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Carreira e finanças


'Criei uma empresa para ajudar quem precisa de maconha medicinal'

Divulgação
Viviane Sedola, criadora do "Dr. Cannabis": 'Não recebi nenhum xingamento de haters. Ao contrário, recebi apoio' Imagem: Divulgação

Marcos Candido

Da Universa

08/01/2019 04h04

"Imagine uma criança que tem 80 convulsões por semana e precisa de um remédio que não está à venda por aqui e é difícil de conseguir uma receita", provoca Viviane Sedola. A rotina difícil é uma velha conhecida para quem usa maconha medicinal no Brasil.

Para lutar contra essa dificuldade, Viviane não ficou só na imaginação. No ano passado, ela criou o "Dr. Cannabis", uma plataforma para conectar médicos a pacientes em busca deste tipo de medicação.

Alan Teixeira/Divulgação
Viviane é uma das fundadoras do Kickante, uma das maiores plataformas de financiamento coletivo no País; agora, dedica-se para ajudar quem precisa de maconha medicinal Imagem: Alan Teixeira/Divulgação

Na lista entram histórias de quem precisa tratar fibromialgia, autismo, crises de epilepsia, efeitos da esclerose múltipla e dores crônicas combatidas com medicamento à base de componentes da maconha -- como óleos, cremes e cápsulas. 

A empresa de Viviane faz a ponte: mantém um registro e conecta médicos, pacientes e exportadores. A "Dr. Cannabis" fica com uma comissão em cima da importação.

Viviane também é um dos criadores da Kickante, uma das maiores plataformas de financiamento coletivo no País.

Quando recebeu investimento de um fundo para negócios sociais para tocar a empresa (sem revelar o valor), a reação do público foi diferente da imaginada. "Não percebi contato de haters, ao contrário. Contei com apoio de ativistas e pessoas interessadas em ajudar", diz.

Maconha medicinal ainda é pouco receitada no País

Segundo ela, o mercado de derivados da maconha cresce em um ritmo de 30% no mundo, apesar de o Brasil impor dificuldades peculiares. A importação de produtos com canabidiol é permitida apenas com laudo médico especial, um termo de responsabilidade, cadastro na Anvisa e espera pela análise e autorização da agência para a importação.

"Os médicos ainda têm certo receio ou desconhecimento de prescrever o que vem da cannabis", explica Viviane.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) ainda mantém restrições à medicamentos que possuem THC -- o componente da maconha dá "barato" -- em quantidades similares ao de canabidiol.  Por essa restrição, somente neurologistas, psiquiatras e neurocirurgiões tem permissão do CFM para receitar medicamento de canabinóides.

Desde 2015, quando a Anvisa liberou a importação de canabidiol e produtos com componentes da cannabis sativas, apenas 321 pedidos médicos foram registrados no País. No ano passado, o número de receitas cresceu cerca de 60%, o que dá pouco mais que 500 prescrições em onze meses.

"A tendência é que sejamos lanterninhas no uso da maconha medicinal, mas o ritmo no mundo é acelerado e vamos avançar também por aqui", conclui.