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Executiva brasileira do bitcoin se destaca em mercado basicamente masculino

Divulgação
Imagem: Divulgação

Beatriz Santos e Simone Cunha

Colaboração para Universa

07/01/2019 04h00

Sócia-diretora da Foxbit e vice-presidente da Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto), Natália Garcia, 27, é uma das únicas mulheres executivas nesse universo. A área ainda é dominada pelos homens e, para ter sucesso, é preciso juntar uma boa bagagem de conhecimentos econômicos, financeiros e de tecnologia. "Foi um desafio enorme no começo, mas eu nunca sofri preconceito dentro da Foxbit. As oportunidades sempre foram igualitárias e meu reconhecimento veio por mérito. Hoje, sou a única sócia de exchange mulher --primeira e única", declara. 

No entanto, ela já vem arregaçando as mangas para tentar mudar esse quadro. A executiva é responsável por um trabalho cujo objetivo é elevar a participação feminina nesse ramo que, atualmente, conta com apenas 5% de mulheres. No ano passado, participou do projeto Women in Tec, em três eventos diferentes. "A proposta era desmitificar a ideia de que o bitcoin é um bicho de sete cabeças, mostrando que ele pode ser um ótimo investimento", explica. 

Na Foxbit, Natália diz que são realizadas palestras e ela própria atua como mentora de quem se interessa pelo assunto. Na empresa, 40% do quadro de funcionários é composto por mulheres.

Em 2017, em plena crise, a Foxbit transacionou 3,5 bilhões. "Neste ano, ultrapassamos essa marca em outubro. De 12 funcionários, em 2017, passamos para 60 em 2018. Houve realmente um crescimento exponencial no tamanho da empresa, inclusive, mudamos para um lugar maior", relata. 

Em vez de comprar, investir

É claro que tudo isso refletiu em sua vida pessoal. Há menos de dois anos na área, Natália já teve a oportunidade de realizar muitas viagens e, até o momento, conheceu 15 países com o lucro que obteve em seu trabalho. "Não quis investir em patrimônio, minha mentalidade é outra. Tenho dinheiro suficiente para adquirir imóveis e carros, mas prefiro investir. Com minhas economias, posso viajar, pagar um bom aluguel e andar de Uber para todos os cantos, acho muito mais vantajoso", afirma. 

Na hora de investir, ela dá preferência aos bitcoins e às criptomoedas. "Tenho aplicação em mercados e ações, sendo um bom exemplo o ICO: comprei a 10 centavos de dólares e vendi a 1 dólar", diz. 

É claro que, como todo investidor, ela também lida com altos e baixos. Este ano, Natália conta que fez um investimento em Riple, um criptoativo, e a experiência foi bem traumática. "Em janeiro, estava em 3/4 de dólares, dois meses depois caiu para 0,7. É fundamental entender que o negócio é extremamente volátil", ressalta.

Trabalho duro e boas perspectivas

Ela conta que, para se dedicar a uma startup, é preciso ter muita disponibilidade. Como diretora jurídica, ela cuida de toda a estrutura societária, contratos, casos de consumidor, relações governamentais etc. E diz que organização e proatividade são duas coisas essenciais para construir uma carreira duradoura nesse mercado. "É importante pensar em como construir realmente um mercado do futuro, em como fazer novas regras, afinal, ainda estamos no começo e não existem barreiras. É uma área que oferece muitas oportunidades para quem quer fazer algo diferente de tudo", afirma. 

Natália alerta, contudo, para o fato de que ainda é difícil encontrar um material de qualidade para aprender sobre criptomoedas. Não há muitos títulos e os que existem geralmente estão em inglês. "Também é uma área com muitos jargões, que tornam a tecnologia e a economia ainda mais complexos". 

Apesar disso, ela tem uma perspectiva bastante positiva para o futuro. Ela afirma que, em 2027, os criptoativos irão dominar pelo menos 10% do PIB global, representando 8 trilhões de dólares. "Houve uma profissionalização que nos tornou mais eficazes e rápidos. Temos alguns produtos para serem lançados ainda este ano e queremos criar mais moedas e aplicativos", adianta.

Formada em Direito, Natália trabalhou em escritórios de advocacia e passou pelo Itaú BBA. Cansada da burocracia, decidiu fazer um curso para Startup na Gama Academy e daí conheceu a Foxbit. "Me apaixonei e fui contratada para cuidar de relacionamento bancário e da parte comercial. Em cinco meses, tornei-me sócia", lembra. Porém, para quem pretende atuar na área, ela recomenda cautela. "Comece experimentando o mercado, com 10 ou 100 reais é possível testar e investir", finaliza.