menu
Topo

Relacionamentos


Relacionamentos

Solteiros de NY usam cursos, como de foto, vinho e game para conhecer gente

Divulgação
Em Nova York, primeiro encontro pode ser em um curso do instituto de culinária que formou Alex Atala Imagem: Divulgação

Amanda Denti

Colaboração para Universa

06/02/2019 04h00

"Nossa...Vocês se conheceram num barzinho? Achei que isso não acontecesse mais!". Essa é uma frase possível para qualquer americano confrontado com a ideia de um casal que, por mais incrível que pareça (!), se aproximou pela primeira vez puxando conversinha na mesa do bar, ao invés de arrastando uma foto pro lado direito na tela do celular. 

Ainda em 2016, mais de 40% da população dos Estados Unidos já usava sites ou apps de relacionamento para encontrar a sua metade da laranja ou a metade da sua cama por uma(s) noite(s). Mas ao invés de vestir os seus melhores looks pra sentar num café e conversar sobre hobbies, carreira e outros traumas, os americanos passaram a adotar uma estratégia diferente para fazer o primeiro encontro ser mais pessoal do que a experiência que começou no ambiente digital: compartilhando experiências. São aulas e passeios fora do comum que permitem que o casal se conheça melhor através de estímulos externos, que acabam deixando o bate papo com o (até então) desconhecido mais interessante e descontraído.  

Confira aqui os lugares preferidos dos usuários de apps em New York pra se inspirar e nunca mais deixar a falta de assunto te constranger num first date. 

Vale uma aula

Você posa pra foto, ele tira - e aí já avalia se a perspectiva e o olhar dessa pessoa te valorizam ou não. Ou ela posa e você... Aproveita para dar aquela geral pelo zoom da câmera, sem ninguém te julgar. Esse seria um encontro numa aula de fotografia, por exemplo, que é uma das oferecidas pelo Brainery, um centro educacional diferentão que fica no Brooklyn. Também rolam cursos de curta duração de Introdução à Astrologia (ou seja, já dá pra calcular ali mesmo, em poucas horas, as chances de match entre vocês dois segundo o Zodíaco) e até uma experiência multisensorial que ensina sobre as essências que são historicamente associadas com amor e sensualidade... Se você vai levar o óleo cheiroso pro after ou não, ninguém tem nada com isso.  

Pra saber mais sobre o senso crítico dos candidatos a love of my life, os novaiorquinos também aparecem de mãos dadas nos encontros do Think Olio, que colocam intelectuais para conversar com meros mortais em salas de estar de voluntários, onde falam sobre o amor segundo a filosofia, a música das revoluções ou fazem uma leitura política sobre personagens de filmes considerados feministas. 

Os ingressos pra essas aulinhas super variadas que podem dar um rumo interessantes pro seu encontro custam a partir de 10 dólares por pessoa. 
 

 
Ser sexy é ser inteligente

Divulgação
Os vários museus de Nova York são opções para passeios românticos Imagem: Divulgação

Se você ainda associa ida aos museus aos passeios escolares de outrora ou se isso está apenas na lista-de-coisas-para-fazer-numa-trip-para-a-Europa, é melhor dar um novo significado às possibilidades de uma noite no museu. Quando a gente compara o perfil dos visitantes e a energia das galerias de arte durante o dia, as visitas noturnas oferecem um clima completamente diferente e muito mais convidativo para conhecer alguém. O barulho das excursões de pequenos de uniforme, por exemplo, dão espaço a casais cochichando bem baixinho, e até a iluminação ganha apelo romântico.

Também dá pra escolher, com antecedência, uma exposição especial que pode tanto ter uma linha mais clássica - como casais apaixonados retratados em esculturas medievais ou quadros da Renascença - como mais moderninhas. Se o perfil do pretendente na aplicativo oferecer dicas sobre os seus gostos pessoais, fica ainda mais fácil de acertar... Ele ou ela trabalha com publicidade? Que tal ver pop art?! 

No MET Fifth Avenue, por exemplo, que é o principal museu de NY, em breve começa uma exposição sobre o uso de mensagens escritas na moda, que vai contar e analisar a história que deu origem a tendência de estampar mensagens políticas e memes da internet em tshirts e outras peças de roupa. Sem dúvida terão futuros casais fashionistas andando por ali - e o ponto vai pra quem teve a ideia de agradar o parceiro!

Outro lugar que realmente quebra o gelo é o Museu do Sexo em Manhattan. Subindo seus andares, dá pra puxar papo sobre as peculiaridades da relação sexual dos animais, as mensagens subliminares da arte erótica e até assistir filmes pornôs de óculos na cara, como quem vê um Van Gogh. Na saída, a lojinha também oferece itens de decoração curiosos e brinquedinhos para usar numa noite fora do museu.  

Quer pagar quanto?!

Alguns museus em NY oferecem ainda dias de visitação mais baratos ou baseados em doação (quer dizer: você paga o que quiser). É o caso do Guggenheim, que todos sábados, das 17h às 20h, abre as portas pra quem quiser analisar um Picasso for free... Ou seja, com organização, dá pra ser intelectual e econômico - aí sim, se o negócio for bão mesmo, estender a programação oficial, investindo num jantar. 

Hitch, o professor conselheiro amoroso

Se você não manja nada de arte, tudo bem. A internet tá aí pra te ajudar a dar aquela estudada básica antes do encontro, e sair acrescentando curiosidades sobre os artistas expostos e mostrando pro pretê que você não é só mais um rostinho bonito no rolê. 

