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Autoestima


Comédia romântica: elas contam o que aprenderam com seus filmes favoritos

Geiza Martins

Colaboração para Universa

20/12/2018 04h00

Quem nunca se identificou com uma comédia romântica? Açucaradas e cheias de clichês, sim. Mas e daí? As fãs desse gênero cinematográfico querem mesmo é rir e chorar ao assistir personagens enfrentando situações que lembram suas próprias histórias pessoais ou sua maneira de ver o mundo. Afinal, sentir-se representada na telona pode nos ajudar a resolver questões profundas da vida real. Ainda mais que toda mocinha da ficção passa por um grande aprendizado e termina mais madura e bem resolvida! 

Harry & Sally- Feitos Um Para O Outro (1989) 

Reprodução
Imagem: Reprodução

"Foi uma das primeiras comédias românticas que eu vi na vida, e sempre é a primeira que vem à cabeça. Amo o gênero 'slow burn', que é quando você vê o amor desenvolvendo aos poucos, e também porque acho Meg Ryan e Billy Crystal sublimes. Gosto muito da premissa deles serem amigos por 12 anos, apesar de tão diferentes num primeiro momento, debatendo uma série de questões como sexualidade, amizade e relacionamento, que são atemporais. Quando finalmente se descobrem apaixonados, o amor já existe. Para uma adolescente como eu, que cresceu achando que amor era sinônimo de uma certa angústia, foi um livramento. A fórmula das comédias românticas que eu tinha assistido até então mostravam duas pessoas, que passavam por uma situação de muito estresse, mas se apaixonavam e superavam este obstáculo. Na minha adolescência, achei que amor tinha essa fórmula de angústia e sofrimento que seria recompensado por 'ficar com este amor à primeira vista no final'. Passei meu primeiro relacionamento inteiro achando que amar é igual a sofrer e só me dei mal. Foi meu primeiro acesso a uma história de duas pessoas com muita intimidade e cumplicidade, mil discussões sobre relacionamentos e traumas, que depois disso se descobrem apaixonados mesmo assim. Hoje essa é minha fórmula favorita, e mesmo com mais de 30 anos, continuo shippando inúmeros casais ficcionais nesta mesma estrutura. Hoje, para mim, casar é igual a 'broderagem'". Jahitza Balaniuk, 31 anos, produtora cultural

Jogada Certa (2010)

Divulgação
Imagem: Divulgação

"Leslie (Queen Latifah) não é a garota convencional...Não é magra, nem elegante. Não é a filha dos sonhos da mãe. Mas é competente, inteligente, estudiosa e persistente. Gosto dela. As coisas não são fáceis para ela. Uma amiga mais magra rouba o seu homem. Mas é Leslie quem segura a bronca quando o bicho pega. E ele nem fica com Leslie por pena ou gratidão. Se apaixona mesmo. Bem... Eu sou negra como ela, gordinha também e da área da saúde -- ela é fisioterapeuta. Me identifico com a coisa de não ter a aparência física considerada pela maioria dos homens como modelo de beleza. Mas consigo ser bonita para alguém. A mensagem é clichê, mas Leslie não vira Cinderela, continua sendo ela mesma. Eu não quero me transformar, sabe? Não quero assumir uma identidade que não me pertence para ser aceita, sobretudo pela pessoa que vai dormir comigo. Se a Leslie tivesse emagrecido, mudado de aparência, não teria graça pra mim... Ter uma mocinha com a qual me identifico é mara!" Lilia Guerra, 42 anos, enfermeira e escritora

Quando o amor acontece (1998)

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"Eu tenho várias comédias românticas preferidas, é muito difícil escolher, mas logo lembrei do 'Quando o amor acontece' ('Hope Floats'). Quase ninguém conhece, mas é um filme que me marcou muito. No filme, Birdee Pruitt (Sandra Bullock) descobre em um programa de auditório que seu marido está saindo com a sua melhor amiga. Depois disso, ela volta a morar na casa da mãe. Gosto por diversos motivos, além de amar a Sandra Bullock, ele fala muito de recomeços, de luto pós rompimento amoroso, de sentir a tristeza de verdade, só querer dormir e ficar na cama e como isso faz parte de um processo. O filme me ajudou a rever/visualizar os erros do meu passado e seguir em frente, olhando as novas oportunidades. Como elaborar as mudanças com muito carinho, com muita calma e paciência. Apreciar os pequenos momentos, deitar na grama, tirar fotos, dançar. Amar o círculo de pessoas mais próximo da minha vida, e cuidar deles. A cena que ela dança com o pai na clínica é bem emocionante. Além disso, amo a atmosfera de interior dos EUA, de cidade bem pequena, e acho a trilha sonora mágica". Letícia Cavalcante, 29 anos, publicitária 

Simplesmente Complicado (2009) 

