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Transar com ex é uma boa ideia? Veja como aproveitar o sexo sem sofrimento

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O sexo casual pode ser bastante benéfico para a mulher, segundo especialista Imagem: iStock

Claudia Dias

Colaboração para a Universa

05/01/2019 04h00

A ciência diz que transar com ex não é problema, já que a conexão e a intimidade existentes acabam "facilitando" a aproximação. Só que não é só isso que existe nos bastidores desse jogo sexual. Medo do desconhecido, saudade, autoestima baixa, desejo, conforto, disponibilidade e prazer também são motivos que se misturam por trás do reencontro despretensioso na cama.

O sexo casual pode ser bastante benéfico para a mulher, permitindo que ela se solte mais, se relacione com novas pessoas e se conheça melhor. "Pode ser um grande laboratório", resume Carla Cecarello, sexóloga do site de encontros casuais C-date.  

Agora, se o par da noitada sem compromisso for um antigo relacionamento, a situação pode ficar um pouquinho complicada, principalmente se alimentar esperanças ou mesmo conflitos, como lembra a sexóloga. Foi mais ou menos o que aconteceu com Raquel*, 39 anos, gerente de restaurante. Cerca de dez anos atrás, ela viveu um "amor verdadeiro e recíproco". A época, o casal terminou (numa boa) porque os objetivos para a relação eram diferentes. Durante a década longe, o contato acontecia vez ou outra, mais na amizade, porque sempre um deles estava em outro relacionamento. Até que se reencontraram pessoalmente, ambos solteiros. 

"A atração e o desejo eram mútuos; não tinha como disfarçar. O sexo, que tinha sido sempre bom, depois de tanto tempo estava ainda melhor. Era sem compromisso, com boas conversas antes e depois, como se fôssemos dois amantes", conta ela.

Só que o sentimento despertou. "Criei expectativas, ele também criou ilusões, falamos até em formar família, mas voltaram os altos e baixos da relação. Cheguei no limite e coloquei um ponto final definitivo. Hoje somos perfeitos como amigos. Falamos abertamente sobre novos relacionamentos, problemas, alegrias e até experiências sexuais. Pode parecer estranho, mas quem melhor que um ex para te dizer seus defeitos e qualidades?", pontua Raquel.

Medo também influencia

Camila Moura, especialista em relacionamentos do site Amor & Classe, aponta outro fator, desta vez embalado pelo medo de ficar sozinho. "Isso vem de crenças e pensamentos chamados disfuncionais, que não correspondem com a realidade, porque a pessoa tem certeza de que vai ficar sozinha, que ninguém vai gostar mais dela", explica. 

Ou pode ter a ver com receio diante do desconhecido, fazendo com que se prenda à relação passada, mesmo se a vida a dois não era tão boa. "Apesar de estar numa situação desconfortável, a pessoa prefere estar em um 'desconfortável conhecido', ou seja, em algo que traz um tipo de conforto", diz. 

Na retaguarda disso tudo ainda entra a questão da baixa autoestima. "É quando se acredita que não vai conseguir encontrar alguém e se prende ao passado para diluir a sensação", aponta Camila. Os riscos, nesse caso, é o amor-próprio ser afetado ainda mais, se houver uma nova ruptura.

A especialista acredita que uma recaída sexual só se justifica quando a mulher estiver segura, longe dos pensamentos disfuncionais.

Qual é o objetivo?

Para Júlia Bárány, psicanalista e mestranda em psicologia transformacional, o sexo é um vínculo muito poderoso entre duas pessoas, principalmente quando praticado durante certo tempo. Além do mais, cria-se um vínculo químico que intensifica o envolvimento, graças à liberação do hormônio ocitocina, chamado "cola do amor". 

"É comum que, ao romperem um relacionamento que durou bastante, os parceiros sintam falta um do outro. Isso acontece mesmo se o rompimento tenha sido traumático", comenta. Caso tenha sido uma relação de dependência, somam-se submissão, vulnerabilidade e incompletude "Na dúvida, não faça. Conquiste o domínio sobre si e, então, não haverá recaída", aconselha Júlia.

De acordo com a especialista, não há receitas que funcionem para todo (ex-) casal. Um bom jeito de decidir se vale seguir na aventura é se autoanalisar, relembrar os fatos e responder algumas perguntas, como:

  • O término foi bem resolvido ou envolveu briga?
  • Existe alguma pendência para fechar de vez o relacionamento?
  • Há, ainda, ligação afetiva ou dependência?
  • Ficou algum tipo de trauma?
  • Existe prazer no reencontro?
  • Vai deixar mágoas ou uma sensação de vazio?

"Ao se fazer questionamentos desse tipo, cada um chega à conclusão que lhe cabe, não porque alguém disse o que deve fazer, mas porque soube encontrar as respostas dentro de si mesmo", defende.

A hora de parar

Alguns indícios podem apontar a necessidade do ponto final. Segundo Júlia, se esse relacionamento esporádico traz algum tipo de sofrimento, é sinal de que não vale seguir. "A dor é sempre um alarme de algo que não vai bem", comenta.

A administradora Gabriela*, 35 anos, já teve algumas recaídas com o pai dos seus dois filhos, mas acredita que, se não existisse a proximidade por causa das crianças, ela e o ex nem teriam mais contato. "Diminuiu bastante o envolvimento, da minha parte porque há sempre um desgaste posterior. Então prefiro cortar a intimidade para me preservar", relata.

Gabriela associa os reencontros sexuais às fases em que os dois estão no seu melhor. "O sexo é bom e já tem uma intimidade construída, mas a falta de compromisso acaba machucando, no fim das contas. Às vezes, fico com a sensação de superficialidade. Depois que acontece, geralmente fica tudo ok, mas um pouco depois, a coisa desanda", conta ela, que diz se sentir muito mais em paz quando eles estão distantes.
 
Outras situações que pedem atenção, de acordo com Carla Cecarello, é quando a pessoa deixa de se interessar por outras na medida em que vê o ex como alguém que a deixa confortável e tranquila na hora do sexo. "Quando começa a ter essa comodidade sexual, é o momento que corre o risco de se envolver emocionalmente de novo", avisa.

Sem crise? Vá em frente!

A especialista Júlia observa que, quando um relacionamento se baseia primeiro no sexo e, depois, no amor, voltar a se encontrar reforça o vínculo original. "Se isso não causar sofrimento para nenhum dos dois, não oferece problema algum", diz.

Jaqueline*, 29 anos, esteticista, namorou durante 7 meses um rapaz com quem mantinha "ótimo diálogo, confiança e uma energia única". Veio o término, brigas posteriores, bloqueio nas redes sociais até que o Tinder foi palco da reaproximação.

"Começamos a conversar como se nada tivesse acontecido e, depois, nos encontramos por acaso numa casa de dança. A gente conversou, ele me chamou para sair dali, pois me deixaria no metrô na manhã seguinte e eu fui. Foi tudo natural, tomamos café juntos, como se nada tivesse acontecido. Continuamos conversando numa boa e estamos nos dando bem assim, sem constrangimentos", afirma.

Apesar disso, ela revela ter tido receio de ficar mal ao repetir a experiência. "Mas felizmente nada disso aconteceu. O sentimento mudou bastante e não existe mais aquela euforia de querer estar sempre por perto. Se eu não estiver namorado, supertoparia sair de novo com ele", diz.