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Mães e filhos


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Coletor menstrual pode ser usado para inseminação caseira; entenda

Getty Images/iStockphoto
O coletor ainda é uma novidade para muitas mulheres, mas já estão encontrando novas utilidades para o "copinho" Imagem: Getty Images/iStockphoto

Jacqueline Elise

Da Universa

26/01/2019 04h00

Quando um casal planeja ter um bebê, às vezes só fazer sexo com mais frequência não é o suficiente, ou a pressa de engravidar acaba dominando a situação. Para quem não pode pagar o preço das sessões de inseminação artificial, os métodos caseiros entram em cena --e as mulheres continuam encontrando novas formas de fazer o procedimento.

Para além da inserção do sêmen na vagina com o uso de uma seringa, outro item pode auxiliar uma gravidez: o coletor menstrual, alternativa aos absorventes tradicionais. Há quem tente usar o "copinho", como é chamado popularmente, para depositar o esperma ou para "segurá-lo" dentro do corpo por mais tempo. Mas será que funciona?

Mariana Rosário, ginecologista, obstetra e mastologista de São Paulo (SP), diz que a ideia está se popularizando. "Existe, hoje, uma vertente de pessoas na internet que não são médicas, mas que estão orientando mulheres a fazer inseminação caseira e estão indicando o método com o coletor menstrual", afirma.

Como poderia funcionar?

Debora Rodrigues Lopes, embriologista e coordenadora do laboratório da Genics Reprodução Humana, em São Paulo (SP), explica de que forma o coletor ajudaria a engravidar mais rápido.

"O que pode ser feito é colocar o sêmen dentro do coletor e introduzi-lo na vagina. Como o coletor evita que o sêmen entre em contato direto e imediato com o canal vaginal e com o pH da vagina, que é ácido, os espermatozoides não morrem tão rápido assim, o que pode possibilitar uma concepção", conta. O tempo médio de sobrevivência de um espermatozoide no ambiente, sem interferências externas, é de 72 horas.

A ejaculação também poderia ser feita dentro da vagina e, depois, a mulher poderia introduzir o coletor para "segurar" o sêmen, para que não escorra para fora. O recomendado é que, assim como na menstruação, o copinho não fique dentro da mulher por mais de 12 horas.

Mariana diz que o que é mais difícil não é a inseminação, mas, sim, se a mulher sabe em que dia ela está ovulando. "Hoje, temos testes de farmácia para saber a data da ovulação". Os testes podem ser um aliado nessa hora.

Inseminação caseira X artificial

Débora explica o que diferencia a forma caseira do procedimento feito em laboratório (além do dinheiro envolvido em uma inseminação artificial): "Na caseira não se faz o preparo do sêmen, o que acontece é que o procedimento só facilita a passagem dos espermatozoides para o canal vaginal. A inseminação em laboratório vai um pouco além: ela ultrapassa a 'barreira' do colo do útero para depositar o conteúdo lá dentro".

Mariana conta que, além do coletor, as mulheres também usam outros métodos caseiros: "Tem quem use o próprio preservativo para guardar o sêmen e injetá-lo com seringa, e tem quem use um copinho, geralmente de coleta de urina, para ejacular nele e usar a seringa para depositar o conteúdo na vagina". Ela comenta que, assim como qualquer situação que envolva os genitais femininos e masculinos, há risco de infecções. As chances de engravidar com métodos caseiros são de 25%, assim como em uma inseminação artificial, segundo a especialista.

Apesar de não ser tão convencional, as especialistas concordam que não faz mal usar o coletor menstrual para este fim.