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Usar vibrador todo dia faz mal? A princípio, não. Mas é bom ter atenção

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Ao saber com mais propriedade que tipo de estímulo gosta, é possível falar abertamente com o par sobre preferências Imagem: Getty Images

Heloísa Noronha

Colaboração para Universa

2018-12-31T04:00:00

31/12/2018 04h00

É unanimidade, entre ginecologistas e terapeutas, que o vibrador oferece uma ótima oportunidade de autoconhecimento às mulheres. Seus benefícios não se resumem apenas ao deleite experimentado durante a masturbação: ao saber com mais propriedade que tipo de estímulo gosta, é possível falar abertamente com o par sobre preferências e, assim, ter mais prazer --e maiores chances de orgasmo

No entanto, há uma dúvida recorrente entre as fãs do aparelho: será que brincar com o sex toy diariamente é prejudicial? "O uso diário do vibrador só irá fazer mal à saúde física se não houver uma higiene correta, podendo ocasionar uma infecção. Tomando os devidos cuidados, ele pode ser um brinquedo sexual bastante divertido", responde Karen Moura Pires De Oliveira, educadora sexual e enfermeira obstetra do CEJAM (Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim), de São Paulo (SP).

Importante lembrar que a limpeza adequada pós-uso deve ser feita com água e sabão neutro e que o objeto deve ser cuidadosamente seco e guardado em um local bem fresco. O uso regular combate males como falta de lubrificação, atrofia vaginal e fraqueza da tonificação do assoalho pélvico.

Entretanto, há alguns fatores em jogo. Johnata Dacal, ginecologista da clínica Mais Excelência Médica, também na capital paulista, lembra que o sexo, seja a dois ou durante a masturbação com vibrador, libera inúmeros hormônios, entre eles a ocitocina, responsável pela sensação de felicidade e prazer.

"O que ocorre é que algumas pessoas podem entrar em ciclos de compulsão e acabarem fazendo o uso descontrolado de vibradores. Mais do que um vício no vibrador, o problema está em todo o comportamento sexual que deve ser avaliado pelo ginecologista", avisa.

Ele destaca que o prazer sexual não pode ser padronizado, assim como se masturbar todo dia com o vibrador não pode ser taxado como excessivo. "Porém, é importante tomar cuidado quando o seu uso começa a interferir nas atividades diárias".

"Perda de foco no trabalho, diminuição no interesse em relacionamentos e interferência na vida social podem ser sinais de abusos. Por isso, é importante o acompanhamento profissional para diagnosticar alguma compulsão ou até mesmo alterações hormonais que possam estar causando o aumento do desejo sexual a ponto de causar alterações na rotina", explica Johnata.

Para Karen, a utilização constante merece maior atenção quando o interesse por essa prática também passa a influenciar de maneira negativa na relação a dois. "A mulher precisar ter controle desse meio de prazer como um 'plus' na sua sexualidade. Afinal, o sexo a dois é muito mais prazeroso e completo. Se o vibrador se torna o único meio de alcançar o orgasmo, é preciso repensar o hábito", diz.

"Quando o fato de usar o aparelho começa a causar angústia ou sofrimento, também é hora de reavaliar o comportamento", completa Nelly Kim Kobayashi, ginecologista, sexóloga e parceira da butique erótica Innuendo, em São Paulo (SP).

De acordo com Nelly, teoricamente, se pode viciar em qualquer coisa, mas uma pessoa que está bem psicologicamente não precisa ter esse medo. "Realmente, o vibrador é algo que pode proporcionar um prazer imenso, mas só vai viciar quem já tem uma tendência a qualquer outro vício. Para um vício real acontecer, é necessário que haja algum abalo emocional que leve a pessoa a começar a usá-lo como forma de compensação por alguma outra carência", afirma. 

Portanto, se você se sente bem consigo mesma e seus hábitos sexuais não provocam nenhum tipo de dano, não há problema algum em brincar com o sex toy sempre que desejar. "Todo meio de alcançar a satisfação sexual só não deve ser acompanhado de prejuízo a si e ao próximo. A sexualidade pode e deve ser vivida de maneira intensa e prazerosa", observa Karen, do CEJAM.