Mas né, a dica dos gringos é não fazer o professor de história... Faça perguntas do tipo "O que você vê aqui?" e explore essa característica super legal da arte, que dá margem para diferentes interpretações. A chance disso te mostrar como o outro vê o mundo é grande, e isso pode, naturalmente, te contar mais sobre a história e a personalidade desse ser humaninho.    

Eu, você, dois filhos e um museu

Outra coisa a se pensar é que: vai que você deu a sorte (ou o azar) de levar pro primeiro encontro a pessoa que vai ficar grisalha ao seu lado. Pra sempre vocês vão poder contar pros amigos e pros netinhos que se conheceram num museu... E, quem sabe, fazer aquelas fotos cafonas de apaixonados lá, casar lá e voltar lá pra visitar de graça mesmo, com a carteirinha da terceira idade na mão, todo santo aniversário do casal. <3

Sorte no amor, azar no jogo

Divulgação
Casais geeks podem ir a uma casa de jogos no primeiro encontro Imagem: Divulgação

Imagine analisar o seu lance num cenário de guerra? É assim que casais geeks e nem tão geeks decidem fazer seu primeiro encontro: numa casa de jogos. Como explicam os nerds legais de plantão que atendem a clientela do The Compleat Strategist e do The Uncommons, tradicionais espaços em Manhattan, nas prateleiras estão caixas com diferentes objetivos e a estratégia do date já começa na escolha do game. 

Alguns tabuleiros promovem a cooperação porque a dupla (ou o trio, afinal... né?) precisa trabalhar como um verdadeiro time para sobreviver e ganhar. Tem também os mais competitivos para as arianas de plantão e, para os mais tímidos, aquelas cartas com perguntas (às vezes engraçadas, às vezes profundas) para um conhecer melhor o outro, mediados por um pedaço de plástico. 

Se nada der certo, pule duas casas.

Me empresta o seu fouet?

Divulgação
Casais podem ter um date em um curso de culinária Imagem: Divulgação

Já dizia o cantor Daniel, quando estava apaixonado, que queria "beber o mel de sua boca". Bem menos brega e bem mais gostosa é a modinha de convidar o date para uma aula de culinária! 

No Institute of Culinary Education, por exemplo, escola gastrônomica que já formou gente do gabarito de Alex Atala, dá para aprender a fazer mais de 10 pratos do Oriente Médio (pense em baba ghanoush, falafel e aquela sobremesa com camadas e mais camadas de pistache e mel) em aulas de até 4 horas que rolam em cozinhas industriais com chefs (e fogo) de verdade. Entre uma camada e outra de massa folhada, pistache e mel da baklava que você monta com o seu par, já dá pra ter uma noção se o omelete do café da manhã na cama pode vir queimado. 

Já nos fundos de uma loja super tradicional de queijos em NY, a Murray's Cheese, rolam aulas de como fazer mozzarella - em grupo ou até num espaço e com um especialista dedicados só pra vocês dois. Chique, né?  

Pois bem, esses são encontros para quem quer mesmo investir naquele pretendente. Custam, em média, 100 dólares por pessoa.

Noite de queijos e (vários) vinhos

Divulgação
Que tal conhecer melhor seu crush em uma degustação de vinhos ou de cervejas? Imagem: Divulgação

Falando em aperitivos, se lá na timeline da rede social da pessoa que você vai convidar pra sair, ela tá sempre de copo na mão, considere: 1. Conviver com o alcoolismo, 2. Convidar para uma degustação de bons rótulos de vinho ou cerveja. 

A Brooklyn Winery é uma vinícola urbana que recebe vários casais para, por 70 dólares, fazerem um tour pra aprender sobre o processo de envelhecimento da bebida em toneis de madeira e, ao final, provar os seus best sellers. Se o papo dos candidatos a sommeliers estiver bom, dá pra comprar garrafa(s) com desconto e levar pra casa pra provar em dupla. Se estiver ruim, dá pra comprar e beber sozinha mesmo, ué. 

Também nessa parte de NY está uma das cervejarias mais famosas dos Estados Unidos. Além de visitar o espaço onde a cevada ganha corpo pra virar risada, a partir de 18 dólares/pessoa na Brooklyn Brewery, os gringos aprendem sobre o processo artesanal de produção cervejeira e provam quatro tipos diferentes de chopp no caneco. São 60 minutos preenchidos de primeiro encontro. O resto é por sua conta, risco e nível alcoólico. 

Coffee Lovers

Ao invés de sentar pra tomar café num first date, muitos americanos escolhem provar e aprender sobre os diferentes grãos dessa bebida que a gente consome tanto mas sabe tão pouco... 

A maioria dos coffee shops em NY que se orgulham de conhecer seus pequenos produtores espalhados em lugares do mundo como Etiópia e Colômbia, de trabalhar com grãos orgânicos e outras complexidades sobre os diferentes métodos de extração de cafés que só os baristas entendem, oferecem "cupping" de graça em determinados dias da semana. Nessas provas de café, você vai cheirar, sentir o paladar e cuspir muita cafeína (romântico, né?) em sessões que duram, em média, 30 minutos.  

O pessoal jovem e descolado de bigode ou de brusinha sem sutiã e avental do outro lado do balcão, que trabalham para cafeterias como Counter Culture, Stumptown e Blue Bottle, adoram responder todas as perguntas sobre a arte de te ajudar a ficar concentrado na conversinha com o pretê - que, tomara, role na sequência.