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Autoestima


Débora Nascimento: "Bella vai ter apoio gostando de meninos ou meninas"

pcvieira/Divulgação
Débora Nascimento Imagem: pcvieira/Divulgação

Mariana Araújo

da Universa, em São Paulo

08/02/2019 12h35

Mãe há 10 meses, Débora Nascimento passou a enxergar diversas experiências de sua vida agora sob uma nova lupa, a da maternidade.

A atriz, defensora de cachos naturais que já experimentou na pele a pressão para se encaixar em padrões de beleza unilaterais ultrapassados, que ditavam que apenas fios lisos são bonitos, agora se preocupa como os preconceitos da sociedade podem atingir Bella, sua primeira filha com o marido, o também ator José Loreto.

Em conversa com a Universa pouco antes do anúncio de seu mais novo papel, como embaixadora da marca produtos para cabelos OX, Débora ainda discutiu como entende sua autoestima após as transformações que seu corpo sofreu durante e depois da gestação e sobre as pesadas expectativas que, por vezes, pesam sobre mães que tentam amamentar de maneira direta. Confira:

Débora, você afirmou no 'Altas Horas' em novembro que já sofreu bullying por causa do seu cabelo cacheado. Como superou essa questão?
Eu me vi livre do bullying quando aprendi a me cuidar. Tanto por uma questão de conhecimento, quanto por passar a ter referências de cabelos iguais aos meus, já que tudo o que via na infância e na adolescência eram cabelos lisos e escorridos. Fiquei em paz quando aprendi que meu cabelo não seguia os padrões de beleza da maioria, mas fazia parte da minha beleza natural e era lindo com suas peculiaridades.

O conselho que eu daria para a Débora daquela época seria que se libertasse das amarras, das "chuquinhas", do cabelo preso, que deixasse a juba solta. Lembraria ela que volume é uma coisa bonita, que o cabelo cacheado tem molejo diferente e, por isso, para não ficar comparando seu cabelo com o dos outros e sempre hidratá-lo. Pode parecer difícil cuidar de cabelo cacheado, mas não é. E sim, seu cabelo é lindo!

Você se preocupa que esta questão atinja a Bella um dia?
Com certeza a Bella vai passar por algumas questões durante a vida dela simplesmente por ser mulher. O fato de ela ter nascido com o sexo feminino já traz quase que uma previsão de que ela vai sofrer cobranças com o corpo e com o visual. Mas a minha meta, poderia até dizer a minha razão de viver neste momento, é que estas cobranças não entrem na nossa casa. Qualquer decisão dela será amparada pelos pais e pelo círculo de familiares e de amigos próximos.

Aqui dentro ela sempre vai ter todo o apoio, a parceria e a consciência de que ela é linda do jeito que ela é, independente do jeito que ela quiser ser e estar, cacheada ou lisa, gorda ou magra, vestindo azul ou rosa, gostando de meninos ou meninas.

Débora, você chegou compartilhar nos seus Stories que não se "reconhecia" após a gestação da Bella, por causa das transformações do corpo. Bateu uma crise de identidade?
Durante a gestação, o corpo passa por uma grande transformação: o quadril abre, o eixo de equilíbrio muda e até a pele fica diferente. Depois que a Bella nasceu, levei um tempo natural para voltar ao estado anterior. E foi muito louco passar por tudo isso, porque não tem mais uma criança dentro de você, mas o corpo ainda está em processo de transformação.

É um corpo completamente novo e uma mulher completamente nova. Todas essas adaptações, sobre as quais ninguém conversa muito, são um mundo novo para mãe de primeira viagem. 

Antes de engravidar, eu me sentia muito bem comigo mesma, e quando engravidei, me senti no auge da feminilidade e da fertilidade, vivendo um momento mais selvagem. Entrei em contato com as minhas raízes e foi um processo muito profundo para mim. Me achava muito potente. [Depois de ter o bebê], claro que se tem altos e baixos ao olhar para um corpo com o qual não se reconhece. Mas eu nunca me desesperei. Tinha consciência de que tudo isso fazia parte do processo da maternidade. E sempre tive uma rede de apoio muito consciente, que ficou ali do meu lado passando por todos os períodos comigo. Eu me senti muito forte por conseguir dar conta, por entender que chorar e se descabelar é normal, que isso faz parte dos hormônios e do processo de olhar para lugares dentro de mim que nunca tinha olhado. Ter essa percepção de mim mesma fez com que me amasse cada vez mais. Foi um ganho na autoestima.

Hoje há muitas campanhas que encorajam as mulheres a optar pela amamentação direta de seus bebês, tanto que a prática se tornou sinônimo não só de caminho preferencial para a alimentação do bebê, mas também de 'caminho correto'. Você se sentiu pressionada em algum momento a oferecer o peito? 
Sempre sonhei em amamentar minha filha exatamente por ter me informado sobre o leite materno ser o alimento ideal para o bebê desde o primeiro momento. Mas além dos benefícios fisiológicos, há também o bem energético e emocional, que é o laço que você estabelece com a criança por meio da amamentação. Porque o neném nasce e você não conhece aquela criança.

Seria hipócrita falar que eu me apaixonei por ela assim que ela saiu de mim.

Claro que senti um carinho e uma ternura, mas é uma construção, um processo de conhecimento mútuo, nós duas conhecendo uma à outra. Sempre quis e planejei amamentar. Mas assim que ela nasceu, eu passei por várias questões: meu peito abriu, rachou o bico, sangrou, ela não fazia a pega correta, tive que pegar sol, fazer laser para ajudar, já que eu não queria parar de amamentar. Doía, eu chorava, mas eu tinha consciência de que queria muito seguir tentando. Me esforcei, mas de uma forma que também não era prejudicial a mim mesma. Eu acredito que o melhor é que mãe e bebê estejam felizes. Existem casos em que a mãe não consegue amamentar. Não julgo e acho que não se deve julgar uma mãe que não consegue amamentar. O amor será igual! Eu ainda amamento a Bella e planejo amamentá-la por um bom tempo, mas ainda preciso ajustar até quando, pois é uma grande demanda, tanto física quanto emocional. Mas é também um alento e um antídoto.

Quem é a Débora hoje, após se tornar mãe da Bella?
A Débora mãe é a mesma Débora de antes, mas mais consciente de sua própria existência. Aprendi e hoje em dia dou muito mais valor para o que é de fato essencial na minha vida. E essencial para mim é o meu tempo. O tempo em que estou com a minha família, fazendo o que eu amo. Problemas pequenos são banais e os grandes a gente resolve com a cabeça erguida. Como mãe, tenho a maior certeza de que a felicidade está mesmo nos microssegundos. Como é quando ela olha para mim.