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Direitos da mulher


Em entrevista, vendedor que acusa Damares de agressão ameniza os fatos

Arquivo pessoal
O vendedor Thiego Santos, de 34 anos Imagem: Arquivo pessoal

Luiza Souto

Da Universa

09/01/2019 04h00

O vendedor Thiego Alysson de Jesus dos Santos registrou na PGR (Procuradoria Geral da República) um pedido para que a procuradora-geral Raquel Dodge abra um procedimento investigatório criminal contra a ministra Damares Alves, da Mulher, Família e Direitos Humanos. 

O maranhense, de 34 anos, que trabalha na loja de roupas Cantão do Shopping Brasília, acusa a ministra, segundo relatado no documento entregue antes de ontem à PGR, de ameaça, constrangimento e vias de fato.

Os eventos teriam acontecido quando Damares entrou na loja para provar roupas, no dia 3 de janeiro. Um dia antes, havia sido amplamente divulgado um vídeo em que a então recém-empossada ministra dizia que "menino veste azul e menina veste rosa". Instigado por essa afirmação, Thiego, em entrevista à Universa, disse que ao vê-la trajando uma roupa azul, perguntou a ela: "Ué, ministra. Que história é essa que menino usa azul e menina usa rosa?".

A partir daí, de acordo com o documento oficial, a ministra teria reagido de maneira agressiva. Segue o relato, a partir do momento da resposta da ministra: "(...) no que foi respondido com aspereza de que esta iria acabar com a 'ideologia de gênero' existente nas escolas, no que ele respondeu em tom educado de que isso não existia até porque sua mãe era professora há vinte anos e não houvera relatado tal prática, no momento em que a requerida disse ser professora e segurando o seu pescoço, disso que isso existia sim'". (...) Sentindo-se ameaçado e constrangido, o requerente tentou filmar a cena, no que foi repreendido pelas duas assessoras que a acompanhavam, sendo que uma delas ainda bateu em suas mãos".   

Universa entrevistou Thiego. Na conversa, os fatos envolvendo Damares e a assessora tomam contornos diferentes. Ele redescreve a cena: "Na hora em que tocou no meu pescoço -- vou usar esse termo, 'tocou', de forma agressiva, tirei o celular do bolso. A assessora colocou a mão para impedir que eu filmasse, ou seja, tem um toque na minha mão. Então, seria bater, sim. Fiquei com o braço para baixo e a ministra continuou falando". 

Universa perguntou algumas vezes a Thiego sobre o que de fato ocorreu: se foi toque, tapa, agressão. A cada fala ele suavizava o ocorrido na loja. "Tocar, segurar e pegar são sinônimos", resume ele.

Parte da discussão entre o grupo foi filmada por Thiego e divulgada em seu Instagram. Na ocasião, Damares respondeu ter sido constrangida pelo vendedor "como mulher e consumidora".

Assista ao vídeo:

O advogado de Thiego, Suenilson Sá, pediu à loja o acesso ao circuito interno de TV para que suas acusações sejam comprovadas.  

Thiego, que é gay e negro, também fez um boletim de ocorrência em uma delegacia de repressão aos crimes de discriminação racial, religiosa, orientação sexual e pessoa idosa ou com deficiência. Ele alega ter recebido mensagens, através de suas redes sociais, com ameaça de morte, teor homofóbico e preconceito racial. 

Universa procurou a assessoria da ministra para comentar as acusações e aguarda retorno.