menu
Topo

Violência contra a mulher


6 atitudes no início da relação que parecem fofas, mas são abusivas

Getty Images/iStockphoto
Muita cobrança e ciúmes podem parecer preocupação, mas é preciso ficar atenta Imagem: Getty Images/iStockphoto

Heloísa Noronha

Colaboração para Universa

30/01/2019 04h00

Todo começo de relação é um momento mágico. É uma fase apaixonada em que o entusiasmo e o desejo podem, inclusive, sabotar a capacidade de raciocínio e calar a intuição. "Tudo pode ser muito velado e confuso, o que torna mais difícil lidar com situações potencialmente abusivas. E é muito comum, nessas circunstâncias, o controle surgir disfarçado de cuidado e o ciúme ser interpretado como amor", afirma Luiza Colmán, psicóloga especialista em temáticas ligadas ao amor e que atua em Goiânia (GO). Alguns comportamentos tidos como afetuosos ou carinhosos, como os listados a seguir, podem camuflar intenções nocivas, por isso é bom saber identificá-los:

1. Reclamar que a roupa está curta e vai todo mundo ficar olhando

Muitas mulheres ficam lisonjeadas com esse tipo de "protesto", acreditando que, na verdade, trata-se de um elogio: "Estou tão gata que vou chamar a atenção de todo mundo. É ciúme!". "Mas a partir do momento que o jeito de se vestir incomoda o par e você atende o pedido dele, parte de sua identidade pode ser prejudicada. A roupa está relacionada à persona, à caracterização de seu estilo", comenta a psicóloga Lidiane Silva, do Rio de Janeiro (RJ). É o primeiro passo de uma série de atitudes controladoras que tendem a aumentar, em quantidade e intensidade.

2. Querer controlar horários alegando segurança

Homens que têm a necessidade de ter o controle de cada passo da parceira tendem a ser dominadores e muito desconfiados, chegando até mesmo a fantasiar situações --na maior parte das vezes envolvendo traição--, caso a rotina dela mude sem que sejam informados. Alguns podem ficar agressivos por perder o controle dos passos ou horários. Reflita: você não considera abusivo tirar ou cercear a liberdade de alguém de seguir sua rotina naturalmente? 

3. Dizer que ciúme é uma prova de amor

Definitivamente, não é. Ciúme é sinal de insegurança, baixa autoestima e indica o receio de ser trocado ou perder a pessoa que ama, mas não é sinônimo de amor. Tem mais a ver com controle. Além disso, é válido frisar que homens potencialmente agressivos tendem a ser ciumentos por preocupação de ser exposto ou ridicularizado --em outras palavras, sentem um medo enorme de passarem recibo de "cornos". Parceiros abusivos, principalmente no início da relação, costumam implicar bastante com as atitudes das mulheres nas redes sociais, questionando posts e fotos delas e de seus amigos.

"Muitas se sentem tão vigiadas e coagidas que preferem acabar com as redes sociais para não ter mais problemas. Porém, é bom ter em mente que um sujeito que busca por detalhes que geram problemas sempre vai interpelar ou discutir como uma forma de demonstrar a necessidade de domínio e controle disfarçada de amor ou cuidado", afirma Lidiane.

4. Ficar ligando ou mando mensagens a todo momento justificando saudade

Tais atitudes tronam-se abusivas quando o homem perde a noção do espaço da parceira, não respeitando os momentos de descontração com amigos ou descanso. Tentar interferir a todo momento pode se transformar em chantagens emocionais e esse comportamento, a longo prazo, desgasta a relação. Mensagens constantes de "saudades" carregam, nas entrelinhas, uma necessidade imensa de exercer controle.

5. Aparecer sem avisar nos locais onde ela está

Uma ou outra vez, tudo bem, pode ser simplesmente uma maneira de fazer surpresa e agradar. A constância, no entanto, causa desconforto e deixa a impressão de que a intenção real é de controlar o que a parceira está fazendo ou, pior, "pegá-la no flagra" fazendo algo que na grande maioria das vezes só existe na imaginação do cara.

6. Pedir desculpas com presentes ou flores

"É até muito comum, depois de atitudes obsessivas, vir uma fase de extrema educação e gentileza e de um arrependimento aparentemente verdadeiro. Muitos homens são dissimulados a ponto de conseguir manter a mulher naquela relação via manipulação. Isso é estimulante para eles", conta Claudia Melo, psicóloga do Rio de Janeiro (RJ). E há o risco de a mulher interpretar os mimos como uma forma de o par se redimir por ter uma "personalidade forte ou difícil". Não se engane.

Como lidar com essas situações?

Muitas mulheres perdem a noção do que é certo ou errado por estarem muito envolvidas emocionalmente. Por mais que esteja apaixonada, é importante não se desviar de si mesma e manter o foco na própria autoestima. Percebeu sinais abusivos? Diga logo: "Não quero isso, não gosto desse jeito" ou "sempre fiz minhas coisas e não vai ser agora que vou deixar de fazer". Questione as atitudes e deixe claro que essas cobranças não vão se tornar rotina.

Quem nunca recebeu esse tipo de "cuidado", se sente, a princípio, amada. Pensa: "Ele cuida de mim, portanto me ama". "É preciso entender que ninguém está o tempo disponível para cuidar de alguém, portanto, é cilada", fala Claudia. "Para saber diferenciar cuidado de controle é importante compreender que cuidado, numa relação adulta, só é real quando a mulher que recebe se sente cuidada de verdade. Se a sensação é de ser controlada, existe algo de errado", observa Luiza.

Lembre-se: a culpa nunca é da mulher. Segundo Lidiane, muitos homens não se permitem mudar de comportamento, justificando que a mulher sempre será a culpada. É uma atitude tão natural que provavelmente a próxima namorada irá passar pelo mesmo processo de comportamentos abusivos. Se diálogo e limites não resolverem aquilo que incomoda ou traz sofrimento, pode sim, ser a hora de terminar a relação.

"A melhor forma de evitar que a sua relação vire abusiva é saber colocar limites para você e para o outro e respeitá-los. Claro que em toda relação existem limites que podem ser negociáveis e outros que são inegociáveis e é necessário ter clareza de cada um. Se os limites inegociáveis são desrespeitados, existe muita chance dessa relação ser abusiva e você adoecer nela", conta Luiza.