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Violência contra a mulher


Spray de pimenta com localizador? Como curtir festas de rua com segurança

Reprodução/Facebook
Badalo de Santa Teresa, no Rio de Janeiro Imagem: Reprodução/Facebook

Camila Brunelli

Colaboração para Universa

09/02/2019 04h00

De acordo com a organização não governamental internacional ActionAid, 86% das mulheres sofrem assédio nos espaços públicos. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança, 130 mulheres são estupradas todos os dias. Já em estudo do Datafolha, 42% das mulheres brasileiras relatam já ter sofrido assédio sexual -- 29% delas na rua, 22% no transporte público.

Independentemente da fonte, os números de violência contra a mulher são sempre chocantes. Começo de ano, verão, carnaval e festas de rua: essa é uma época em que as pessoas ficam ao ar livre. Universa fez um apanhado de dicas que podem ajudar você a se sentir mais segura. 

O que pode te proteger

Especialistas em tecnologia costumam dizer que esses artifícios servem para tornar mais fácil o que antes era trabalhoso ou complicado. Um exemplo de inovação que pode ser aplicado à segurança da mulher é um spray de pimenta que manda pedido de socorro por torpedo aos contatos pré-configurados pela usuária, como conta o especialista em tecnologia, Tony Ventura. Além do SMS, a localização do pedido de socorro também é enviada aos contatos escolhidos. Essa tecnologia ainda não é barata: custa US$ 130, e só vende na B8ta.com, uma loja virtual norte americana.

De mulher para mulher

Praticante de artes marciais desde os 7 anos, a paulistana Carolina Yosino, soube escapar dos assediadores que cruzaram seu caminho, mas notava que as amigas não tinham a mesma desenvoltura. O fato de Carolina ter sido a primeira mulher faixa preta de taekwondo da zona oeste paulistana, aos 14 anos, diz muito sobre isso. As amigas tinham vergonha ou medo de se machucar: "ainda é um meio muito masculinizado", lamenta. 
 
Com a missão de "ensinar a mulher a identificar a situação de risco e como sair sem abalar a sua integridade física", nasceu a ONly Woman. "Minha ideia não é ensinar a bater - até porque pode ser perigoso, o agressor pode se irritar mais" observa. "Primeiro, você aprende a sair [do domínio do agressor]. Só em último caso você ataca. "
 
Uma das dicas que ela sempre dá nos workshops e aulas práticas que ministra pela empresa, é sempre tentar manter um metro de distância de outra pessoa com quem esteja discutindo. "Por mais que próxima que seja a pessoa - marido, pai, padrasto, irmão: se a pessoa está exaltada, por segurança, dá um passo para trás. Eu recomendo dois passos, pode ser os milésimos de segundos necessários para fugir."
 
A preferida dela é dica do guarda-chuva. Uma pesquisa mostrou que estupradores apresentam maior probabilidade de desistir da vítima se houver alguma arma de legítima defesa. "Mesmo quando está esse sol absurdo, eu aconselho a levar o guarda-chuva. "

Indo ou voltando da balada, está percebendo alguém te seguir, ou se sentindo ameaçada, entre em algum comércio, ou procure outra mulher e pergunte se podem ficar juntas. Segundo Carolina, que estudou o perfil desses agressores, isso costuma inibi-los. "Se for uma rua residencial, toque o interfone da portaria de algum prédio e peça para ficar no hall, dentro do prédio. Só de o porteiro estar prestando atenção em você já é um dificultador. Às vezes na hora do medo a gente não pensa nessas coisas simples." 

Direito de ir e vir com segurança 

Quem não foi assediada em transporte público, conhece alguém que já passou por essa situação. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBPS), 5,2 milhões de mulheres passaram por isso em 2016 no Brasil. Preocupada com a mãe que era cobradora, a pernambucana Simony César criou uma tecnologia que emite notificações caso uma usuária sofra assédio. O aplicativo, chamado de N!NA -- homenagem à cantora e compositora americana Nina Simone, símbolo de resistência feminina --, também permite que a mulher que sofreu o assédio reporte sua localização, a linha do ônibus em que está e qual o tipo de violência que está sofrendo (verbal, física ou sexual).

No fim do ano passado, a Prefeitura de Fortaleza anunciou que vai implantar o botão virtual "Nina", como uma nova funcionalidade do aplicativo Meu Ônibus, da cidade cearense. A intenção é passar a receber denúncias de casos de assédio sexual, como parte do Programa de Combate ao Assédio Sexual no Transporte Público. O aplicativo de Simony vai ajudar a identificar em quais linhas o assédio é mais comum.

No uber também acontece

Nos últimos anos, têm vindo à tona muitos casos de assédio por parte de condutores de aplicativos, como a denúncia da escritora Clara Averbuck que relatou em sua rede social estupro praticado por um motorista da Uber, em 2017, quando voltava para casa de uma festa em São Paulo. 

Com isso, empresas de mobilidade urbana como Uber, 99, Play Taxi e o Yet GO, já disponibilizam em suas plataformas opções de viagens 100% femininas para oferecer mais segurança às suas clientes. Essa opção deve ser selecionada para que as passageiras que utilizam o aplicativo possam ser atendidas por motoristas mulheres. 

O Malalai -- referência quase explícita à ativista feminista paquistanesa Malala Yousafzai, ganhadora do Nobel da Paz -- propõe "uma solução para pessoas que querem ser livres para se deslocarem sozinhas com segurança." 
Criado pela arquiteta Priscila Gama, o app funciona de maneira colaborativa, e são as próprias internautas que registram as informações dos locais - como as condições de iluminação, movimento e horário de funcionamento de pontos comerciais -- para que as rotas sejam traçadas pelo app evitando passagem por ruas aparentemente inseguras. Dados como policiamento e a presença de porteiros em edifícios também são levados em conta. É possível, também, registrar pontos com assédios anteriores.