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Mães e filhos


Mães e filhos

Pai de Instagram: "Ele posta que ama os filhos, mas nunca visita"

Getty Images/iStockphoto
Mãe afirma que pai posta fotos felizes com filhos na rede, mas a realidade é outra Imagem: Getty Images/iStockphoto

Luiza Souto

Da Universa

13/01/2019 04h00

"Entre agora no Facebook do meu ex que você vai ver as fotos dos nossos filhos, com declarações de 'meus bebês', 'anjo do papai', mas a realidade é outra", queixa-se a babá Stephany, de 27 anos. Mãe de uma menina de 12 e um de 10, ela chama o pai das crianças, com quem foi casada por 7 anos, de "pai de Instagram", termo bastante difundido na web. Para proteger os filhos, preferiu que não divulgássemos seu nome.

Natural do Mato Grosso, Stephany conta que o primeiro marido escolheu morar a 65 quilômetros de distância quando o casal deu um ponto final na relação. Afirma que desde então ele colabora apenas com a pensão. Não se preocupa em como eles estão na escola ou se estão se divertindo nas férias. E ela e o atual marido que levam as crianças para visitar o pai, onde, aliás, eles não dormem. Preferem ficar com a avó paterna, segundo Stephany.

"Há três anos, nossa filha foi atropelada. Perdeu dente e trincou o dedão do pé. Liguei para avisar. Ele apenas disse que ela não iria morrer e não ligou depois para saber se a menina melhorou", reclama.

A menina hoje, por outros motivos, tem depressão. Segundo Stephany, o ex diz que não pode fazer nada porque mora longe. Então ela encontrou a solução: está de mudança para a cidade dele:

"Nas redes sociais estão várias fotos felizes dele com nossos filhos. Uma vez comentei que jogar na internet era fácil. Queria ver o papel de pai. Ele me bloqueou".

Filhos entendem o que está acontecendo

O pai, em muitas situações, não dá atenção para o filho, mas usa as redes sociais para mostrar o oposto. A superexposição chama mesmo atenção para alguma outra coisa que está acontecendo -- ou disfarça. A conclusão é da psicóloga, especialista em família e perita em Vara de Família Renata Bento.

Ela equilibra, entretanto, os dois lados: o pai fala uma coisa, a mãe fala outra. É difícil analisar ciúme, alienação parental, descaso, abandono quando o ex-casal não se suporta e um pode distorcer o que o outro faz . O importante é pensar nas consequências para a vida do principal interessado, que é o filho.

"Muita mãe se queixa de que o pai não age como ela gostaria. Mas há situações em que a relação dele com o filho até vai bem. Então, às vezes, a reclamação diz respeito à relação dela com o ex", pondera a especialista.

Evitar as redes sociais é quase impossível. Então, uma vez em que a criança já vive numa zona de conflito, a moderação aqui, ensina Renata, é a palavra-chave. Até porque os filhos entendem bem o que está acontecendo.

"Acontece da filha sair com o pai e a madrasta e postar na rede. Mas depois a mãe pergunta tanta coisa que a criança, para alegrá-la, diz que o passeio foi ruim", exemplifica a especialista.

"É importante para o desenvolvimento emocional da criança que ela possa se queixar do pai para a mãe e dela para o pai, e que os ouvidos estejam abertos, sem que suas palavras sejam usadas com uma arma".