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Violência contra a mulher


Garotas negras despidas e revistadas em escola de NY por parecerem 'tontas'

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Imagem: iStock

da Universa, em São Paulo

26/01/2019 13h56

Quatro alunas negras de 12 anos foram despidas e revistadas pela equipe de administração da East Middle School, em Binghamton, no estado americano de Nova York, segundo o jornal local "Binghamton Press & Sun-Bulletin" nesta quarta-feira (23).

Segundo informou a organização de direitos civis "Progressive Leaders of Tomorrow" à publicação, as meninas teriam sido submetidas ao procedimento por parecerem 'hiperativas e tontas' -- justificativa que teria sido dada pelo diretor da instituição, Tim Simonds, para a busca por drogas em seus corpos.

Em carta e à emissora "12 News WBNG", as mães das alunas afirmaram que as garotas teriam sido emocionalmente impactadas pelo procedimento, que aconteceu sem o consentimento dos pais. 

"As garotas foram levadas individualmente a um espaço privado no Departamento de Saúde [da escola] por mais de uma hora. Elas foram submetidas a testes de sobriedade e observações, ordenadas a remover suas roupas para serem revistadas para checar a existência de drogas e outras substâncias ilegais. Três das nossas meninas aceitaram os exames e observações, além das revistas, e obtiveram permissão para voltar à classe. Uma delas aceitou os exames, mas se recusou a remover suas roupas para ser revistada -- e, por isso, foi suspensa."

Em nota à imprensa na quinta-feira (24), o distrito escolar da cidade admitiu a revista das garotas, se desculpou pelo trauma provocado e afirmou que os funcionários da escola tinham direito a procurarem drogas, mas respeitando os limites descritos.

"Infelizmente, nossas alunas compartilharam que estas ações tiveram as consequências não-intencionais de lhes fazerem sentir traumatizadas. Nós sinceramente nos desculpamos pelo impacto que a [a revista] teve e estamos trabalhando com essas famílias para apoiar o sucesso de seus filhos. Um aluno pode, de acordo com a lei e as regras do distrito, ser revistado dentro de um prédio escolar por um administrador que tenha motivo razoável de suspeita que a saúde do aluno está em perigo, por posse de uma substância que possa trazer dano a ele ou a outros", diz o texto.

"As buscas envolvem o pedido de um administrador para que o aluno esvazie seus bolsos, remova seus sapatos e/ou suas jaquetas", frisa o distrito.

Ainda de acordo com as mães, as alunas foram obrigadas a remover suas roupas e permanecerem apenas de sutiã e calcinha ou legging diante dos funcionários que as revistavam e, por isso, não se sentem seguras para voltar às aulas. 

Cerca de duzentos pais, alunos e moradores da região compareceram à reunião do conselho do distrito escolar na quinta-feira (24) para exigir a demissão dos funcionários envolvidos. Durante a discussão, eles qualificaram a revista das alunas como agressão sexual.

A vereadora Mary Kaminisky acompanhou a sessão e afirmou ao jornal que ficou chocada ao saber do que havia acontecido na escola. "E fiquei mais chocada nesta noite ao ouvir uma mãe dizer que ligou para membros do conselho escolar e ninguém a atendeu."

Marlena Giordani, uma ex-aluna, afirmou na reunião pública que nunca sentiu medo assim dentro da escola, mas que acreditava que isso de devia ao fato de ser branca.

"Quando a hora do almoço chegava, esta era a hora mais feliz do seu dia na escola. Ver que quatro meninas estão felizes e 'tontas' é apenas ver que elas têm 12 anos. Não quero nenhuma menina vindo à East Middle School com estas pessoas trabalhando aqui. Não é seguro para as crianças estarem nesta escola até que tudo mude."

Apesar de o presidente do conselho do distrito escolar, Brian Whalen, afirmar que quaisquer medidas disciplinares são 'uma questão privada', o órgão se comprometeu a revisar os comportamentos dos funcionários envolvidos e as práticas correntes nas escolas da região, comunicando suas decisões diretamente às famílias afetadas.