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Pausa

Pare, respire e olhe o mundo ao redor


Com dinheiro do próprio bolso, idosa tricota roupas para doar

Getty Images
Ano passado, Alzira doou 50 pares de sapatinhos e 30 toucas de tricô feitos por ela Imagem: Getty Images

Priscila Gomes

Colaboração para a Universa

04/01/2019 04h00

Há mais de 60 anos, a rotina de Alzira é fazer diariamente gorros, cachecóis e luvas de tricô. Apesar da idade, 87, estar em uma cadeira de rodas e ainda fazer uso de medicamentos para diabetes, ela tem energia para sua produção.

Entre uma medicação e outra, ela descansa e assim retoma a tricotagem para doar peças às mães e idosos necessitados. Em 2018, doou 50 pares de sapatinhos e 30 toucas.

Arquivo pessoal
Alzira compra o material de que precisa do próprio bolso Imagem: Arquivo pessoal

"Aprendi a fazer tricô sozinha e, desde quando tive minha primeira filha, há 60 anos, comecei a ajudar outras mães que não podiam ter roupinhas para seus filhos. Nunca parei de ajudar, me faz muito bem. Já estive muito doente, mas logo me recupero e continuo meu trabalho porque sei que sempre tem alguém precisando", conta, animada. 

Ela sempre comprou do próprio bolso as linhas para a produção e, depois de aposentada, continua da mesma forma. "Ajudo com muito prazer, porque Deus é tão bom comigo! Não tenho ideia de quantas pessoas já ajudei, perdi as contas, não conto, só ajudo". 

Todas as peças produzidas são doadas para lares de idosos da região de Mogi das Cruzes e até famílias que moram em Minas Gerais. É o caso de Camila Almeida, 16 anos, moradora da cidade onde dona Alzira nasceu, Soledade de Minas.

"Recebi um conjuntinho para o meu bebê, com sapatinhos, luvas e touquinhas de lã. Ela também já deu bonecas de pano para mim e minhas duas irmãs. É um carinho tão grande que a dona Alzira tem com a gente. Ela é perfeccionista em tudo que faz. Não podia ter alguém melhor do que ela para fazer roupas para o meu filho", elogia. 

Nascida em Minas Gerais, Alzira Maria de Castro de Jesus conta que aprendeu a fazer tricô sem ajuda, mas não foi só isso. "Eu sempre aprendi a fazer tudo sozinha. Quer dizer: Deus sempre me ajudou. Comecei também a ler e a escrever aos 15 anos e daí desenvolvi também o costurar, bordar, entre outras coisas. Não tenho do que reclamar", diz, emocionada. 

A mineira veio para São Paulo em 1958, para morar em Mogi das Cruzes, e nunca mais saiu de lá. Casou-se, teve um casal de filhos. Sempre trabalhou em fábricas de papel e celulose da região de Suzano e assim se aposentou. 

Viúva por três vezes, Alzira construiu uma família grande: são seis netos, seis bisnetos e um tataraneto. Ela revela que passou por 25 cirurgias e 2 cânceres, sendo um de mama."Faz três anos que estou curada. Tenho diabetes, mas nem ligo. Como de tudo, amo um docinho e não nego. As pessoas ficam preocupadas comigo. Tenho um neto que faz uma comida tão boa, ele é um anjo pra mim. E tomo meus remédios religiosamente", completa. 

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