a descobrir o que realmente gostava, em todos os aspectos de uma relação. Ela continua sozinha, mas se sente pronta, após dois anos, para se relacionar novamente.