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Violência contra a mulher


Kéfera: "Fui ameaçada de estupro coletivo durante a campanha eleitoral"

Reprodução/Instagram
Kéfera interpreta Camila, protagonista do filme "Eu sou mais eu", que estreou na quinta-feira (24) Imagem: Reprodução/Instagram

Talyta Vespa

Da Universa

25/01/2019 04h00

Kéfera Buchmann não cansa: do canal no YouTube, seguido por 11,2 milhões de pessoas, ela migrou para o Instagram e agora está nas telinhas e telonas. Vive Camila, protagonista do filme "Eu sou mais eu", que estreia na quinta-feira (24), e Mariane, uma atriz patricinha e divertida da novela "Espelho da Vida", exibida às 18h pela TV Globo. Para ela, entretanto, ainda é pouco. "Se eu pudesse, estaria em três filmes e cinco novelas ao mesmo tempo". 

Kéfera, que foi politicamente ativa contra o presidente Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral, afirma que se equivocou quanto às previsões: "Está pior do que eu imaginava". Se posicionar politicamente, contudo, não rendeu frutos tão positivos. Entre críticas e ameaças, ela destaca uma, a que mais a assustou, cujo autor está sendo processado: "Ele estava organizando um estupro coletivo contra mim. Estamos tomando as providências na Justiça". 

"A gente vive essa cultura do estupro que preza pela 'correção' por meio da violência sexual. Recebi muitas ameaças de estupro, não só essa. Diziam que se me achassem na rua, me agrediriam. Claro que senti medo, mas nós, mulheres, sentimos medo todos os dias; não tem jeito". 

Durante a campanha, foi noticiado que Kéfera teria rompido relações com a mãe, Zeiva Buchmann, que apoiou o presidente eleito. Ela nega. "A gente nem brigou, quanto mais cortar relações. Ganharam a eleição com fake news, nem me assusta que essa notícia falsa tenha sido publicada. Minha mãe apoiou o Bolsonaro e nós debatemos muito. Vivemos em uma democracia, não é? Eu expus meus pontos, ela concordava com alguns e expunha os dela. Mas foi a escolha que ela fez. No começo do ano, ela disse: "Acho que vou me arrepender mesmo, você estava certa. Se isso acontecer, vou ser a primeira a me opor e ser resistência, porque estou vendo que vai dar cagada". E eu só respondi: "Eu avisei".

A resistência que a atriz propõe não é exclusiva das redes sociais. Para ela, a participação da oposição tem que ser ativa. "Todo dia aparece um novo suposto envolvimento do filho do Bolsonaro com coisas erradas. A gente avisou. 'Ninguém solta a mão de ninguém' não pode se restringir às redes sociais". 

"As pessoas falam muito de Lei Rouanet, e de forma equivocada. Eles acham que é um dinheiro que vem muito tranquilamente, e não é. O filme ["Eu Sou Mais Eu"], por exemplo, não captou nenhum recurso da lei. É a cultura que não deixa o povo emburrecer, é importante, e acabaram como Ministério da Cultura. É uma pena", diz. 

A atriz terminou de gravar o filme em dezembro de 2017 e, em março do ano seguinte, já foi chamada para a novela. Para fazer a Camila, foram dois meses de aulas diárias. A personagem da novela, Mariane, demandou menos horas: apenas um mês de preparação, com aulas todos os dias. Para ela, o cansaço não importa. "Quero trabalhar e agora é a hora. Minha carreira é o amor da minha vida".