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Carreira e finanças


Como responder às perguntas clássicas de uma entrevista de emprego?

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Carolina Prado e Simone Cunha

Colaboração para Universa

12/12/2018 04h00

Para Daviane Chemin, vice-presidente da Associação Brasileira de RH (ABRH-Brasil), as pessoas não estão acostumadas a fazer uma autoavaliação, por isso, se enrolam diante de alguns questionamentos em entrevistas de emprego. "Antes de ir para a entrevista, faça uma análise de suas características e de sua trajetória profissional, para não ser pego de surpresa", sugere. 

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Perguntas sobre personalidade e experiências vividas em outras empresas costumam ser as mais difíceis de ser respondidas. "É natural perguntar sobre a vida do entrevistado e buscar perguntas fora da caixa. Em qualquer ocasião, o candidato precisa ser sincero, independentemente do quão constrangido ou surpreso tenha ficado com a pergunta", afirma Mônica Paiva, diretora de Gente e Gestão do Grupo Comunique-se e psicóloga especializada em desenvolvimento de talentos.

A seguir, listamos algumas perguntas difíceis relatadas por quem já passou pela saia justa, além de dicas de especialistas para lidar com elas.

Você fuma?

"Perguntaram se eu fumava, pois pensaram que eu abandonaria o posto de trabalho mais vezes durante o dia por conta disso", conta Giovana Rachid da Silva, 20 anos, auxiliar administrativa.

O que fazer: se é fumante, tem que assumir. "O mais importante é ressaltar que questões pessoais não vão interferir no resultado do trabalho", diz o especialista em RH Sérgio Margosian, gerente da Michael Page, consultoria global de recrutamento executivo para cargos de nível médio e suporte à gestão. Ele explica que de nada adianta simular uma imagem que irá se dissolver ao longo do processo ou até mesmo após a contratação.

Quanto você quer ganhar?

"Sempre acho muito difícil de responder quando me perguntam qual salário eu considero justo pelo meu trabalho; pois o que é justo não condiz necessariamente com a oferta de mercado. Se a gente fala um valor justo pode ser alto demais e até nos fazer perder a vaga. Por outro lado, se lança um valor baixo, pode dar a impressão de que não valorizamos o nosso trabalho", diz Camila Vidal, 35 anos, atendimento ao cliente em um escritório de advocacia.

O que fazer: sem dúvida, é interessante manter-se antenado com os salários pagos para a função que está pleiteando. "Mas você não precisa indicar um único valor, apenas oferecer uma margem entre um valor e outro e avisar que aceita negociar", afirma Daviane.

Por que saiu do emprego?

"Na entrevista, sempre questionam como era a relação com a empresa anterior e por que quis sair. Mas, em uma situação específica, o recrutador perguntou se eu havia processado a empresa ou se pensava em fazê-lo", lembra Camila Souza, 33 anos, analista de marketing

O que fazer: Margosian alerta que, em situação alguma, é válido criticar a empresa anterior ou o gestor. "Justifique a sua saída de forma elegante, informado que suas ideias não estavam condizendo com a proposta da empresa e, por isso, percebeu que não valeria a pena continuar". E fale apenas sobre os fatos e não sobre o que poderia ter sido. Se processou, melhor assumir na entrevista, porque ele terá como saber. Se não processou, diga isso, não há necessidade de se justificar.

Diga uma qualidade e um defeito

"Pediram para eu apontar uma qualidade e um defeito meu que poderiam ser relevantes no ambiente de trabalho. Fiz uma análise sincera do que poderia oferecer apontando ponderação em cumprir metas e nunca concordar com a postura estratégica da chefia", conta Ana Elisa Teixeira, 31 anos, Marketing Digital

O que fazer: para Daviane, o candidato precisa fazer um exercício de autoconhecimento, identificar suas qualidades e os pontos em que precisa melhorar. E deve responder de forma sincera e natural. "As empresas querem saber qual oferta entre competência, valores e características podem ser esperadas", diz. Já Margosian alerta que é importante apontar um defeito, sem cair na mesmice de falar que é perfeccionista, mas indicando que o reconhece e procura soluções para minimizá-lo.

O que desmotiva você?

"Em que momento você já se sentiu desmotivado? Nessa hora, sempre aponto os salários baixos e a falta de oportunidade de crescimento dentro da empresa", conta Ana Elisa Teixeira, 31 anos, da área de Marketing Digital 

O que fazer: "É importante pensar na própria vivência profissional e dar um exemplo real, contando como superou e o que aprendeu com a experiência", afirma Mônica. Também é fundamental preparar-se para a entrevista e fazer uma retrospectiva da carreira, justamente para sentir-se seguro no momento de responder algo desse nível.

Por que você quer trabalhar aqui?

"Por que a gente quer trabalhar na empresa ou por que se considera apta para o cargo são perguntas clássicas, mas não dá para ficar enrolando. Sempre digo que estou em busca de uma empresa maior e mais bem colocada no mercado", diz Camila.

O que fazer: "Na entrevista, é importante mostrar que sua qualificação e experiência estão alinhadas com a história da empresa, com o que ela faz e seu estilo de negócios", fala Mônica. Para isso, é imprescindível fazer uma boa pesquisa antes. Dessa forma, é possível manter um diálogo mais claro e transparente.

Como eram seus gestores?

"Já me pediram para falar sobre o melhor e o pior gestor que tive. Respondi sobre cada um deles: elogiei uma coordenadora que defendia muito a equipe; e falei que o pior só humilhava os colegas de trabalho na frente de todos, sem citar o nome. Eles até questionaram, mas achei melhor omitir por uma questão ética", conta Ana Paula Gomes Rodrigues, 24 anos, assessora de imprensa

O que fazer: Mônica diz que é importante falar de características e não de pessoas. "Procure focar em pontos de que você gostava ou não e justifique. Aponte situações práticas em que isso beneficiou ou afetou a equipe negativamente".