Topo

Universa


Universa

Jogadora profissional dá dicas para ingressar no futebol feminino dos EUA

Divulgação
Amanda Moura é jogadora de futebol e começou sua carreira no Brasil Imagem: Divulgação

Marcelo Testoni

Colaboração para Universa

2019-01-22T04:00:00

22/01/2019 04h00

A mineira Amanda Moura, 25 anos, é jogadora de futebol profissional, gestora e consultora esportista. Atualmente, se prepara para jogar no clube Medyk Konin, da Polônia, mas, há alguns anos, atuou no Clube Atlético Mineiro, de Belo Horizonte, (MG) e nos Estados Unidos pelo Purple Knights. 

No exterior, descobriu a diferença gritante entre a visão de esporte lá e aqui. Se no país de origem enfrentou preconceitos desde a escolinha de futebol, nos Estados Unidos, por exemplo, se consagrou como jogadora internacional, conheceu grandes nomes da bola e ainda animou multidões em estádios lotados. 

"Nós, brasileiros, somos muito valorizadas pelo mundo inteiro. Eles sabem o quanto as pessoas aqui são talentosas. Nos Estados Unidos, todas as divisões do esporte, com suas congregações, levam o assunto muito a sério", explica Amanda, que chegou a voltar para o Brasil em 2017 para desenvolver o futebol feminino e assessorar as jogadoras Andressa Alves, do Barcelona, Letícia Izidoro, do Corinthians, e Juju Gol, atleta PSG Elite Team.

Para garotas que desejam seguir carreira na NWSL - National Women's Soccer League (em português, Liga Nacional de Futebol Feminino) equivalente, em importância nos Estados Unidos, ao Brasileirão feminino, aqui vão as dicas dela. Veja: 

Faça intercâmbio e grave vídeos

As universidades americanas contam com ligas de futebol e treinadores, que formam atletas profissionais e estão sempre em busca de novos talentos para oferecer bolsas de estudo. Graduado, o jogador tem oportunidade de seguir carreira no esporte do país e pode até tirar o green card. Se não vingar, pode arranjar outro emprego com diploma na mão. No caso de Amanda, ela se mudou para os Estados Unidos aos 19 anos com o objetivo de jogar bola e estudar. Hoje, além de jogadora internacional, tem MBA em gestão.

Divulgação/Purple Knights
Ela aproveitou que iria morar fora do Brasil para jogar e também aprimorou seus estudos Imagem: Divulgação/Purple Knights

 "O que fiz foi entrar em contato com uma agência de intercâmbio de jogadores. Existem diversas agências desse tipo no Brasil. Você entra em contato e eles te acompanham por cerca de seis meses, fazem seus vídeos e te orientam com a documentação necessária", explica a jogadora. 

Sobre os vídeos, Amanda explica que são gravações das partidas que a garota jogou ou do desempenho dela em treinos. "O mais importante é ter vídeos. Se está indo para um país estrangeiro e é brasileira, os treinadores querem ver vídeos do seu talento em ação. Então, com seus 16 para 17 anos, prestes a se formar na escola, comece a gravá-los", orienta. 

Na época, Amanda também teve de fazer um exame de fluência em língua inglesa para poder ingressar na faculdade americana. Depois de passar no processo seletivo, ganhou uma bolsa no valor de 40 mil dólares anuais (cerca de 150 mil reais) na Universidade de Bridgeport, em Connecticut, para estudar e jogar bola. Além disso, tinha suas despesas com alimentação e hospedagem pagas. Seus únicos gastos eram com seu próprio lazer e com passagem aérea. 

"No meu caso foi mais fácil, porque eu já jogava no Atlético Mineiro, então eu tinha essa visibilidade. Se você não joga por um time profissional, grave todos os seus jogos do último ano, pois dessa maneira os treinadores analisam seu desempenho e determinam a quantia da bolsa. O maior material que você puder coletar jogando futebol ajuda bastante", diz.

Estabeleça uma rede de contatos 

Segundo Amanda, uma garota com potencial para se tornar jogadora profissional, na tentativa de ser descoberta, também deve arriscar entrar em contato com jogadores experientes ou treinadores dos times americanos por meio de sites universitários, redes sociais, como LinkedIn, e e-mails pessoais. 

"Se é uma garota que vive na periferia, indico que entre em contato comigo ou com outras jogadoras que já atuaram nos Estados Unidos, para orientá-la e usar da própria influência para colocá-la em contato com um treinador e dar essa oportunidade. Lembrando que, se vive na periferia, essa garota também deve filmar os jogos dela", comenta.

Amanda acrescenta que ser aluna ou bolsista de escola americana ou canadense no Brasil também é uma grande vantagem, pois é o jeito mais fácil de se conhecer treinadores, estabelecer contatos e ser encaminhada para fora do país. 

Peça apoio e vença a barreira da língua

Para conseguir meios financeiros de ir para o exterior, também vale divulgar os vídeos nas redes e fazer vaquinhas com a ajuda do Facebook, do Instagram e entre vizinhos, amigos e familiares. Amanda conta que existem até agências que reduzem os custos do intercâmbio, caso seja provado que a jovem tenha talento, mas nenhuma condição de se bancar.

"Vale dizer que, quando a pessoa é séria, pela educação e pelo sonho muita gente contribui. Quem é do interior pode tentar patrocínio com a cidade onde mora. Informe à prefeitura que será um passo grande para seu município, pois você o representará internacionalmente, e tente divulgar isso no jornal. Por último, recorra a celebridades", sugere.

Divulgação
No vestiário, Amanda tem seu próprio espaço Imagem: Divulgação

Vencida a etapa financeira, vem a questão do segundo idioma. No Brasil, 95% da população não fala inglês. Porém, de acordo com Amanda, para ser jogadora profissional, pelo menos o nível básico é preciso ter. 

"Se não tirar nota boa no exame e reprovar, pode ser que você seja encaminhada pelo treinador para um curso de inglês e só depois entre na faculdade. Por isso, comece a levar o idioma mais a sério e faça aulas particulares para tirar uma nota boa. Quanto maior a nota no exame, maior é a chance de ingressar nas melhores faculdades e times. Inclusive, quando se chega aos Estados Unidos, é preciso reportar o boletim semestral para o treinador, pois se tiver uma pontuação abaixo de 3.3 em 4, não se pode nem disputar campeonatos". 

Porém, não desanime. Amanda, por exemplo, chegou aos Estados Unidos com um vocabulário muito básico, mesmo tendo cursado inglês a vida toda. Ela revela que levou cerca de quatro meses para ficar fluente. 

Por fim, a jogadora aconselha se informar. Se as partes intermediárias entre você e as autoridades americanas forem relacionadas ao Brasil, por exemplo, se atente às informações que estão fornecendo e leia os contratos com atenção. 

"As pessoas têm mania de ler muito rápido os contratos e já querem assiná-los logo. Tenha noção dos seus direitos e deveres e pergunte. Se, por meio de uma agência, você está indo para fora, esteja ciente de tudo o que vai acontecer com você, qual o processo e se tem alguma forma de conseguir adiantar informações. No mais, tenha muito respeito e compromisso. Vai ser uma experiência maravilhosa", conclui.

Mais Universa