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Violência contra a mulher


Manterrupting? Gleici é cortada 15 vezes em "Altas Horas" e fãs reclamam

André Freitas/AgNews
Campeã do "BBB18", Gleici Damasceno com namorado, Wagner Santiago, no Rio Imagem: André Freitas/AgNews

Ana Bardella

Colaboração para Universa

09/01/2019 04h00

Próximo à estreia da 19ª temporada do reality "Big Brother Brasil", o programa "Altas Horas" levou apenas campeões de edições passadas para uma roda de conversa. Entre os escolhidos estavam Dhomini, Max Porto, Rafinha, Diego Alemão, Marcelo Dourado, Fernanda Keulla e Gleici Damasceno -- essa última, vencedora do ano passado. Durante o bate-papo, os ex-participantes avaliaram suas passagens pelo reality e o impacto da vitória em suas trajetórias.

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Houve momentos de discordância. Quando uma retrospectiva de Alemão foi exibida, o apresentador Serginho Groisman relembrou seu envolvimento com duas mulheres na casa, Fani Pacheco e Iris Stefanelli. Gleici emitiu sua opinião, alegando que o país tem passado por mudanças e que, nos dias de hoje, o triângulo poderia não ser bem aceito. Nesse momento, Alemão a interrompeu: "Com todo o respeito, o que eu não acho legal é você prejulgar uma atitude", alegando ter sido honesto com ambas.

Repercussão negativa

Essa não foi a única vez em que a acreana sofreu cortes em suas falas pelos colegas homens. Enquanto formulava outras considerações, a moça chegou a se irritar com as sobreposições de Rafinha e Max, pedindo que pudesse concluir o que estava dizendo. Ao todo, foram quinze interrupções masculinas -- o que não passou despercebido.  No Instagram, seguidores de Gleici criticaram a postura dos rapazes. "Amei sua participação e amo seu jeitinho, mas odiei os cortes. Foi insuportável", disse uma. "Educação básica, não interromper as pessoas. Tosco", completou outra. De acordo com Carla Bianca Salcedo, neuropsicóloga e psicanalista do espaço Vivacità, a situação poderia ser encaixada no termo "manterrupting" - quando um ou mais homens interrompem a fala de uma mulher com o intuito de prejudicar sua linha de raciocínio ou expressão de ideias. 

Origem machista

"O ato tem uma conotação sexista e desqualifica a fala feminina. Pode acontecer na família, no trabalho e outras situações de convívio social. Ele tem como consequência minar a autoconfiança de uma mulher. Com a repetição, a tendência é que a pessoa afetada pare de expor suas opiniões", explica. Carla também alega que nem sempre os envolvidos se dão conta da situação. "Em geral, os homens não percebem o que estão fazendo porque se trata de uma atitude inconsciente", aponta. 

Por que o mesmo não aconteceu com Fernanda?

A psicóloga explica que, em um ambiente com duas ou mais mulheres, apenas uma pode ser alvo das interrupções, como ocorreu com Gleici -- fator que também está relacionado ao inconsciente. "A postura inicial na conversa transmite uma informação para o outro, que pode acuá-lo ou instigá-lo", defende. Por fim, garante que a melhor maneira de sair desse ciclo é tomando consciência das situações. A partir da observação da própria postura, é possível aperfeiçoar a maneira de se comunicar -- se tornando mais enfática ao invés se calar, como fez a ex-BBB.