menu
Topo

Mães e filhos


Mães e filhos

Demora para dar 1º banho no recém-nascido favorece amamentação, diz estudo

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

da Universa, em São Paulo

24/01/2019 13h52

Deixar a pressa de lado para dar o primeiro banho no bebê pode favorecer o sucesso da amamentação exclusiva, sem a necessidade de suplementação com fórmula, segundo um estudo conduzido pela Cleveland Clinic e publicado na segunda-feira (21) no Jornal de Enfermagem Obstétrica, Ginecológica e Neonatal.

Por causa da descoberta, o centro de referência mudou seu protocolo de cuidados dos recém-nascidos e espera agora até 12 horas após o parto para banhá-los.

A pesquisadora e expert em desenvolvimento profissional da equipe de enfermagem Heather DiCioccio esclareceu que a instituição sempre limpou as crianças nas primeiras horas de vidas porque, tipicamente, os visitantes se sentem 'enojados' pelo sangue e o líquido amniótico que cobre o bebê após o parto.

No entanto, a decisão de examinar qual seria o melhor procedimento surgiu após o time de seus hospitais receber muitos pedidos de mães para que os banhos fossem adiados.

"Era como sempre fazíamos. Finalmente chegamos ao ponto de nos perguntar 'por quê?'. Mães chegavam ao hospital com este pedido detalhado por escrito como parte de seu plano de parto. Elas liam na internet, em blogs para mães, e suas amigas também opinavam"

A partir de abril de 2016, a pesquisadora e o time de enfermagem do Hillcrest Hospital, parte da Cleveland Clinic, passou a comparar 500 bebês que tomaram banhos logo após o parto a outros 500 que foram banhados pelo menos 12 horas depois. 

O índice de amamentação no grupo de bebês que teve seu banho 'atrasado' cresceu de 59,8% para 68,2%. Além disso, o banho tardio, após apenas uma limpeza superficial, traz benefícios como o favorecimento da ligação entre mãe e filho -- já que os bebês são entregues para as mães segurá-los mais rapidamente --, além de regulação da temperatura e, claro, facilitação do amamentar.

O motivo para o sucesso, segundo Heather, é que o contato entre mãe e filho mais imediato reduz o estresse nos bebês recém-nascidos, o que os deixa relaxados o suficiente para aceitar a amamentação. O banho também pode acabar esfriando a pele do bebê e os deixando mais propensos a rejeitar o ambiente.

"Também estamos começando a ver que, quanto mais cedo conseguimos que os bebês 'peguem o peito', melhor é o estoque de leite da mãe". A exposição prolongada ao líquido amniótico também pode despertar no bebê a resposta de sucção mais imediata, um 'treino' que eles encaram no útero.