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Política


Agressão de Calheiros contra Dora Kramer é novo ataque machista de senador

DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO
O senador Renan Calheiros (MDB-AL) fez tweet desrespeitando jornalista Imagem: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

da Universa

05/02/2019 04h00

O senador Renan Calheiros desferiu um golpe baixo no domingo (3) contra a jornalista Dora Kramer. Depois de decidida a eleição para a presidência do Senado, vencida por Davi Alcolumbre (DEM-AP), Dora, que é colunista da revista "Veja" publicou um texto sobre Calheiros (MDB-AL), que pleiteava a reeleição. Dora disse que ele havia sido "derrotado pela própria arrogância". 

Em resposta à colunista, Renan Calheiros escreveu em seu Twitter que havia fugido do assédio dela e encorajado outros parlamentares a namorá-la. Entre os políticos citados estão o ex-ministro Geddel Vieira de Lima, atualmente preso, e o ex-senador Ramez Tebet, falecido em 2006 e pai da também senadora Simone Tebet. Ela era adversária de Renan dentro do MDB na candidatura à presidência do Senado e declarou apoio a Davi Alcolumbre. 

"A @DoraKramer (Veja) acha que sou arrogante. Não sou. Sou casado e por isso sempre fugi do seu assédio. Ora, seu marido era meu assessor, e preferi encorajar Geddel e Ramez, que chegou a colocar um membro mecânico para namorá-la. Não foi presunção. Foi fidelidade", diz o post do político.

Dora Kramer agradeceu as manifestações de apoio que recebeu e disse que não vai responder as acusações de Renan Calheiros porque "o que ele diz fala por ele".

Essa não é a primeira vez que Renan se envolve em atos e falas problemáticas, muitas vezes, machistas, contra mulheres. Veja outros episódios:

Renan fala em 'fidelidade', mas... 

Em 2007, a revista "Veja" publicou que a empresa Mendes Júnior pagava mesada a uma ex-amante de Renan. Depois dessa denúncia, uma série de outras vieram em cascata contra o político, que terminou por renunciar à presidência do Senado. Segundo a revista, a empreiteira pagava 12 mil reais por mês à mulher, que é mãe de uma filha que teve com Renan -- que é e já era casado. 

Por unanimidade, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu há cinco meses absolver o senador pelo crime de peculato. O crime consiste em desvio de dinheiro público.

"João de Deus não é o maior problema do Brasil"

No último dezembro, depois que dezenas de mulheres vieram a público denunciar abusos sexuais cometidos pelo médium João de Deus, Renan Calheiros o defendeu. Em seu Twitter, escreveu: "O João de Deus deve sim ser investigado. Se for o caso, condenado. Jamais prejulgado, sangrando em vida, porque ele é um patrimônio nosso, da espiritualidade, da cura e da crença", disse. E continuou: "O médium não é o maior problema do Brasil, não é um Roger Abdelmassih, um lasier qualquer, e deve, até pelo menos o trânsito em julgado, continuar curando a sociedade, que parece mais doente e odienta".

"Serve para controlar os preços"

No Dia Internacional da Mulher de 2017, o então presidente Michel Temer falou em discurso no Palácio do Planalto que as mulheres "têm uma grande participação" na economia porque ninguém seria mais capaz do que elas para "indicar os desajustes de preço no supermercado e ninguém é melhor para detectar as eventuais flutuações econômicas, pelo orçamento doméstico maior ou menor". Ele foi bastante criticado por reservar às mulheres o papel de dona de casa. Renan Calheiros comentou o discurso e afirmou que o presidente foi "infeliz" em sua declaração. "Elas servem também para isso, mas não apenas para isso", falou. Curioso Renan não ter se lembrado que homens também "servem" para isso.

"Não brigar com mulher"

Durante uma sessão no Senado sobre o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) cobrou que Calheiros lesse na íntegra uma decisão do então presidente da Câmara que revogava o processo de expulsão. A senadora perguntou a Calheiros, então presidente do Senado: "Qual será a sua postura quando Vossa Excelência tiver que solicitar algo ao presidente da Câmara?"

Ele respondeu: "Senadora Vanessa, o meu pai me ensinou três coisas na vida: comer pouco, dormir muito e não brigar com mulher." A fala foi vista por feministas como uma tentativa de desqualificar a senadora, uma mulher.

Outro lado

Universa entrou em contato com a assessoria do senador e não obteve resposta até a publicação desta reportagem.