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Mulheres protagonizam um mundo em evolução


Homens falam sobre perceberem que são privilegiados só por serem... homens

Arquivo Pessoal
Felipe Romão, 26, de Carapicuíba: "Percebi como as mulheres precisam abrir mão de coisas por segurança" Imagem: Arquivo Pessoal

Natália Eiras

Da Universa

07/01/2019 04h00

Andar na rua sem se sentir tão vulnerável, não receber toques indesejados no transporte público e não se sentir ameaçado por mulheres desconhecidas são apenas alguns dos privilégios que homens podem ter. Eles estão presentes em situações tão cotidianas que, muitas vezes, é difícil perceber como pode ser mais fácil ser um homem do que uma mulher. A Universa reuniu relatos de momentos em que rapazes notaram que suas vidas poderiam ser bastante diferentes, caso eles fossem do gênero oposto: 

"Ela estava rezando por minha causa"

"Estava andando na rua, de noite, em uma calçada apertada, e estava com pressa. Então, colei em uma mulher mais velha, que estava na minha frente, para tentar ultrapassá-la quando tivesse a chance. Ao ver que tinha um homem colado nela (ainda mais de noite, ainda mais que eu sou grande), ela começou a rezar. Aí que eu percebi o medo que eu posso causar nas mulheres por ser homem."
Rodrigo Santos, 27, relações públicas, de São Paulo (SP)

Canivete na bolsa no date

"Quando fiquei solteiro, depois de um relacionamento longo, entrei em aplicativos de relacionamento. Conversando com diversas garotas, ouvi sobre elas como se sentiam ameaçadas quando iam conhecer uma pessoa pelo aplicativo e alguns cuidados que elas costumavam tomar, incluindo levar um canivete na bolsa. Enquanto isso, eu nunca senti medo de ir em algum date."
Alex Vieira, 30, analista de sistemas, de São Paulo (SP)

"Meu chefe não escutava minha colega"

"Em uma reunião de trabalho, uma colega me disse uma ideia muito boa, mas pediu para eu falar, como se fosse minha, porque nosso supervisor nunca aceitava as sugestões dela. Em vez disso, ele costumava dar a mesma ideia como se fosse dele e a implementar. Foi um choque me dar conta disso."
Mateus Muniz Ribas, 26, social media, de Porto Alegre (RS)

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Mateus Muniz Ribas, 26 Imagem: Arquivo Pessoal

"Posso pegar táxi onde quiser"

"Na Virada Cultural deste ano, eram umas 4h da manhã e minha amiga queria ir embora, mas eu não. Falei para ela pegar um táxi, porque ela não estava achando Uber e tinha um ponto na nossa frente. Ela respondeu: 'Na rua, assim? Nunca, né?'. E eu entendi, apesar de já saber e concordar com ela, o meu privilégio de poder pegar um carro onde eu quiser."
Alexandre Makhlouf, 28, criador de conteúdo, de São Paulo (SP)

Toques indesejados

"Encontrei uma prima que não via há tempos no metrô, e para chamá-la eu cutuquei o joelho dela --ela estava sentada--, e fui ignorado 100%. Tentei de novo, e nada. Ela somente olhou quando falei o nome dela. Percebi que ela estava me ignorando porque achava que era algum homem a assediando."
Igor Rodrigues, 23, arquiteto, de Guarulhos-SP

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Igor Rodrigues, 23 Imagem: Arquivo Pessoal

"Andava na rua tranquilamente"

"Eu morava há quatro quilômetros do trabalho e ia a pé muitas vezes. Sempre achei tranquilo, pensava que quem não andava estava com preguiça. Até que uma colega me contou que voltava da faculdade às 23h e tinha que andar três quarteirões do ponto de ônibus até em casa. Um dia, ela foi perseguida por três caras, mas ela conseguiu ajuda. Porém, essa minha colega acabou trancando a faculdade por causa disso, já que não tinha ninguém que pudesse buscá-la no ponto de ônibus e ela corria um perigo real. Eu, como homem, que pode andar por aí sem muita preocupação, não consegui entender. Nunca passou pela minha cabeça desistir de algo por causa de três quarteirões. Foi quando a minha ficha caiu sobre do que as mulheres têm que abrir mão pela própria segurança."
Felipe Romão, 26, designer gráfico, de Carapicuíba (SP)

"Ajuda pode ser ameaçadora"

"Uma vez estava no ponto de ônibus e uma mulher passou mal e desmaiou. Eu e algumas outras as pessoas a ajudamos. Quando ela acordou, disse que precisava ir até o trabalho, em um shopping, para ser liberada. O lugar ficava próximo da minha casa e nós pegaríamos o mesmo ônibus. Como ela ainda estava fraca, me ofereci para ir com ela até a porta da loja. Na hora ela ficou muito assustada, disse que não precisava. Ela insistiu, mas eu fui mesmo assim porque vi que ela ainda estava um pouco tonta. Quando chegamos na loja, ela pareceu aliviada e agradeceu bastante. Só aí reparei que ela ficou surpresa por eu ter apenas ajudado, como havia dito. Não passou pela minha cabeça que um homem oferecer companhia a uma mulher que ainda estava desnorteada soa bastante ameaçador."
Diego Sousa, 28, social media, do Rio de Janeiro (RJ)
 

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