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Pai faz loucura para realizar o sonho da filha: abrir um negócio de sucesso

Arquivo Pessoal
Marina com o pai, Geraldo: ele acreditou no potencial da filha e deixa a administração do negócio a cargo dela Imagem: Arquivo Pessoal

Léo Marques

Colaboração para Universa

19/12/2018 04h00

Quanto vale o sonho de uma filha? Para Geraldo Gláucio de Araújo Caldas, 54 anos, valeu o veículo de trabalho, o carro da família e um empréstimo considerável no banco. Ele usou o dinheiro para comprar uma franquia de beleza para sua filha mais nova, Marina Fonseca Caldas, de 26 anos. O negócio, sediado em Belo Horizonte (MG), deu tão certo que, em apenas dois meses de operação, eles atingiram o ponto de equilíbrio (quando a empresa já consegue pagar os seus gastos) e, hoje, faturam R$ 25 mil por mês. A expectativa é que em um ano de atividade consigam recuperar todo o dinheiro investido e comecem a faturar mais de R$ 70 mil ao mês --a previsão inicial era de recuperar esse investimento em três anos.

Apesar da pouca idade, desde nova, Marina enfrentou muitos obstáculos e correu atrás do que queria: ser empreendedora. Ainda na adolescência, a jovem começou a trabalhar em salões de beleza, onde ganhou experiências para criação de penteados e escovaria. "Trabalhava o sábado todo para ganhar R$ 20, mas fazia isso feliz. Apesar de ser cansativo, era um dinheirinho a mais", conta. Além do aprendizado no salão, Marina também fez cursos de manicure e pedicure para aumentar o portfólio e conseguir uma renda extra. 

Aos 17 anos, quando concluiu o ensino médio, Marina ainda estava bastante indecisa sobre qual vestibular prestar. Primeiro, ela tentou medicina veterinária, mas não passou. No ano seguinte, em 2010, ainda indecisa entre química e farmácia, teve o apoio do pai para optar por um curso técnico de estética e cosmetologia. 

Enquanto fazia o curso, Marina dividia o seu tempo em adquirir novas experiências. Durante um período, trabalhou na administração e no atendimento ao cliente do restaurante da tia. Com os ganhos, bancava os materiais do curso. "Foi uma experiência muito enriquecedora. Uma ótima e transformadora oportunidade. Amadureci demais profissionalmente", conta. Para enriquecer o currículo, ela ainda fez um estágio em uma clínica de estética, trabalhando na área de gestão e administração. Esses conhecimentos, mais tarde, serviriam de base para o novo negócio. 

"Não tive dúvidas, arrisquei todas as minhas fichas"

O pai sempre foi orgulhoso, o que o motivou para investir na filha. Durante dez anos, Geraldo trabalhou como motorista de transporte de alunos universitários em Belo Horizonte (MG), porém, sempre apostou em algo paralelo. Durante esse período, ele chegou a abrir diversos negócios no ramo de alimentação, como, por exemplo, padaria, lanchonete e fábrica de pão de queijo, mas ele conta que foi enganado por fornecedores e distribuidores, o que fez com que as empresas fossem à falência. 

Este ano, Geraldo ensaiava investir novamente na área de alimentação e, assim, começou a estudar bastante um empreendimento que viesse a dar certo. Porém, quando menos esperava, em seu celular chegou uma mensagem falando sobre uma franquia de beleza que estava crescendo na cidade. "Mostrei para Marina, que ficou empolgadíssima. Ela que estava sonhando em abrir o próprio negócio se identificou logo de cara. Daí tudo mudou", relembra o pai. 

Para a abertura do negócio, seria necessário um investimento aproximado de R$ 128 mil, valor que incluía taxa da franquia, capital de giro e taxa de instalação. Vendo o entusiasmo da filha, mas sem o capital necessário, Geraldo decidiu vender a van que usava para trabalhar, o carro da família (avaliado em R$ 35 mil) e, para completar o investimento, ele fez um empréstimo no banco de cerca de R$ 20 mil. 

"Foi uma decisão muito difícil, afinal, estamos falando de dinheiro e possibilidade da empresa vingar ou não. Mas a Marina já estava vivenciando tudo aquilo e disposta a se dedicar completamente. Nesse momento, não tive dúvidas, arrisquei todas as minhas fichas. Por um período, sabíamos que as coisas não seriam fáceis", comenta Geraldo. 

A demanda superou as expectativas 

Com o dinheiro na mão, em junho de 2018 eles abriram a SUAV, franquia com foco em serviços de estética express, no bairro Buritis, na capital mineira.

Como parte da estratégia para recuperar o dinheiro investido, pai e filha optaram pelo modelo de negócio mais completo que a SUAV oferece --que inclui depilação, design de sobrancelha e manicure (ao todo são cinco modalidades). A intenção, a princípio, era de conquistar o investimento em até 36 meses e quitar a dívida no banco.

Arquivo Pessoal
Marina e os pais, Geraldo e Ieda, no dia da inauguração da loja Imagem: Arquivo Pessoal

No entanto, as expectativas surpreenderam e esse dinheiro poderá ser recuperado bem antes do que o previsto. Em apenas 60 dias, a unidade já conseguiu pagar seus gastos, garantir um faturamento médio de R$ 25 mil por mês e registrar o número de aproximadamente 200 clientes por semana. Diante do movimento, a perspectiva é que, já no próximo ano, o faturamento bruto mensal supere os R$ 70 mil.

Felizes com o resultado, eles não pensam em parar por aí. A intenção de abrir outra franquia está nos planos dos empreendedores. "Já penso em inaugurar outra unidade, mas em uma cidade diferente. Ainda estou analisando alguns lugares com potencial para o negócio. Estamos muito felizes com o resultado que alcançamos em tão pouco tempo", revela Marina. 

Com os lucros da empresa, Geraldo financiou um novo carro e voltou a trabalhar como motorista parte do tempo, mas desta vez, de aplicativo. A intenção é não depender exclusivamente do empreendimento neste início. Ele deixou a cargo de Marina o dia a dia da administração da SUAV. 

"Isso me traz uma grande responsabilidade, já que toco o negócio boa parte do tempo sozinha. Porém, não vejo a necessidade de tê-lo aqui comigo todos os dias", diz Marina, que se emociona ao lembrar do gesto do pai: "Ter essa oportunidade vai muito além da realização de um sonho. Meu pai mostrou a confiança que sentia em mim. Apostar no meu sonho e contar comigo como sócia é um presente muito maior que a própria franquia. Ficamos ainda mais ligados".