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Mulheres protagonizam um mundo em evolução


Estes famosos viveram relações de fachada em nome de não chocar os fãs

Heloísa Noronha

Colaboração com Universa

14/12/2018 04h00

Se hoje, para muitas pessoas, ainda é difícil assumir a homossexualidade perante a sociedade --até mesmo quando há apoio irrestrito da família e dos amigos--, há algumas décadas, admitir um romance gay era impensável para muitos famosos, que ganham a vida com a imagem e tinham que garantir que suas histórias não desagradassem os fãs. Para evitar escândalos e prejuízos, muitos artistas, por vontade própria ou coação, precisaram manter romances de fachada para desviar as atenções e abafar os boatos, como mostram as histórias a seguir.

Katharine Hepburn (1907-2003) e Spencer Tracy (1900-1967)

Getty Images
Imagem: Getty Images

De acordo com várias biografias, mais do que uma química intensa dentro e fora das telas, o que unia os dois amantes era uma espécie de acordo velado em que ambos podiam viver relações homoafetivas com outras pessoas. Tudo indica que os estúdios de Hollywood, embora o ator tivesse mulher e filhos, viam com bons olhos o caso tórrido da dupla, já que desviava a atenção de suas escapadelas gays. O romance entre Hepburn e Tracy durou quase três décadas e rendeu nove filmes lançados entre 1942 e 1967, como o clássico "A Costela de Adão" (1949). 

Rock Hudson (1925-1985)

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Imagem: Getty Images

Um dos mais belos astros dos anos de ouro de Hollywood, Rock Hudson caiu nas graças do público graças aos papéis românticos ao lado da atriz Doris Day. Por sua atuação em "Assim Caminha a Humanidade" (1956) recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator. Seu sucesso no cinema, porém, escondia uma vida pessoal conturbada. Um ano antes, o ator foi obrigado por seu estúdio a se casar com sua secretária, Phyllis Gates, para abafar as fofocas e especulações sobre sua sexualidade. O casamento acabou em 1958, mas ele só sairia do armário em 1980, pouco antes de morrer vitimado pela Aids.

Oscar Wilde (1854-1900)

Reprodução
Imagem: Reprodução

O célebre autor de "O Retrato de Dorian Gray" (1890), na qual escreveu que "definir é limitar-se", foi casado entre 1884 e 1888 com Constance Lloyd. Tiveram dois filhos, mas durante boa parte da relação o escritor irlandês se relacionou com rapazes mais jovens. Seu grande amor foi Lorde Alfred Douglas, vinte anos mais novo, filho de um marquês conservador a quem Wilde decidiu processar por ter-lhe entregado um bilhete no qual o chamava de "sodomita". O tiro saiu pela culatra, pois o marquês acabou revidando e o caso foi parar nos tribunais. Ficou preso entre 1895 e 1897 pelo crime de "sodomia", tendo sido condenado também a cumprir trabalhos forçados. 

Billie Holiday (1915-1949) x Tallulah Bankhead (1902-1968)

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A cantora de jazz mantinha uma rotina amorosa bem agitada, tanto com homens quanto com mulheres. Um de suas amantes mais famosas foi Tallulah que, apesar de levar uma vida bem livre para os padrões de Hollywood dos anos 1930, não queria que seus casos homossexuais fossem escrutinados pela imprensa da época. Quando a polícia pegou Billie Holliday com ópio, a estrela  intercedeu junto ao diretor do FBI, J. Edgar Hoover, amigo de seu pai, pela sua libertação. O romance entre as duas acabou com trocas de farpas. Bankhead ameaçou processar a cantora se ela a incluísse em sua autobiografia "Lady Sings the Blues". Ela foi retratada apenas como "uma amiga".

Anthony Perkins (1932-1992)

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Imagem: Getty Images

O intérprete do emblemático Norman Bates de "Psicose" (1960), de Alfred Hitchcock, teve um romance escondido durante anos com o ator Tab Hunter, falecido em julho desse ano. Em suas memórias, lançadas em 2005, Hunter admitiu o caso e revelou como foi difícil lidar com sua homossexualidade na açucarada década de 1950, quando conheceu o auge. Perkins, por sua vez, chegou a dizer em entrevistas que sempre se sentia nervoso perto das mulheres e que resistiu a Jane Fonda e Brigitte Bardot, que teriam tentado seduzi-lo na juventude. Ele foi casado com a atriz Berry Berenson, com quem teve dois filhos. A atriz estava a bordo em um dos aviões que se chocaram contra o World Trade Center, no ataque terrorista de 11 de setembro de 2001. Perkins morreu em 1992, por complicações em decorrência da aids.

Cary Grant (1904-1986)

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Imagem: Reprodução

Casou-se cinco vezes com mulheres e teve um filha, Jennifer Grant. Ator de mais de 60 filmes hollywoodianos, Cary Grant manteve um relacionamento por quase uma década com o bailarino Randolph Scott. Embora nenhum dos matrimônios tenha sido formalmente arranjado, ele foi aconselhado a esconder o affair com Scott, que aconteceu entre dois dos casamentos. O figurinista Orry-Kelly também foi um de seus romances notórios no meio artístico, mas desconhecidos pelo grande público para que sua imagem de homem viril e sedutor não fosse maculada.

Sammy Davis Jr (1925-1990) e Kim Novak (1933-)

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Imagem: Reprodução

Como parte da turma de Frank Sinatra, Dean Martin e cia., Sammy Davis Jr foi um dos primeiros grandes astros negros de Hollywood. Seu status de celebridade, entretanto, não foi suficiente para lhe dar "permissão" de namorar uma estrela branca, Kim Novak --a mulher fatal de "Um Corpo que Cai" (1958). Harry Cohn, presidente da Columbia na época, teria mandado que membros da máfia o ameaçassem de morte caso seguisse em frente com o relacionamento --que, em tempos de racismo intenso, podia prejudicar as bilheterias das produções do estúdio. O chefão teria pagado ainda uma cantora negra, Loray White, para se casar com ele a fim de desviar a atenção.

Ricky Martin

Mike Windle/Getty Images
Imagem: Mike Windle/Getty Images

O cantor se assumiu gay em 2010, através de um comunicado no seu site oficial. "Tenho orgulho de dizer que sou um homem homossexual feliz", escreveu ele. Entre idas e vindas, Martin se relacionou durante 14 anos com a atriz e apresentadora mexicana Rebecca de Alba, que sabia da homossexualidade do parceiro. Em janeiro desse ano, o artista anunciou que casou com o pintor sírio de nacionalidade sueca Jwan Yosef, com quem namorava desde 2016.

Janet Gaynor (1906-1984)

Max Munn Autrey
Imagem: Max Munn Autrey

Foi a estrela-sensação dos filmes mudos norte-americanos no final dos anos 1920. Primeira ganhadora do Oscar de Melhor Atriz, era bastante reservada, discreta e não frequentava festas. Seus colegas do cinema, no entanto, sabiam do seu romance com a atriz da Warner, Margaret Lindsay, e depois com Mary Martin. Para abafar o escândalo, Janet casou-se com um figurinista da MGM e Mary subiu ao altar com um decorador de interiores. Curiosidade: durante muitos anos, o quarteto morou no Brasil, numa fazenda no interior de Goiás.

Errata: o texto foi atualizado
14/12/2018 às 00h00
Diferente do publicado, a atriz Kim Novak está viva e o escritor Oscar Wilde é irlândes. A informação foi corrigida.

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