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Política


Ameaças feitas a Jean Wyllys também perturbam deputada de direita: "Pânico"

Reprodução/Facebook
Carla Zambelli Imagem: Reprodução/Facebook

Marcos Candido

Da Universa

11/02/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Deputada do partido do Bolsonaro afirma ter sido ameaçada por integrante de grupo que ameaçou Jean Wyllys
  • Mentores de grupo já foram presos pela Polícia Federal por crimes de intolerância contra minorias e terrorismo
  • Ministério Público Federal pede prisão de um dos agressores, que vive livre na Espanha

"Parei de abrir e-mails devido à síndrome do pânico que as mensagens me causaram", desabafa a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) à Universa. A parlamentar, eleita com mais de 70 mil votos, afirma ter recebido mensagens de morte dos mesmos autores de ameaças feitas contra o deputado Jean Wyllys.

Em janeiro, Wyllys anunciou que abandonaria o mandato e o país.

Assim como o deputado do PSOL, Zambelli diz ter recebido mensagens com ameaças de morte contra ela e o filho de 11 anos em mensagens assinadas por Emerson Setim. Ela diz que, por medo, já chegou a andar com escolta policial.

Emerson Rodrigues Setim é um velho conhecido da polícia. Em março de 2012, ele foi preso pela Polícia Federal na Operação Intolerância e condenado por racismo e divulgação de pornografia infantil.

Técnico em informática, Setim também é denunciado pelo Ministério Público Federal por associação criminosa desde junho do ano passado. Após novos comentários homofóbicos, a defesa de Wyllys pede ao Ministério da Justiça que Emerson seja preso.

Ameaças são antigas

Toda essa situação começou há cerca de seis anos. E envolve um grupo organizado para agredir as pessoas na internet.

Segundo uma investigação da PF, Setim mantinha um site com o curitibano Marcelo Valle Silveira Mello. Os dois foram presos em 2012 e condenados por propagar ódio contra mulheres, nordestinos, judeus e divulgação e apologia à violência sexual contra crianças na internet.

Reprodução
Em 2012, Emerson foi preso em operação da Polícia Federal; em um desdobramento da operação, é denunciado por associação criminosa Imagem: Reprodução

Na época, PF afirmou que os dois planejavam um massacre contra universitários em Brasília.

Os dois foram soltos em 2013, devido a um indulto, a pedido da defesa e atendido pela Justiça. Atualmente, Setim mora na Espanha, de onde continua a fazer transmissões ao vivo em seu perfil no Facebook.

Novos e-mails e comentários

Em uma dessas transmissões feitas em janeiro, Setim fez novos insultos homofóbicos contra Wyllys. Os comentários foram o estopim para o abandono do deputado do cargo e do país. No vídeo, o homem também acusa Zambelli e a deputada federal Joice Hasselmann de perseguição.

Segundo um documento encaminhado à Polícia Federal e obtido por Universa, a defesa de Wyllys afirma que o parlamentar recebe ameaças desde 2016. Já Zambelli diz que também encaminhou as mensagens à Polícia Federal.

Em um e-mail assinado por Setim à equipe de Wyllys, em 2016, há comentários homofóbicos, xenófobos e ameaças violentas. "Já pensou em ver seus familiares estuprados e sem cabeça", diz um trecho da mensagem. Por fim, o autor diz que se mataria logo após cometer o crime.

Zambelli diz ter recebido mensagens quase idênticas desde o ano passado -- e de novas mensagens recebidas no fim do mês passado, quando retornou de uma viagem com outros deputados do partido de Bolsonaro.

"Diziam que iriam me fuzilar"

No mês passado, assim que anunciou a saída do país, Wyllys também afirma ter recebido novas mensagens contra seus familiares, nos dias 27 e 28 de janeiro.

História envolve a briga turbulena entre dois homens

Em 2012, Emerson Setim foi preso com Marcelo Valle Silveira Mello, velho conhecido como agressor de internet. Segundo o Ministério Público Federal, Marcelo e Setim tornaram-se rivais após a saída da prisão.

O MPF acredita que Marcelo enviava e-mails com ameaças em nome de Setim. Mesmo assim, os procuradores denunciaram os dois por fazerem parte do grupo "Homini Sanctus", que seria uma rede organizada online  e investigado para propagar ódio contra minorias.

Prisões e investigação em aberto

Em 2018, Marcelo foi condenado a 41 anos de prisão por crimes como terrorismo, racismo e divulgação de vídeos com violência sexual contra crianças. Hoje, ele está preso.

Já Setim se abrigou na Espanha e é denunciado pelo crime de associação criminosa, o que rende prisão de 4 a 8 anos.

Em um ofício enviado pela defesa de Wyllys ao ministro da Justiça, Sérgio Moro, há inclusive o que seria o endereço de Setim em território espanhol.

Uma fonte ligada ao caso reclama da morosidade da Polícia Federal em ir atrás de Setim. "É incompreensível", disse.

Em nota, a Polícia Federal afirma que não comenta inquéritos em andamento.