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Carreira e finanças


Carreira e finanças

Dá pra manter a harmonia em um ambiente competitivo? O BBB 19 acha que sim

Reprodução/GloboPlay
Elana e Isabella conversam após resultado de paredão Imagem: Reprodução/GloboPlay

Ana Bardella

Colaboração para Universa

2019-02-28T04:00:00

28/02/2019 04h00

Em quase um mês e meio de exibição, a décima nona edição do Big Brother Brasil vem se mostrando fora da curva. Apesar de declarações consideradas preconceituosas por parte de alguns dos confinados, não existiram conflitos diretos tais como o público está acostumado a assistir em realities.

O mais próximo de um desentendimento aconteceu ao vivo durante um jogo da discórdia, entre Elana e Isabella -- e mesmo assim, não chegou perto das brigas acaloradas esperadas para essa altura do programa. 

Como de praxe, as provas e punições incentivam a competitividade. Em uma delas a casa foi dividida em dois grupos e os participantes ficaram acorrentados dia e noite uns nos outros. Mesmo com o desafio, o comportamento surpreendeu: ambos organizaram uma roda de uma conversa no jardim e confessaram as primeiras impressões que tiveram quando se conheceram. Durante o bate-papo, no qual muitos se emocionaram, mesmo aqueles que trocam votos dentro da casa usaram elogios para se referir aos oponentes. 

Tiago Leifert, que costuma estimular as polêmicas, chegou a elogiar o grupo, dizendo que "rasgaram a cartilha do programa". Aparentemente, o esforço para manter a convivência pacífica dentro da casa tem sido intenso. Com isso, o público se pergunta: até onde é possível a convivência harmoniosa em um ambiente altamente competitivo?

Hostilidade não é uma regra

Luiz Francisco Jr., professor de psicologia da FADISP, explica: "O que caracteriza um ambiente competitivo é a reunião de duas ou mais pessoas em busca de uma recompensa". Paula Negrão, psicóloga, completa: "É possível construir um espírito de competitividade saudável, no qual as pessoas respeitam os princípios éticos, evitando a hostilidade", diz. Como exemplo, cita o ambiente esportivo, em que o enfrentamento é feito sob a ótica do fair play. No entanto colocar isso em prática não é tão simples. "Se para alguém ganhar, todos os outros precisarem perder, isso provoca uma frustração", adianta Francisco.

Estresse constante

De acordo com o profissional, a exposição prolongada à competitividade pode provocar estresse, ansiedade, cansaço e alterações de humor, tais como agressividade e alta sensibilidade. "Isso ocorre porque os indivíduos são provocados em todos os momentos, sofrendo uma permanente estimulação. Não existe o descanso, a tranquilidade", alerta. Com os ânimos assim elevados, a tendência às brigas é muito maior.  "Na convivência em equipe, cada um vem com sua trajetória, além de crenças e limitações. Com isso, as diferenças individuais começam a aparecer", completa.

Tendência à sabotagem

Paula afirma que algumas pessoas se saem melhor em ambientes competitivos do que outras. "Alguns têm a personalidade mais dominante, enquanto outros são serenos. No fundo, todos podem se beneficiar da competição porque o cérebro anseia por se sentir recompensado. Ninguém gosta de perder. No entanto, a tendência é que pessoas com maturidade emocional lidem melhor nos ambientes competitivos, porque estão preparadas para as frustrações e não desistem com facilidade. Geralmente não sobrevive o mais forte, mas sim o que tem mais jogo de cintura para se adaptar às mudanças e que lida com elas sem se abalar tanto", detalha.

Já na visão de Francisco, um dos maiores desafios está no ambiente. "Quando apenas uma pessoa pode sair vencedora, os pontos fortes dos envolvidos na situação representam ameaças. O mais tentador é procurar desarmar o outro em vez de aprender com ele: nessa lógica, sabotando o desempenho do próximo, as próprias chances aumentam", explica. 

Apesar disso, Michele Silveira, psicóloga, acredita que é sim possível fazer um jogo limpo. "Se cada pessoa fortalecer o controle emocional, mantiver o foco e o respeito pelo outro, é possível construir uma convivência mais harmoniosa", garante. Paula concorda: "O importante é se colocar no lugar do outro antes de criticá-lo e saber recriar as estratégias de acordo com as turbulências", finaliza.