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Por amor, paraense pedala 36 km todo dia para buscar a mulher no trabalho

Reprodução/Facebook
Carla e Alan com os filhos, Ryan e Lorenzo Imagem: Reprodução/Facebook

Mariana Araújo

da Universa, em São Paulo

22/01/2019 04h00

Todos os dias, Alan Xavier, de 23 anos, vai de bicicleta de Ananindeua (PA) ao centro da capital Belém para buscar Carla Rovene, de 25 anos, no trabalho.

A distância de 18 km não intimida o paraense, que faz questão de realizar o percurso de ida e volta para garantir que a mulher chegue em casa em segurança.

Alan começou a buscar Carla há quatro meses, quando o casal comprou uma bicicleta com o primeiro salário dela no restaurante onde ela é auxiliar de serviços gerais. A ideia dele era poupá-la do percurso arriscado e difícil que ela fazia até então.

"Antes eu vinha de van clandestina, só que elas não vêm para cá, elas vêm até o início de Ananindeua e dobram para outra parte de Belém. Eu ficava a menos da metade do caminho. Chegava lá e tinha que pegar um mototáxi, que custava R$ 35 para chegar em casa. Quando eu tinha sorte, pegava o último ônibus, que me deixava na metade do caminho também. Eu ficava esperando sozinha na parada até 1h40. No meio do caminho, eu chegava só às 2h20 da manhã", explica Carla à Universa.

"Uma vez, ela foi assaltada. Levaram o celular e apontaram uma arma para o rosto de Carla enquanto ela estava na parada [do ônibus]. Na minha cabeça só passou que eu poderia trazê-la com mais segurança se eu fosse buscá-la de bicicleta", conta Alan.

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook

Amor instantâneo

Carla diz que o amor dos dois -- que estão juntos há três anos -- foi 'à primeira vista'. 

"A gente se conheceu por meio de amigos em comum, daí trocamos WhatsApp e começamos a conversar. Conversamos muito por uns cinco meses e, na primeira vez em que a gente se encontrou, ele me pediu em namoro", relembra.

Na época, a auxiliar já tinha um filho, Ryan, hoje com 4 anos. Três meses depois, eles decidiram dividir o mesmo endereço -- e hoje, criam o mais velho e o caçula, Lorenzo, de 1 ano e 4 meses, juntos.

Declaração nas redes sociais

Atualmente desempregado, Alan passa o dia em casa cuidando das crianças. Às 21h, ele leva os meninos à casa da avó, onde os alimenta e os coloca para dormir, antes de partir para buscar Carla. 

"Eu nunca pensei [em desistir], tenho muita força de vontade. E encaro isso como prova de amor também", diz Alan. Emocionada diante do esforço dele, Carla decidiu tirar uma foto e escrever um texto carinhoso para o parceiro, na madrugada de 23 de dezembro: 

O conteúdo foi compartilhado por Carla no Facebook e ganhou mais de 32 mil curtidas. "No meu próprio emprego, muita gente o via chegando de bicicleta e julgava por ele não ter um carro. Isso machucava, eu via que ele ficava triste. Então escrevi para ele, foi um texto de gratidão realmente, para ele saber que eu não tenho vergonha dele por ele ser humilde."

"As pessoas que dizem isso não sabem o que é companheirismo e não sentem esse amor", acredita Alan, que se emocionou com a declaração de Carla. "Não sei nem explicar o que eu senti e sinto até hoje. Meu maior objetivo atualmente é conquistar um emprego para que eu possa ajudar a Carla na casa. O amor que eu sinto por ela não tem explicação. Obrigada por tornar meu mundo melhor", agradeceu Alan à parceira durante a conversa com a Universa.

Segundo Carla, a história de amor do casal inspirou muita gente pela web -- e uma dentista até teria chegado se oferecer para fazer uma vaquinha e comprar uma moto para a família. "Mas desde o dia 24 de dezembro, ela não atende mais nossas ligações e a gente não tem vínculo nenhum com ela. Ela disse que ia ajudar, mas não ajudou. E a gente continua na bicicleta mesmo."