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Escritora erótica faz sucesso vendendo livros quentes na internet

Arquivo Pessoal
Lani Queiroz, 43, posa com seu primeiro livro erótico, "Príncipe da Vingança" Imagem: Arquivo Pessoal

Jacqueline Elise

Da Universa

2019-01-10T04:00:00

10/01/2019 04h00

A maranhense Lani Queiroz, de 43 anos, criou o hábito da leitura com dez anos e, na adolescência, passou a escrever seus próprios contos. Ela gostava de clássicos como "A Moreninha" e "Poliana", além de romances vendidos em bancas de jornal. Na vida adulta, passou a publicar seus textos na internet. Hoje, a pedagoga e professora da Universidade Federal de Tocantins escreve literatura erótica e é sucesso de vendas no site da Amazon.

Sua nova obra, "A Dívida: Heitor", ficou no topo da lista dos livros digitais mais vendidos do site por 20 dias consecutivos e, atualmente, está na 12ª posição --mesmo quando ainda estava publicada, na íntegra e de graça, no site de escrita livre Wattpad. A história gira em torno do personagem Heitor Camargo Maxwell, CEO de um conglomerado brasileiro de linhas aéreas em São Paulo, e seu plano para se vingar de um sócio traidor: Maxwell se casa com a filha do sócio, Sofia, jovem virgem e doce que teme o marido, mas também o deseja.

"Parece clichê, existem vários livros sobre executivos poderosos com uma mocinha inocente, mas acho que a trama e a narrativa é o que prendem o leitor. Tem meu toque lá, eu faço questão de escrever com muita emoção", explica a autora, que fez sucesso online por relatar cenas de sexo intensas entre seus personagens. "O sexo não é só o ato dinâmico de chegar lá e acontecer. Tem que ter uma conversação, gosto de detalhar bem e deixar a imaginação voar". Mas nem sempre Lani se sentiu confortável com tantas pessoas lendo seus textos sensuais.

Da vergonha à liberdade

A autora conta que passou anos engavetando seus contos, com vergonha de lançá-los ao mundo. Foi só em 2014, quando começou a se interessar pela ideia de publicar algo, que ela decidiu fazer uma tentativa na internet mesmo. "Navegando na internet, eu estava procurando uma editora ou uma plataforma para me jogar nessa vida literária e encontrei o Wattpad, onde os autores publicam seus textos e interagem com os leitores. Logo que eu publiquei o primeiro livro, já tive um retorno ótimo", conta. Até hoje, ela divulga seus livros primeiro na plataforma, para depois vendê-los em formato digital pela Amazon, até que lança a versão física.

"Quando o livro sai pela loja, eu só deixo no Wattpad alguns capítulos a título de curiosidade, para promover. 'A Dívida' tem dois meses de lançamento e ainda está entre os mais vendidos, e a publicação no Wattpad não atrapalhou as vendas".

"A mulher ainda tem seu desejo muito reprimido"

As histórias quentes de Lani fazem tanto sucesso que colecionam retornos positivos no site da Amazon. Ela também mantém um grupo no Whatsapp, chamado "Lanéticas", para interagir com as leitoras. "Procuro sempre dar feedback para elas. Algumas vezes as fãs ficam tão envolvidas com a história que elas se dizem 'donas' de alguns personagens, é bem engraçado", relata.

Arquivo Pessoal
Lani fez sucesso na internet, publicando seus livros gratuitamente na plataforma Wattpad Imagem: Arquivo Pessoal

Ela diz que, mesmo após o sucesso de outros títulos de literatura erótica como "Cinquenta Tons de Cinza", ainda há mulheres com receio de manifestar seu interesse pelo gênero. "A mulher ainda tem seu desejo muito reprimido. Em alguns casos, os maridos até presenteiam as esposas com os livros, mas em outros elas precisam esconder de todos. Penso que literatura erótica é uma fuga, uma forma de viajar".

Lani acredita que livros como os seus podem ajudar até a melhorar relações. "Acho que é uma forma de emancipação da mulher, de realizar suas fantasias. Também tenho leitoras já idosas --conheço uma senhora de 80 anos, e ela diz que a filha está lendo meu livro, que ela era bem conservadora, mas que mudou seus costumes".

Deixando a imaginação fluir

Casada, Lani diz que, apesar de suas cenas de sexo serem bem explícitas, ela garante que não tira inspiração de sua vida pessoal. "É tudo imaginação, mesmo, e leituras, sabia? Ler reportagens, acompanhar fatos do cotidiano me influenciam muito. Tive a ideia para 'A Dívida' no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Eu estava voltando de um lançamento e, enquanto eu aguardava o avião, eu estava vendo a movimentação dos pilotos, dos comissários, e pensei em escrever algo desse universo", explica.

Ela afirma que pretende continuar escrevendo literatura erótica, mas quer se aprofundar em outros aspectos do gênero, menos explorados. "Gostaria de fazer um romance homossexual, não sei quando, mas quero escrever. Inicialmente, pensei em escrever sobre dois homens, mas eu estou aberta a tudo. Gosto dos temas que chocam, porque, se é ficção, a imaginação tem que ir longe", acredita.