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"Simplesmente ma-ra-vi-lho-so! Meryl Streep está divinamente engraçada e confusa na pele da empresária/chef Jane, mãe de 3 filhos e ex-mulher do advogado Jake (Alec Baldwin). A princípio, parece que eles têm uma relação madura e amigável, apesar de ele ter traído Jane com uma 'novinha'. Mas logo dá para perceber que tudo é 'simplesmente complicado' quando eles voltam a se envolver. O elenco é maravilhoso - dos filhos e genro da Jane até Steve Martin, que faz o arquiteto Adam. E a história foge do óbvio ao retratar uma mulher madura, sacudida e dona de si numa confusão sentimental. O que dá para aprender com ele? Muita coisa sobre relacionamentos amorosos, familiares... Tipo: que não acaba enquanto não acaba, sabe? (risos). Fiquei pensando em como as separações interferem nos relacionamentos não apenas homem/mulher, mas também afetam os filhos. O filme acaba discutindo de um jeito bem humorado também sexo e a questão da autoestima quando envelhecemos. Dá para rir muito, mas você acaba ficando com uma pulguinha boa atrás da orelha, sabe, para pensar e discutir essas questões que são tão importantes - principalmente para as mulheres". Ana Paula Sousa, 34 anos, jornalista

O Amor Não Tira Férias (2006) 

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"Essa é uma das minhas comédias românticas favoritas. Imediatamente me encantei com a fotografia da parte em Surrey (Inglaterra) e me identifiquei com a personagem da Kate Winslet. E, curiosamente, minha melhor amiga se identificou com a da Cameron Diaz. Acho que mostra bem como, embora as pessoas possam ser muito diferentes, o improvável pode ser agradável, desde a troca de casas extremamente distintas, de país, de estilo de vida até a descoberta de amizades e relacionamentos com pessoas de personalidade também totalmente distintas. Claro que existem todos os exageros e clichês de uma boa comédia romântica, mas eu adoro como a Iris (Kate Winslet) acaba se libertando de um relacionamento tóxico e egoísta com seu colega de trabalho, e mesmo sofrendo, ela dá a volta por cima e, no impulso de passar as férias em um local novo e desconhecido, acaba vivendo momentos incríveis. O filme me ajudou a entender que por mais que seja difícil e às vezes doa muito, as mudanças são necessárias e quando elas partem de você mesma, o resultado acaba sendo mais especial. Eu amo. Detalhe: minha irmã morava em Surrey, bem nos locais do filme. Eu já tinha ido visitá-la e fiquei maravilhada quando vi o filme. Parece cidade cenográfica mesmo". Katy Freitas, 33 anos, editora de música

Como se fosse a primeira vez (2004)

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"Gosto desse filme porque, para mim, ele mostrou uma das maneiras mais simples de amor entre duas pessoas. O fato de Henry (Adam Sandler) conquistar Lucy (Drew Barrymore) todo dia é o que sempre levei para minha vida. Claro, no filme, a personagem tem memória a curto prazo, mas são as pequenas atitudes que uma pessoa tem faz com que a outra dê mais valor e viva sempre apaixonada. É aquela história, todo dia você precisa regar uma florizinha para ela se manter bonita, viva e crescer saudável. Para mim é como precisa ser uma relação também, sempre regar, nem que seja com um simples 'bom dia'. É nesses pequenos gestos que você vê que a pessoa gosta de você. E é o que Henry faz, ele sempre usa de algum artifício para Lucy lembrar do amor deles". Flavia Naomi Y. Kubo, 35 anos, fisioterapeuta

Nossa União, Muita Confusão (2010)

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"A comédia romântica que mais gosto conta a história de um casal apaixonado que decide casar, mas descobre que suas famílias são muito diferentes. A de Lucy (America Ferrera) tem um ritmo, uma classe social; a de Marcus (Lance Gross) é completamente distinta, mais elitizada e afortunada. Logo as famílias entram em atrito. Me identifico porque a trama é muito parecida com a história do meu casamento. Eu e meu marido somos de famílias bem diferentes. Casamos duas vezes. Eu acabei apresentando meu marido para minha família só no segundo casamento. Ele é adotado e a família dele é de uma classe social diferente da minha, eles têm poder aquisitivo mais alto. E eles são uma família muito grande e tradicional, então gostam de organizar tudo. Minha sogra gosta de coordenar toda a situação. Se a gente deixar, acabamos não palpitando em nada. Mas acho que o que me influencia é a conclusão de que o relacionamento precisa ser mantido pelo casal. Se a gente deixar a família cuidar, acaba não dando certo". Janaina dos Santos, dona de casa, 35 anos 

Ela Dança, Eu Danço (2006) 

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"Foi o filme que influenciou muito minha vida. A história é sobre Tyler Gage (Channing Tatum), um rapaz problemático que chama a atenção de Nora (Jenna Dewan), uma talentosa bailarina que está tentando misturar passos de hip-hop ao balé clássico e que o convence a ajudá-la. Quando eu assisti, tinha uns 12 anos e gostei muito porque o filme mostrava danças clássicas e urbanas. Me apaixonei por dança de rua. O casal de protagonista me influenciou bastante a estudar dança. A partir do filme, procurei aulas de hip hop. Depois disso, entrei em um grupo de dança e fiquei nele por sete anos. Também virei professora de dança, dei aula por um ano. Até hoje eu danço". Juliana Martins, 24 anos, analista de marketing