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Dentista muda a vida e faz sucesso com clientes que têm medo de consultório

Arquivo Pessoal
Priscila Ferreira prioriza pacientes que têm medo de dentista no atendimento Imagem: Arquivo Pessoal

Marcelo Testoni

Colaboração para Universa

28/01/2019 04h00

O paciente não é o único a se sentir apreensivo com uma consulta no dentista. O profissional também precisa superar uma série de questões: cobranças e expectativas diárias, enfrentar a própria ansiedade, ajudar os pacientes a superar seus pavores e, muitas vezes, lidar com a parte administrativa e financeira do próprio consultório.

"O resultado disso é um cansaço físico, mental e emocional muito grande. Eu mesma ficava sempre na posição de querer agradar a todos, o que é humanamente impossível. Cheguei a pensar em abandonar a profissão, mesmo amando o que fazia", relembra a dentista Priscila Ferreira.

Priscila explica que sua rotina era estressante porque lhe faltava, além de experiência e conhecimento na área odontológica, fundamentos básicos em psicologia, gestão e atendimento ao cliente:

"Para atuar melhor e poder atender, entender e acolher os pacientes, tive antes de fazer vários cursos, como nas áreas de terapias alternativas e complementares, finanças, mentoria em marketing, psicologia, neurociência, linguagem corporal e desenvolvimento humano. Só depois passei a enxergar e a querer reverter o padrão que havia criado e que me destruía lentamente", diz.

Virada profissional

Mas a virada profissional que também repercutiu em uma mudança de vida da dentista não veio de maneira tranquila. Em 1996, Priscila sofreu um assalto no consultório onde atuava e era proprietária em São Caetano do Sul, região metropolitana de São Paulo. O episódio foi decisivo para ela querer mudar.

"Na época, com apenas quatro anos de atuação como dentista, sofri um assalto à mão armada de um homem que marcou para ser atendido como paciente. Felizmente, nada pior aconteceu, mas a insegurança tomou conta de mim. Melhorei a segurança do consultório, coloquei interfone, alarme, mas, mesmo assim, quando alguém ligava para marcar horário e eu não conhecia, ficava com medo", explica Priscila.

No final do mesmo ano, ela decidiu passar o Ano-Novo em Ilhabela, no litoral paulista, e foi quando percebeu que ali naquela região poderia arriscar um novo caminho.

"Tomei a decisão enquanto atravessava a balsa, porém, demorou um ano e quatro meses para me mudar de fato para Ilhabela. Passei antes por um período de transição, finalizando pacientes em andamento no consultório de São Caetano do Sul, o que me deixou bem descapitalizada por não pegar novos tratamentos. Fechei o consultório em dezembro de 1997. Fiquei mais quatro meses trabalhando com um amigo, para poder guardar algum dinheiro, e, em maio de 1998, me mudei definitivamente", revela.

Meta: acolher bem os clientes

Depois de se mudar para a nova cidade, Priscila montou um consultório e, para conquistar clientela, fez cursos e institucionalizou em seu atendimento o método de odontologia humanizada, que, de acordo com ela, leva em consideração duas vertentes: primeiro, o zelo pelo bem-estar do profissional. Em seguida, o acolhimento ao paciente.

"Cheguei em Ilhabela com uma proposta totalmente diferente. Quando comecei, ninguém falava em odontologia humanizada. Para quem tem medo de consultório é um divisor de águas", explica Priscila.

Segundo a dentista, no método, que cria uma relação mais próxima e humana entre profissional e paciente, são utilizadas diversas técnicas, terapias complementares e alternativas. A cromoterapia (que permite harmonizar e estimular ambientes e pessoas por meio do uso de cores adequadas a cada situação) é utilizada, por exemplo, para recepcionar os pacientes em um ambiente acolhedor e não tradicionalmente frio e impessoal.

Já a aromaterapia, que usa ativos presentes em óleos e essências aromáticas, é aplicada para tratar sintomas relacionados ao medo e estresse, proporcionar relaxamento e até mesmo remover a memória olfativa do "cheiro de dentista", que segundo Priscila, reascende velhos traumas e impossibilita, às vezes, a continuidade de tratamentos.

Outras terapias, como massoterapia, acupuntura, homeopatia, musicoterapia e uso de florais podem ser integrados ao método, sem descartar técnicas e medicações convencionais.

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Sucesso refletido em números

Com o método aplicado nas consultas, nos últimos três anos, Priscila conseguiu aumentar em 75% seu faturamento, que, ao ano, chegava a R$ 220 mil. Hoje sua clínica gera mais de 270 atendimentos por mês e atende principalmente mulheres e crianças, que, juntas, representam 70% dos pacientes.

"Consegui reverter uma situação pessoal e criar um padrão onde cresço financeiramente, tenho ótima qualidade de vida, consigo planejar meu futuro e ainda beneficio tanto os pacientes que trato na clínica, como minha equipe e minha família", observa Priscila, que também revela que só obteve sucesso, pois priorizou a qualidade no lugar da quantidade.

"Hoje minha agenda é lotada, pois consegui ganhar a confiança do paciente, que se sente feliz em um local onde é bem tratado e acaba me indicando para pessoas que possuem características parecidas. O resultado é a fidelização, tudo na técnica. E eu trabalho de forma muito mais prazerosa", conclui.