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Angústia por causa das festas de fim de ano é comum; veja como lidar

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De acordo com o CVV, ligações aumentam 20% durante o mês de dezembro Imagem: iStock Images

Natália Eiras

Da Universa

16/12/2018 04h00

Nos comerciais de TV, o Natal e o Ano-Novo parecem ser sinônimos de momentos alegres: famílias sorridentes partem o peru e trocam presentes. Na cabeça de muita gente, no entanto, a noite não é assim tão feliz. O CVV (Centro de Valorização da Vida), instituição civil sem fins lucrativos que oferece apoio emocional e prevenção de suicídio, percebe um aumento de 20% em ligações de pessoas em dezembro com queixas como tristeza, angústia e preocupações relacionadas ao clima de festas. O órgão recebe, diariamente, 10 mil ligações. 

"É uma solidão de fim de ano", explica o engenheiro Carlos Correia, 65, voluntário do CVV há 26 anos. "Rola todo um um balanço de metas e a pessoa percebe que nem tudo pode ter dado certo. É um pessimismo que pode existir o ano todo, mas que fica mais intenso nessa época".

De acordo com o psiquiatra Luiz Scocca, do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo), as pessoas sofrem com o estresse das compras de presente e dos eventos sociais. "Existe uma pressão para estar feliz, o que gera angústia. Elas também se sentem obrigadas a passar o tempo com pessoas com quem elas não gostariam".

Apesar da tristeza de fim de ano ser comum, dezembro não é o mês que registra o maior número de ocorrências de suicídio. "Há um mito de que há muitos casos neste mês. Na realidade, há até uma retenção", diz a médica psiquiatra Ana Paula Carvalo, coordenadora da Liga de Depressão do Instituto de Psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo). "Nós acreditamos que seja porque a família e os amigos das pessoas com pensamentos suicidas ficam mais próximos, o que as protege", fala a especialista.

A agenda lotada de eventos sociais também pode ajudar estes indivíduos em risco. No entanto, o número de casos volta a aumentar depois do Natal. "É quando as pessoas vão curtir a festa da virada do ano com seus amigos e essa pessoa pode ficar sozinha de novo", explica a médica.

Um levantamento da Fundação SEADE, órgão do governo de São Paulo para análise de dados, percebeu, por exemplo, que de 2013 até 2014 o número médio diário de suicídios em dezembro foi cerca de seis casos, enquanto o de janeiro foi de sete. Ao contrário do mito, a pesquisa deu conta que o mês com maior número de ocorrências foi setembro, com média de oito casos por dia.

Como lidar com a angústia?
 

Para driblar estas sensações é preciso algum autoconhecimento e, principalmente, respeito pelos próprios limites. Com a ajuda dos especialistas, a Universa mostra como lidar com a tristeza nessa época:
 

Não crie grandes expectativas

Estabelecer metas inalcançáveis é a receita perfeita para terminar o ano frustrado. Por isso, evite criar grandes expectativas para o próximo ano.
 

Aprenda a dizer "não"

"Não diga 'sim' quando você não quiser fazer algo. Não é um absurdo não passar o Natal com a sua família. E justamente porque essa é uma época difícil, programe-se para evitar reuniões indesejadas. Não é porque é tradição que você precisa passar as festas de fim de ano com a sua família se você não se identifica com ela", diz Scocca
 

Evite ficar solitário

Não se isole nesta época. Se for passar a noite de Natal sozinho, programe-se para isso. "Tem algumas pessoas que gostam de fazer um retiro de meditação, mas é importante estar preparado para o isolamento", fala o médico psiquiatra do Hospital das Clínicas.
 

Encontre a sua maneira de curtir as festas de fim de ano

"Faça um Natal que tenha a ver com você. Se é uma pessoa mais tranquila, por exemplo, siga neste caminho. Não precisa fazer uma festança cheia de gente. Faça algo que esteja de acordo com os seus valores", aconselha Ana Paula. "E aproxime-se de pessoas com quem você tenha mais afinidade".
 

Respeite seu tempo

No entanto, se, mesmo assim, você se sente pressionado a visitar sua família, não se coloque em uma situação desconfortável por muito tempo. "Vá, mas não precisa ficar o dia inteiro. Não fique mais do que é necessário para você", complementa Ana Paula.
 

Procure a ajuda de um especialista

Não deixe para procurar ajuda especializada no ano que vem. "Comece a fazer um acompanhamento médico assim que sentir que é necessário. Não espere janeiro chegar", finaliza Scocca.
 

*Se você está passando por algo semelhante ou conhece alguém que precise de ajuda, disque 188 - Centro de Valorização da Vida

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