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Política


Machismo e ofensas: situações constrangedoras vividas por políticas em 2018

Reprodução/PSDB
A deputada Mara Gabrilli ouviu de colega parlamentar que seria curada Imagem: Reprodução/PSDB

Camila Brandalise

Da Universa

23/12/2018 04h00

Mulheres políticas foram alvo de uma série de comentários e atitudes machistas ou ofensivos em 2018. No Brasil, a mais recente envolve a futura ministra de Mulheres, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, ridicularizada depois de ter dito que viu Jesus no pé de goiaba aos 10 anos -- em entrevista à Universa, Damares revelou que o momento envolveu uma tentativa de suicídio por causa de estupros dos quais foi vítima quando criança.

Em ano de eleições, candidatas também se viram em situações constrangedoras. Uma das mais marcantes envolveu Manuela D´Ávila, então pré-candidata à presidência pelo PC do B, no programa "Roda Viva", em junho. Manuela foi interrompida pelos entrevistadores 62 vezes, oito a mais que outro pré-candidato, Ciro Gomes (PDT).

Entra nessa lista também o presidente americano, Donald Trump, com seus comentários ofensivos contra parlamentares mulheres e quebra de protocolo com a rainha Elizabeth.

1.Damares Alves e o pé de goiaba

Rafael Carvalho/Divulgação/Governo de transição
A futura ministra Damares Alves Imagem: Rafael Carvalho/Divulgação/Governo de transição

Indicada pelo presidente eleito Jair Bolsonaro para liderar o Ministério de Mulheres, Família e Direitos Humanos, Damares Alves virou alvo de chacota na internet em dezembro, depois que um vídeo seu fazendo uma pregação viralizou. Nas imagens, Damares, que é também pastora evangélica, fala que viu Jesus em um pé de goiaba. 

Por causa de uma porção de memes e piadas ofensivas, a futura ministra veio a público dizer que, no dia em que afirma ter visto Jesus, ela estava prestes a tomar veneno de rato. Havia decidido tirar a própria vida depois de ser vítimas de estupro dos 6 aos 8 anos. À Universa, Damares falou sobre os estupros que sofreu e sobre o episódio do pé de goiaba.

2. Manuela D´Ávila interrompida 62 vezes no "Roda Viva"

FILIPE JORDãO/JC IMAGEM/ESTADÃO CONTEÚDO
Manuela D´Ávila Imagem: FILIPE JORDãO/JC IMAGEM/ESTADÃO CONTEÚDO

A então pré-candidata à presidência pelo PC do B participou do programa "Roda Viva", da TV Cultura, no dia 25 de junho. Em 90 minutos de programa, ela foi interrompida pelos entrevistadores 62 vezes.

O número é oito vezes maior que a quantidade de interrupções sofridas por Ciro Gomes, pré-candidato à presidência pelo PDT e entrevistado no mesmo programa, um mês antes.

3. Alexandre Frota para Joice Hasselmann: "Biscate"

Fernando Moraes/Universa
A deputada federal eleita Joice Hasselmann Imagem: Fernando Moraes/Universa

Em um bate-boca via redes sociais, Frota, deputado federal eleito pelo PSL, partido que também elegeu Joice Hasselmann para o mesmo cargo, chamou a jornalista de "biscate". A agressão aconteceu depois que Joice fez um vídeo para seu canal no YouTube, dizendo que somente a campanha dela e a de Eduardo Bolsonaro tinham o apoio do então candidato à presidência, Jair Bolsonaro. Frota, posteriormente, apagou o tuíte com a ofensa e mandou uma mensagem para a colega com um pedido de desculpas em formato de poema.

4. "Curando" Mara Gabrilli

Reprodução/Facebook
A deputada Mara Gabrilli Imagem: Reprodução/Facebook

O deputado Cabo Daciolo (Patriotas-RJ) fez um discurso no plenário da Câmara dos Deputados no dia 13 de julho em que, diante dos colegas, apontou para a deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), que é tetraplégica, e profetizou sua "cura". "Quero, diante de todos, profetizar a cura da deputada Mara. Eu creio que ela vai levantar da cadeira e começar a andar", disse. Em entrevista à Universa, Mara comentou, com ironia, o ocorrido. "Acontece pelo menos uma vez por semana de alguém dizer que Deus vai me curar. Até gostaria desse milagre."

5. Trump: ofensas a congressista e constrangimento com rainha Elizabeth

Richard Pohle/AP
Trump dando as costas para a rainha Elizabeth, um gesto considerado gafe Imagem: Richard Pohle/AP

O presidente americano Donald Trump rebateu críticas da congressista democrata Maxine Waters chamando-a de "pessoa com QI extraordinariamente baixo". Maxine disse, durante um encontro do Partido Democrata, que os americanos deveriam confrontar publicamente membros da equipe de Trump por causa da política migratória de separação de pais e filhos que entram ilegalmente nos Estados Unidos.

Trump também entra nessa lista por cometer uma série de gafes com a rainha Elizabeth, da Inglaterra. Em julho, chegou 10 minutos atrasado para o encontro com ela, cumprimentou-a sem se curvar e, depois, durante a vistoria da tropa de honra, caminhou na frente dela, dando-lhe as costas -- o que, segundo a tradição britânica, é um grave deslize. Por fim, Trump também cometeu uma deselegância ao não cumprimentar sua ex-adversária Hillary Clinton no funeral de George Bush, neste mês. Nem ela nem o marido, Bill, receberam um aperto de mãos do presidente.

6. "Vossa excelência está magrela"

Presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), dirigiu o comentário acima para a senadora Vanessa Graziotin (PC do B-AM), no plenário do Senado, no dia 3 de julho. A senadora agradeceu o comentário. Fica a questão: é razoável um colega de trabalho em posição superior fazer observações públicas sobre o peso de alguém?

7. "Gostaria de debater com o marido dela, que é homem"

Durante uma discussão na Alesc (Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina) em fevereiro, o deputado estadual Roberto Salum (PRB-SC) disse que não queria debater com a deputada Ana Paula Lima (PT-SC), mas com o marido dela. O tema da sessão era o fechamento de agências de desenvolvimento regional.

Errata: o texto foi atualizado
07/01/2019 às 15h52
Ao contrário do informado na matéria Manuela D´Ávila foi candidata à vice-presidência pelo PC do B e não pelo PSOL. Vanessa Graziotin é senadora PC do B pelo Amazonas e não do PCDB por Santa Catarina. As informações já foram corrigidas.